Outros Deuses e Seus Epítetos - Pã
Continuando nossa série de postagens onde exploramos os títulos, domínios e mitos das deidades, dessa vez focamos em uma divindade bastante peculiar em seu próprio mérito: Pã, o Deus do mundo selvagem, dos pastores e caçadores.
Majoritariamente descrito como um filho de Hermes, Pã tem a maternidade variada entre diversas possíveis mais: Desde as ninfas Dríope, Oeneis, Tímbris e até Calisto ou mesmo a mortal Penélope, esposa de Odisseu, com a qual Hermes teria se apresentado na forma de um carneiro.
Os mitos de sua origem variam, mas relatam que sua mãe assustou-se ao ter um bebê meio-bode, meio-humanoide. A aparência de Pã é descrita como a de um sátiro, um dos daimones que habitam a floresta, famosos por sua fertilidade, amor por festividades e por representarem o aspecto selvagem da natureza ao lado das ninfas. Ele é retratado como um sátiro barbado portando uma siringe, uma flauta descrita como sua criação. É dito que o Deus foi recebido com alegria por todos no Olimpo, com Dionísio particularmente se afeiçoando a ele e tomando-o como parte de seu cortejo báquico em outros mitos.
Uma divindade associada a toda a vida pastoril, Pã é descrito como um amante da vida bucólica, responsável pela fertilidade do mundo natural, muitos de seus devotos dedicavam-no oferendas em prol de multiplicação de seus rebanhos, boas caçadas e boas pescas. A Pã também eram associadas as sensações de terror que invadiam viajantes que cruzavam o mundo selvagem, sendo o Deus capaz de afugentar quem bem desejasse longe de sua mata.
É dito que o poeta Píndaro fez Pã dançar ao som de sua música e pelas bênçãos a ele concedidas, Píndaro ergueu um altar para ele.
Em relação a seu culto, Pã era majoritariamente cultuado na região da Arcádia, onde Hermes também tinha considerável culto. Cavernas e locais montanheses eram bastante associados ao culto do Deus-sátiro. Na região de Atenas, na Ática, Pã tinha um santuário no sopé da Acrópole onde foi honrado anualmente com sacrifícios e corridas com tochas após ter auxiliado os atenienses na guerra contra os persas.
Observemos agora os títulos usados para descrevê-lo.
Pã (Παν) - Do grego antigo, "Tudo". É o principal nome atribuído ao Deus. A origem do nome é debatida, mas no Hino Homérico a Pã é relacionado ao fato de todos (pantes) os Deuses regozijarem sua presença e risada.
Epítetos de culto
Nomios (Νομιος) - Pastoril Agreus (Αγρευς) - Caçador Agrotas (Αγροτας) - dos Pastos Forbas (Φορβας) - Assustador
Estes títulos descrevem as funções de Pã como uma divindade associada ao domínio pastoril e ao mundo natural por excelência. Seus outros epítetos reforçam também o caráter amplo do Deus-sátiro, como um amante das travessuras, do festejo e de seu aspecto expansivo no Mundo Selvagem, sobre as montanhas ou mes no mar.
Lyterios (Λυτηριος) - Libertador, epíteto especificamente aplicado após o Deus Pã livrar a região de Trezena de uma praga. Sinoeis (Σινοεις) - Travesso Skoleitas (Σκολειτας) - Tortuoso Akrorites (Ακρωριτης) - do Monte Acrória Haliplanktos (Ἁλιπλανκτος) - Aquele que cruza o mar. Pã também era chamado aegokêros, ou seja, dos chifres de bode, para descrever sua condição de sátiro.
Uma divindade importantíssima para a compreensão do mundo natural, Pã é o divino protetor da natureza, fonte de bênçãos imensas e mistérios importantíssimos para a vivência sobre a terra.
Possamos honrá-lo em nossa comunhão com o mundo natural! Encerramos este post com um fragmento dedicado a ele:


















