Levando em consideração o horário que precisariam acordar na manhã seguinte para seguirem a programação da família, já estava bastante tarde para as duas ainda estarem acordadas e cheias de energia. Talvez era efeito dos vários doces e outras besteiras que comeram escondido mais cedo, mas não podiam fazer nada se o jantar que serviram foi o ensopado nojento de seu padrasto e as guloseimas de emergência precisaram ser devoradas pelo nível de fome que tinham. De qualquer forma, a vontade de dormir era nula e o simples fato de não conseguirem ficar em silêncio ou paradas por muito tempo no quarto evidenciavam isso, pois sempre conseguiam arranjar algum assunto para conversar ou alguma brincadeira boba para rirem.
Dividindo a mesma cama, o que começou com um cutuque na cintura de Rise rapidamente se transformou numa batalha de cócegas e, depois, numa lutinha. Não era a primeira ou a segunda vez que isso acontecia e Penelope já estava bastante frustrada de normalmente ser a perdedora nessas brincadeiras, então estava com sangue nos olhos para imobilizar a amiga e fazê-la se render. Não querendo acordar seus pais ou seu irmão reclamão, o rosto feminino estava vermelho de tanto segurar as próprias risadas e da força que fazia, porque Lee-Navarro era incrivelmente forte e tentar ficar sobre ela estava exigindo muito esforço de sua parte. Todavia, também era inevitável sentir seu coração bater mais forte e sua respiração falhar brevemente com a proximidade de seus corpos — e as vezes em que alguma das pernas dela ficava entre as suas. Em outras circunstâncias, esses acidentes não lhe causariam alarde, afinal, estavam apenas brincando, mas Rise não era apenas a sua melhor amiga, ela também era sua crush secreta e já havia protagonizado alguns dos sonhos que não ousaria externar. Quando Penelope finalmente conseguiu imobilizar as mãos delas com as suas, encontrar a amiga com o pijama todo bagunçado sobre si acordou uma parte sua que preferia manter apagada, pois não se orgulhava dela e que poderia causar problemas às duas. — Eu venci! — comemorou baixinho com um sorriso e, para evitar a facilitação de uma inversão de posicionamentos, a morena nem sequer se deu o trabalho de levantar a alça da blusa que vestia como pijama. — Só vou te soltar quando você aceitar isso. — anunciou tentando se manter divertida quando a sua atenção queria ir para outro lugar. Os lábios que sentiam saudades... o que a camiseta feminina, que já se encontrava com um botão desabotoado, tentava esconder... Não, não, não! Isso talvez seria demais. — E ai? — esforçava-se para manter seus olhos nos dela, embora vacilasse um segundo ou outro.