Andrômeda sentia seu corpo tão frio quanto a neve, ela iria ser entrevistada logo pela manhã, estava exausta mas pelo menos a senhorita Marlene havia conseguido fazer a mesma descansar um pouco. Sentisse um pouco fraca apesar de ter tomado o café da manhã, não com muito gosto afinal era normal para a mesma ficar sem apetite em situações como essas, não que já tivesse passado por algo assim, claro que já tinha visto pessoas (especialmente nascidos trouxas e mestiços) serem torturados mas nunca alguém que ele tinha um vínculo, alguém importante. Tais pensamentos fazia o estômago da mesma revirar, como de costume, havia tentado aceitar e se acostumar que pessoas sofreriam e se não fosse alguém que conhecesse era mais fácil porém não era como se ela pudesse negar que pensamentos lhe assolavam a noite de forma perturbadora. Quem era aquelas pessoas? E as pessoas que as amavam como estariam agora? E se ele tivesse impedido? E se ela pudesse impedir? E se... aquelas duas palavrinhas lhe causavam pesadelos. Suspirou pesadamente antes de entrar na sala que seria interrogada, os olhos cansados com olheiras disfarçados por maquilhagem, estava com a cabeça erguida e impecável, pelo menos por fora como havia sido ensinada. Apertou as mãos com fora contra a roupa, ela era tão cupada mas o que poderia fazer? Ela era só uma criança assustada.
"Olá senhorita Black, queira se sentar por favo" Andy assentiu levemente com a cabeça fazendo o que o auror pedia "Irei fazer algumas perguntas, isso é muito importante para investigação então peço que conte tudo e não omita nada até mesmo o que não ache revelante. Podemos começar?" o homem dizia gentilmente tentando de alguma forma deixar a situação confortável mas parecia não funcionar muito para a sonserina mas ela faria tudo pra saber quem fez aquilo com Ted Tonks.
Auror: "Você compareceu a todas as aulas dessa sexta feira?"
Andrômeda: "Sim"
Auror: "Foi ai jantar da escola?"
Andrômeda: "Sim"
Auror: "Foi convidado ou ficou sabendo que teria uma festa entre os alunos?"
Andrômeda: "Fui convidada"
Auror: "O que acha disso? Gosta de festas assim?"
Andrômeda: "Festas são ótimas, os alunos estam sempre ocupados e stressados algo assim ajuda a relaxar. Eu gosto apesar de preferi algo mais íntimo"
Auror: "Qual seria seu sentimento se não o convidasse?"
Andrômeda: "Acharia bem estranho mas não ligaria, apenas ficaria curiosa para saber o porque"
Auror: "Gostou do que foi servido na festa? Algo de muito estranho?"
Andrômeda: "Sim, não"
Auror: "O ambiente estava agradável? Escutou alguma briga?"
Andrômeda: "Sim, não"
Auror: "Sabe quem foram os responsáveis pela festa? Eles estavam presentes?"
Andrômeda: "Sim, sim. Foram os marotos, meus amigos."
Auror: "Você esteve envolvido com a preparação para a festa?"
Andrômeda: "Infelizmente não"
Auror: "Percebeu algum aluno com comportamento diferente durante a festa?"
Andrômeda: "Não"
Auror: "Esteve presente até o final dela?"
Andrômeda: "Não"
Auror: "Poderia explicar porque se afastou?"
Andrômeda: "Apenas sai alguns minutos para me encontrar com Ted Tonks nos corredores"
Auror: "Porque não foi a enfermaria?"
Andrômeda: "Achei apropriado seguir as regras e ir para o salão principal antes e logo depois fui para a enfermaria com Ted e por lá fiquei até hoje de manhã"
Auror: "Percebeu alguém se afastando antes?"
Andrômeda: "Infelizmente não"
Auror: "Se envolveu em alguma briga durante a festa?"
Andrômeda: "Não"
Auror: "Consumiu alguma coisa na festa que normalmente não o faria?"
Andrômeda: "Não"
Auror: "Onde você estava instantes antes da confusão começar?"
Andrômeda: "Foi no momento em que estava no corredor do lado de fora da festa esperando meu colega, Ted, iríamos nós encontrar pra ficamos um pouco a sos, não demorou muito para escutar os gritos então voltei logo para ver o que era"
Auror: "O que fez em seguida? Ajudou os colegas?"
Andrômeda: "Não, eu estava ocupada cuidado do senhor Tonks"
Auror: "Seguiu para o salão principal como o instruído?"
Andrômeda: "Sim e ajudei Ted a ir também"
Auror: "Tem mais alguma coisa que queira acrescentar potencialmente relevante ao caso?"
Andrômeda: "Não, mas se eu descobrir ou lembrar de algo irei entrar em contato"
Auror: "Alguma pessoa que acredite que seja importante entrevistar com mais cautela? Porque?"
Andrômeda: "Eu acredito que todos devem ser entrevistados de forma imparcial e cautelosa, afinal querendo ou não todos são potencialmente suspeitos, em muitos casos o criminoso era aquele que menos apararentava"
Aquele tinha tudo para ser apenas um dia normal em Hogwarts, isso se não fosse o terrível pesadelo que a fez acordar gritando de forma horripilante, não apenas acordando seus colegas de casa, como também os assustando. O suor escorria frio por sua espinha, o coração estava aceleradíssimo e Sibyll tentava se acalmar mais uma vez, sozinha como sempre. Tinha criado o hábito de usar abafiato em sua cama, mas tinha esquecido aquela noite. Os resmungos de suas companheiras de quarto eram audíveis e a loira acabou permanecendo na cama por mais um longo tempo. Perdeu as contas de quantos minutos havia passado deitada, os olhos arregalados fitando o teto, as lágrimas secas em volta de seus olhos. O pesadelo? Já não se lembrava mais, apenas sentia o horror presente em sua alma. As trevas estavam cada dia mais fortes e Sibyll conseguia sentir. Não era só a atmosfera no mundo bruxo ou em Hogwarts que estava mudando, não era apenas os puristas que cada vez mais colocavam suas garrinhas de fora, para a vidente era algo muito maior, mais horripilante e tenebroso. Uma nuvem negra e cheia de terrores surgia no horizonte e somente ela parecia capaz de ver.
Quando o silêncio reinou no quarto ela se levantou, ainda estava cedo e com um sorriso no rosto ela se aprontou para mais um dia de aula. Os anéis decoravam seus dedos finos, tranças com cristais e contas enfeitavam seu cabelo loiro e para completar o look as pulseiras e cordões com pedrarias e runas de proteção. Sibyll Trelawney estava pronta para começar o dia. Saiu do salão comunal serelepe e saltitante, quem a visse não diria que ela teve um pesadelo terrível, muito menos que ela pressentia algo de horripilante no ar.
Os primeiranistas corvinos tremeram quando ela adentrou o salão principal, mas ela apenas ignorou e seguiu em frente, seria difícil tranquiliza-los quando seus próprios colegas de casa gostavam de contar histórias sobre ela. Sentou-se e começou a comer, não se importava com quem estava ao seu lado, não era como se tivesse muitos amigos de qualquer forma.
Esbarrou em Ted Tonks quando saia do salão principal em direção a sua primeira aula do dia, a loira não disse nada, mas algo estava errado… Havia uma aura estranha em volta do lufano e ela tinha quase certeza de que algo iria acontecer com ele. Apesar dele ser adorável e gentil, preferiu não arriscar, a maioria dos alunos não acreditava nela e a ignorava, mesmo quando fazia alertas sérios e eles aconteciam. A dificuldade em distinguir o que poderia acontecer também a atrapalhou, então era melhor guardar para si e investigar um pouco mais.
Durante todo o dia havia uma comoção entre os alunos, a maioria se sentindo empolgada, não demorou para descobrir sobre a festa que obviamente não tinha sido convidada. Nunca fora fã dos marotos, as zoações e pregações de peças as custas dela também não era agradável, mesmo que ela não tivesse nada contra eles realmente, nem contra ninguém para falar a verdade.
Era tarde da noite, a maioria dos alunos já deveria estar na festa, talvez dando os últimos retoques das fantasias ou fazendo qualquer outra coisa. Por mais que não tivesse muita credibilidade com a maioria, Sibyll tinha contatos, já havia feito previsões certeiras, principalmente relacionadas a paqueras, por isso possuía acesso ao banheiro dos monitores, graças a um deles especificamente. Adorava tomar banho ali, era perfeito, enorme e solitário. Podia usar seus sais de banho, incensos e aromas. Podia se conectar com o olho interior sem ter ninguém para atrapalhar. E era exatamente isso que fazia naquele momento.
Mergulhou na banheira molhando os longos cabelos loiros, voltando a superfície em um exercício de respiração, aspirando o aroma místico que tomava conta do banheiro. “Essa noite nascidos-trouxas sofrerão, o terror e o medo se espalhará por todo o mundo bruxo. O Lorde das Trevas mostrará seu poder”. Os olhos da garota desfocaram, a voz caiu dez oitavas e se tornou rouca e aguda. A previsão foi feita para ninguém e nem mesmo Sibyll pôde entender o terror que tomou a escola horas mais tarde, ela não se lembrava da previsão, mas percebeu que poderia ter previsto algo parecido, o que só a fez se sentir mais culpada, mesmo já estando recolhida em seus aposentos.
Lavar o cabelo era como uma terapia, a água quente do chuveiro relaxava todos os seus músculos, escorrendo por todo seu corpo como se lavasse sua alma e pensamentos. A noite fora longa e os pensamentos e sentimentos brigavam dentro de si. Doces memórias da noite anterior se misturavam ao horror da realidade, antes de tomar banho tinha tido um pesadelo terrível. Não temia mais apenas pela sua família, seus pesadelos ganharam agora novos rostos, Sirius, Dorcas, Lily e Harmony, mas haviam outros amigos a preocupando. Morgan, James, Remus, Yon e tantos outros... Ver seus amigos sendo torturados em seus pesadelos não era nada agradável. Fechou os olhos e balançou a cabeça respigando água por todo o boxe. Talvez não devesse recapitular todos os acontecimentos em sua mente, mas era exatamente isso que Marlene Mckinnon estava fazendo.
As primeiras lembranças eram doces, uma noite que prometia muita diversão. Dançara sensualmente com Dorcas, tinha até mesmo flertado por diversão com Declan, tudo parecia ir bem, inclusive seu objetivo da noite. O sorriso se alargou quando sua mente focou em Sirius Black. Típico dele se vestir como um Deus Grego, não que ele não fosse lindo e sexy, mas Marlene se divertia com seu ego, ele e Greegrass disputavam firme para ver quem era o mais convencido e talvez até mesmo James estivesse nesse meio. Ela não conseguiria dizer quem era mais. Descobrir o lado sensível e adorável do moreno estava acabando com pouco autocontrole que tinha de seus sentimentos. Lembrava-se de como o álcool ingerido a tornou um pouco mais ousada e apesar de sentir que flutuava, foi quando seus lábios se encontraram que a grifana teve certeza de sair do chão.
Puf, a lembrança do beijo se foi rapidamente, correria pelos corredores, um grito que jamais imaginou ouvir. Sua atenção se voltou para Dorcas e foi a visão do abalo da amiga que deu forças para Marlene superar o que estava acontecendo, sem se deixar abater pelo medo acolheu sua melhor amiga e cuidou dela com todo o carinho que ela merecia.
Acontecimentos como aquele eram capazes de quebrar o emocional de qualquer um, torcia para que Ted Tonks não se deixasse abater e continuasse o mesmo de sempre, mesmo sabendo que era difícil. Marlene já tinha passado por algo daquela magnitude de impacto, fosse a maldição lançada por Snape ou seus familiares desaparecidos durante o verão, ela não quebraria novamente. Sim, estava abalada, mas usaria a situação para estar com seus amigos, para se fortalecer, para ajudar quem precisasse. Marlene usaria sua experiência para ajudar os outros e dar o suporte necessário, ela já havia decidido lutar até o fim, não iria desistir agora ou se deixar abater.
A determinação lhe deu um choque de adrenalina, finalmente terminando seu banho e terminando de enxaguar o cabelo. Se secou com calma e sem pressa, pensava agora no interrogatório que ao qual seria submetida aquela noite. A situação era grave, será que seu pai estaria entre os aurores? Tinha pensado em enviar uma carta para ele naquela manhã, mas foi surpreendia com uma carta de seu irmão para que agisse de forma discreta. Infelizmente ele não poderia lhe passar mais informações, mas pedia para que ela tomasse cuidado e ficasse em alerta. Só isso era o suficiente para que Marlene tivesse noção da gravidade da situação, a ponto de se questionar se havia acontecido mais alguma coisa que ela não sabia, o que era óbvio que sim.
Suspirou e começou a se vestir, pelo menos estaria limpa e preparada para o interrogatório.
A noite estava só uma criança para o Black, estava indo tudo em uma linha que somente ia para cima, como uma montanha russa que levava ao céu cheio de estrelas, sendo a que mais brilhava de forma tão intensa a ponto de o cegar, mas que ele se negava a desviar os olhos de algo tão lindo se chamava Marlene Mckinnon. Ela estava incrível na fantasia que havia escolhido para si, mesmo que ele não soubesse direito o que deveria ser, mas sem dúvida nela..estava simplesmente incrível.
Claro que ele sendo quem era também não iria deixar batido uma ocasião onde podia usar a fantasia que queria para poder colocar seus maiores sonhos em realidade, ou o sonho das garotas que pareciam o devorar com os olhos e ele não ia fingir que não gostava, adorava a atenção que estava recebendo naquela festa e ainda mais quando conseguia ver que a morena dos seus sonhos também hora ou outra voltava aqueles olhos para ele, assim como os seus mesmos pareciam estar grudados nos dela.
A festa passava ainda e estava bem longe de acabar quando o Black foi se juntar a grifana de bom grado, dançou um pouco com ela e logo a seguiu para fora, nem sabia que lugar estavam indo direito mas a seguiria nem que se ela o guiasse para o inferno, parecia que ela exercia um certo encanto nele que somente funcionava com ele e era tão doce e impossível de resistir, não que ele sequer tentasse. A seu ver sua noite só uma montanha russa que ia para cima quando se virou ao ouvir passos apressados e tinha apenas posto seus olhos no rosto da pessoa quando soube que problemas sérios estavam por vir.
Claro que a primeira coisa que ele pensou foi que deu ruim, Filtch, os professores ou algo do tipo, mas que seria apenas mais uma detenção na sua lista que já era bem extensa para se dizer o mínimo. Porém seu choque foi muito maior quando ouviu o que a pessoa tinha a dizer e por mais que ele estivesse feliz a poucos minutos..segundos atrás para ser mais específico logo estava ele e a morena correndo de volta onde estava rolando a festa vendo que o caos já se instalava entre os estudantes e um grito de dor se era ouvido acima de tudo.
Sem pensar duas vezes o grifano já tinha pego sua varinha e estava com ela em punhos enquanto abria caminho por entre as pessoas, tinha notado que Marlene tinha ido em uma outra direção, mas sabia já que ela iria em busca das amigos assim como ele mesmo estaria fazendo se não fosse a urgência de chegar onde podia ser ouvido os gritos, queria entender o que se estava passando e apenas tinha conseguido chegar mais perto quando viu o rosto de Orpheus com o olhar um tanto quanto estranho e franzindo a testa ele seguiu com os olhos para a varinha esticada do mesmo em direção ao chão....não, em direção a Edward Tonks que estava em agonia no chão.
Sirius podia ouvir as vozes ao seu redor se forçou para frente onde já tinham chegado outras pessoas no mesmo instante que ele parando aquela cena perturbadora e por mais que quisesse chegar perto do corvino para ver o que ele tinha na cabeça, além do idealismo idiota purista ele se agachou para perto do lufano passando a mão por sua testa assim secando o suor deste com o tecido da própria fantasia, logo levariam ele para a enfermaria pensou antes de voltar a se levantar e pedir para alguns presentes ali para ficarem com ele enquanto ele fazia algo em relação ao resto, era mais que só sua obrigação como anfitrião e logo desapareceu em meio as pessoas levando todos para a saída tentando tomar o cuidado para não deixar ninguém ser pisoteado, tanto que foi nisto que ele encontrou um aluno petrificado no chão e logo o pegou e levou para um canto desfazendo o feitiço e consertando o nariz quebrado que este tinha, já em relação ao resto dos machucados ele o disse para ir para a enfermaria.
Era estranho e triste ver como a noite estava sendo encerrada, o trabalho que ele queria para aquele dia no máximo era ter que cuidar de um James bêbado ou algo do tipo e não ter que ajudar aos outros a controlar pessoas em pânico, se perguntava quem mais estaria envolvido naquilo e claro que seus olhos iam para cada sonserino que ali estava e uma das coisas que mais o deixava enojado era saber dos dedinhos que com toda a certeza alguém de sua família tinha naquilo.
Dakho, assim como alguns colegas que conseguia escutar relatando alguma coisa ali perto, sentiu como se aquela noite após a festa tivesse se arrastado de uma maneira insuportável. E tudo o que ele conseguiu fazer, até para manter sua calma e não reviver aqueles momentos caóticos desespero, havia sido permanecer deitado encarando o teto. Claro que não conseguiu impedir os pensamentos de vir, mas dessa vez vieram de maneira tranquila e logo estava caindo em sono leve. Demorou muito mais do que o esperado, mas quando pareceu ter passado apenas alguns instantes Dakho tornou a despertar assustado de lembrando de Yon. Sabia que ela estava na festa, ou pelo menos assim supos enquanto se sentava em sua cama olhando ao redor assustado. Não pensou muito enquanto se levantava e se vestia as pressas e seguia em direção ao salão comunal da grifinória. Para a sua sorte ja se conseguia observar algum movimento no corredor: tão ansiosos e sem ter conseguido descansar quanto ele. Duvidava que tudo isso tivesse frequentado a festa na noite passada, os rumores deveriam os estar assustando. Suspirou se encostando perto da entrada, crente que ela ainda não havia saído.