vinte e três,
não sei disfarçar ao seu nome. mesmo abaixando a cabeça, fazendo silêncio ou dizendo qualquer coisa superficial que esconda o amor que você nunca buscou. embora eu tenha adestrado a mágoa, colocado o vazio no bolso e parido dezenas de novas versões de mim, nenhuma delas é boa o bastante pra dispensar a urgência das respostas que não vieram. é aí que você me prende. no meu não entendimento. no exercício constante de olhar pra trás e procurar erros meus que justifiquem seu desdém. você me fez andar em círculos e terminar sempre no mesmo ponto como se a vida de todas as pessoas fluísse exceto a minha. esse é o seu jogo. seu truque pra apoiar a autoestima no ego construído em cima da pureza dos outros. você sorri desbravando novas avenidas e embora eu seja ótima em seguir em frente, as estruturas do meu coração derretem ao visitar nossas lembranças e encontrar seu lugar vago apesar de todas as coisas que saíram da sua boca ainda ecoarem em mim. como é possível eu ter feito tudo pra te fazer feliz e ainda assim não ter sido o suficiente? como você se doou tão pouco e foi? me sinto tão patética que não sei se odeio mais a mim ou a você. eu te dei o meu melhor e pensei ter recebido o pior, mas a verdade é que não recebi nada. nenhum grão. nenhuma migalha. nenhum pedido de desculpa escrito da boca pra fora pela sua carência. o pior é, vez ou outra, ainda confundir essa bagunça com amor quando o que nos liga é a revolta. o seu nome me causa incômodo porque mesmo que eu queira, sei que você nunca se arrependerá de não ter me dado valor. e deveria. é isso o que me dói. saber que eu valia a pena.
lorena pimenta // @pimentalorena










