eu queria acordar com você todo dia
queria que nossos acasos virassem rotina
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eu queria acordar com você todo dia
queria que nossos acasos virassem rotina
1. Você é forte sim. Chorar pode ser tão bom. Conheço tantos e inclusive choros de pessoas que queriam chorar mas não conseguem. Tá tudo bem chorar. Você pode inclusive treinar. Se for tanto que te incomoda, é possível amenizar, mas não acho que deveria... Dá essa meia horinha e vamos que vamos! Se precisar falar, chama a gente. 2. Coloquei um trecho do podcast para você ouvir, liga o som. Depois, chega lá no site.. Comenta o que você achou. #abusosexual #podcast #chorar #disque100 #podcasting #abusosexualinfantil #podcasts #abusosexualecrime #podcastlife #abusosexualécrime #podcastshow #chorardealegria #denuncie #podcasters #infancia #podcaster #chorarderir #podcastlove #chorarecalque #euamoeucuido #podcastaddict #chorarenatafan #lutandocontraoabusosexualinfanti #podcastersofinstagram #amor #projetoeuamoeucuido #toquinho #abusosexualinfanti #naodesvieoolhar #quemamacuida https://www.instagram.com/p/CRMUAXCFyx_/?utm_medium=tumblr
vinte e três,
não sei disfarçar ao seu nome. mesmo abaixando a cabeça, fazendo silêncio ou dizendo qualquer coisa superficial que esconda o amor que você nunca buscou. embora eu tenha adestrado a mágoa, colocado o vazio no bolso e parido dezenas de novas versões de mim, nenhuma delas é boa o bastante pra dispensar a urgência das respostas que não vieram. é aí que você me prende. no meu não entendimento. no exercício constante de olhar pra trás e procurar erros meus que justifiquem seu desdém. você me fez andar em círculos e terminar sempre no mesmo ponto como se a vida de todas as pessoas fluísse exceto a minha. esse é o seu jogo. seu truque pra apoiar a autoestima no ego construído em cima da pureza dos outros. você sorri desbravando novas avenidas e embora eu seja ótima em seguir em frente, as estruturas do meu coração derretem ao visitar nossas lembranças e encontrar seu lugar vago apesar de todas as coisas que saíram da sua boca ainda ecoarem em mim. como é possível eu ter feito tudo pra te fazer feliz e ainda assim não ter sido o suficiente? como você se doou tão pouco e foi? me sinto tão patética que não sei se odeio mais a mim ou a você. eu te dei o meu melhor e pensei ter recebido o pior, mas a verdade é que não recebi nada. nenhum grão. nenhuma migalha. nenhum pedido de desculpa escrito da boca pra fora pela sua carência. o pior é, vez ou outra, ainda confundir essa bagunça com amor quando o que nos liga é a revolta. o seu nome me causa incômodo porque mesmo que eu queira, sei que você nunca se arrependerá de não ter me dado valor. e deveria. é isso o que me dói. saber que eu valia a pena.
lorena pimenta // @pimentalorena
Amar outra mulher
ser mulher e amar outra mulher é revolucionário.
ser mulher e amar outra mulher é resistir dia após dia, porque o mundo não é sensível ao que sentimos.
o mundo não nos percebe.
ele nos vê
mas não nos entende.
e eu não preciso de aprovação de milhões de pessoas pra amar apenas uma.
mas não é fácil. é uma luta.
é não ter certeza se podemos caminhar de mãos dadas em paz.
eu não quero soltar a mão de quem amo a cada esquina.
não quero que meu amor se transforme em guerra.
não quero que o suor na pele da mulher que amo seja medo.
se sinto calma ao olhar nos olhos do amor, por que preciso me desviar quando estamos em público? se meu corpo se sente confortável no espaço que ocupa na alma que desejo, por que minhas pernas precisam tremer por pensar na possibilidade do mundo me separar dela?
se amar é o acerto da vida de toda pessoa, por que eu preciso viver como se o que sinto fosse um erro?
ser mulher e amar outra mulher foi o máximo que o mundo me aproximou do inferno,
mas eu nunca me importei em queimar por alguém.
seria lindo se a importância se estendesse à todos. se a vida dos índios importasse tanto quanto a burguesia. se a vida do negro importasse tanto quanto a dos brancos. tem gente que fala de meritocracia como se ela fosse justa, como se existisse resumida até o grau de entrar na faculdade, conseguir um emprego. falta empatia para entender que a meritocracia é falha a partir do momento em que negros morrem apenas por serem quem são.
às vezes, olhando pro teto do meu quarto, me pergunto qual motivo devo inventar para continuar existindo amanhã e se a minha arte continuará salvando meu corpo.
é triste, mas a verdade é que, de alma, morro todos os dias. sempre da pior forma. como se me torturassem, como se dessem pauladas na minha cabeça até o sangue jorrar. o que quero dizer é que ser negra é viver com a sensação de morte compartilhada. é assistir todos caírem e enxergar a covardia cada vez mais perto.
quando será a minha vez?
quando será a vez daqueles que conheço de perto?
a cada negro injustiçado meu coração despedaça e eu nem sei quantos cacos ainda restam. a garganta entala. dói. o choro vem. e a gente não tem chance.
queria carregar o medo comum pelas ruas. o de ser assaltada. o de roubarem meu celular. mas o medo que carrego é o de ir embora cedo – sem a oportunidade de realizar meus sonhos, de pegar o diploma, de chegar lá.
somos tantos e ninguém se importa. continuam nos rasgando, sugando nosso dinheiro, bancando o luxo através de nós.
desde pequena, luxo pra mim é sair na rua sem passar por ao menos um episódio de racismo. sair na rua sem receber um olhar torto, sem ser seguida dentro das lojas, sem repararem no meu cabelo, sem ter medo de morrer.
e eu nunca não tive medo de morrer.
deve ser por isso que dizem que a nossa alegria é rara. vem dos samba, dos dias de domingo, das melhores vozes, das melhores danças.
acredito que ela esconda bem a cruz que carregamos.
a cruz de não saber se será a última vez.
porque todos os dias é a última vez de alguns de nós.
porque todos os dias mãos brancas querem ser deus.
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um,
às vezes, eu sinto umas coisas tão fortes no coração. como quando antes de pegar aquele voo meu celular vibrou e desde antes eu sabia que seria tu – tu que já não faz parte do meu ciclo – porque na sua despedida ficou um cado grande de continuação. e também quando acordei com uma saudade apertando, saudade daquelas sem justificativa, saudade que eu nem entendia, e pulsou lá no fundo de mim que tu – outro tu. não aquele que se foi – tava vindo. e tu veio. não em corpo. mas em voz. aquela voz arrastada de quem aproxima a boca do telefone pra gravar áudio como se despejasse beijo. e beijo é palavra tão curta, tão intima, que só de clicar pra escutar foi como se teu lábio me abraçasse o ouvido. eu tava no banho prendendo o sorriso como se guarda um gol de pênalti que a gente sabe que vai acontecer, mas não pode cantar antes da hora. e no quarto, com a toalha secando a nuca, quando avistei a tela, teu nome. foi sorriso pro dia todo. alegria pra todo lado. vibração tão forte que travou meu não. pra tudo o que me era pedido a resposta era sim. sorte de quem aproveitou. a única coisa ruim é agora além de te tirar de mim, ter que te limpar dos móveis, da cortina, do teto.
lorena pimenta // @pimentalorena
vinte e um,
enquanto grito para o mundo que todas as formas de tentar te esquecer falharam, calculo a quantidade de amigos que superaram o fim de seus relacionamentos e colocaram novamente a cara à tapa. por que comigo as coisas não fluem? certa vez, resolvi pesquisar na internet quanto tempo, em média, levamos pra esquecer alguém. li fóruns onde a maior parte das pessoas dizia ter levado entre dois a três anos, o que me causou certo desespero depois de cair a ficha de que provavelmente será assim comigo, considerando que faço parte do restrito número de indivíduos que buscam esse tipo de resposta em sites. às vezes acho que nunca mais vou gostar de ninguém. principalmente com essa rotina tão corrida em que sinto a juventude escorrer pelas mãos, em que tenho a consciência de que não tenho me colocado disponível, à mostra. mas será que o amor depende realmente dessa vitrine na qual tomamos o lugar dos manequins? são mais de sete bilhões de pessoas no mundo e imagino que nem todas estejam sempre pelas ruas. creio que muitas delas preferem ficar em casa, assistindo a séries, lendo ou se permitindo fazer qualquer outra coisa bastante preguiçosa. no fim das contas, acredito que é isso que mantém firme a minha chance de salvação – saber que não sou um caso isolado, perdido, que existem milhares de pessoas na mesma situação que a minha, que não têm grana pra sair todos os dias, muito menos tempo pra sentar numa praça e esperar o próximo amor passar assassinando imediatamente todas as suas dores. sei lá, me conforta saber que existe uma grande quantidade de pessoas que combinam umas com as outras, porque, a partir disso, nasce em mim a esperança de que, mesmo que cada uma delas precise ter o seu tempo de superação, existirá um momento em que elas irão ao mercado comprar pizza, ou à padaria comprar sonho, e se esbarrarão. não é que o amor dependa de colocar-se em exposição, é que, quando é a hora certa, ele nos encontra onde quer que estejamos. talvez seja essa a resposta. eu não te esqueci apenas porque ainda não fui à padaria na hora certa.
lorena pimenta // @pimentalorena
doze,
gastei tanto tempo te escrevendo que só li que tu não acreditava em metade do que sinto quando já era tarde. não deu tempo de dizer que sei de cor a posição do primeiro sorriso desengonçado que você me deu ou que secretamente meu coração competiu em ritmo com a sua pressa porque bastava mergulhar na sua fala pro meu peito acelerar tão veloz quanto quem foge da morte.
agora tu usa da educação pra abafar o arrependimento. pra silenciar a vontade de regressar no tempo e roubar a melodia que minhas batidas vestiram pra devorar sua voz. e eu faço da minha ausência um lençol pra esconder os olhos tristes de quem consegue a façanha de se decepcionar com o desdém que sempre previu. e dói tanto que rouba o lugar da primeira vez. gostar tem dessas coisas de achar que o destino muda com a curva do vento assim como esquecer tem dessas coisas de achar que a chuva só lateja a saudade porque pra lavar a alma é preciso esfregar o amor com força. eu te esfrego da minha memória na esperança de dessentir a paixão que de tanto brincar de tentar te fazer feliz guardou toda a tristeza do mundo no estômago. eu sigo digerindo sua partida muda de quem não se importa o suficiente pra estrear as pazes numa história em que nenhuma página amarelou. eu sigo digerindo sua covardia de permanecer em corpo quando tudo o que importa morreu. talvez o problema tenha sido eu ter te amado tão grande de perto que seu espírito só enxergou um terço. talvez a dádiva da distância seja mesmo a capacidade de ver por inteiro. você ainda sentirá a minha falta. e não é praga.
perder quem nos gosta deixa um buraco que na primeira distração é inevitável cair. ⠀⠀
lorena pimenta // @pimentalorena