@atlasofthestars113’s PRGR and RIER! The Perigrine and the Heron! Check out their lore and awesome art!!

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Existe algo de muito grave no apagar e acender das luzes, algo como um susto ou como o aparecimento de um farol qualquer.
Existe uma lacuna entre a luz e os sete anos. Porquê 7 eu não sei. Alguma coisa se perdeu lá no meio do guarda roupas bagunçado do quarto improvisado. Uma fuga, talvez.
Uma fuga de uma adulta desesperada e duas crianças que pareciam ter enterrado sua percepção somente para evitar o amadurecimento precoce. Somente para evitar a tragédia de não ser mais criança. Algo se escondeu na linha tênue que separa o dia da noite: por do sol, que se colocado em relógio, nem é tão tênue assim. Ainda não se sabe de onde vem a memória viva da cerveja e do cigarro, péssimos hábitos hoje erroneamente copiados. Ao menos fosse com o propósito de reencontro. Mas, não. É tendência ao risco. Só. Sabe-se de um caminho na madrugada, um caminho escuro, mas cheio de luzes tão artificiais quanto a eficácia da fuga. Sabe-se de gritos e choros e brigas e roxos e fome e medo e dor. Sabe-se de uma base de papel no lugar do concreto. Sabe-se dos efeitos até hoje sentidos dessa base. Isso tudo tem qualquer coisa de ligação com pão puro e café, com não ter lugar pra brincar que não fosse o segundo vão da casinha dividida por 6 pessoas. Também tem qualquer coisa que ver com a morte intrometida, mas não fora de hora, com o cabelo encaracolado e com a pele negra. Também tem a ver com sentar no ponto mais alto para escrever, escrever para fingir ser o outro. E de novo fugir. Também tem a ver com aeroportos e com um medo de avião que não faz sentido algum. Passeios em aeroportos. Tem muito que ver com bares e outras crianças em bares e bêbados e conversas sujas e coisas erradas. Também tem ligação com um ser maldoso que se deixou ser tocado sem notar o mal que aquilo configurava. Ou com o ser maldoso que tocou de forma errada. Tem a ver com covardia. Tem a ver com não aceitar e berrar de fora pra dentro que aquilo não está certo e se envergonhar. Tem algo de muito grave nessas memórias todas que se enfiaram num lugar muito escuro e de acesso desconhecido. Tem algo de muito grave na forma como o tempo esquece de varrer debaixo dos tapetes protuberantes. Um ruído. Um ruído que na verdade é um chamado para notar as coisas que ainda não foram curadas, mas um ruído que perde feio para o tac do interruptor no acender e apagar das horas.
anotação
é maravilhoso conversar com quem enxerga e compreende as imagens que a sua alma forma. alguém que consegue interpretar sem preconceito os aspectos mais profundos de cada momento (bom ou ruim). é muito bom ter um amigo de alma. um amigo que aceita tua tempestade e tua calma.
P.
substantivos
terras, pedras, águas, flores cuidados, abraços, mágoas, dores sóis, passarinhos, músicas, vidas lençóis, vinhos, desculpas, partidas.
P.
Não te visualizar mais como amor romântico não é apenas sobre reconfigurar o meu corpo, mas é muito sobre respeitar o teu não. Então, agora tenho uma nova nuvem de pensamento e nela tem a imagem das nossas famílias confraternizando juntas
Nossos respectivos cônjuges e os filhos que criamos com eles
Eu reconheço que é uma barganha pra te ter por perto de alguma forma
E sinceramente espero que perdure
Mas eu também não sei se vai
ainda aqui, deixando assentar
relembrando, quase sem força
porque acho que é necessário acreditar no acontecido para relembrar com eficácia e eu ainda não estou acreditando muito bem
ainda esta suspenso
eu senti tanta coisa
eu não tenho vocabulário pra tudo
não ainda
eu só conseguia pensar na minha antiga psicóloga, a que acompanhou tudo desde o primeiro mês; daria tudo pra ver a cara dela quando eu contasse
eu fiquei apavorada
pra quê? nem precisava. mas eu me entendo, não me julgo
todo mundo que a gente foi a gente ainda é. as vezes a gente ainda é em dor, as vezes em aprendizado e as vezes em amor, que foi o que restou
ainda me confronta muito a forma como as pessoas enxergam Deus, mas eu não poderia culpa-las visto que são os meus que as afastam dele. o mundo tá sendo cristão errado ou eu estou? não sei. não sei se saberei. mas sei em quem tenho crido. o sinto de forma tão grandiosa em tudo que começo a ver como o ódio por ele vem de uma mágoa colocada lá por outros humanos; me soa como quem se sentiu rejeitado por ele, como se o meu Deus rejeitasse alguém.
me lembrei da ufpb em 2018
lembrei do dia em que voltei pra casa chorando depois de um dia de aulas e ensaios. eu dizia a Deus que não estava pronta para enfrentar tanta descrença e tanta afronta a ele (até hoje me pergunto o porquê de me sentir ofendida).
lamento pela imagem que criaram de quem é Deus. lamento porque a minha experiência com ele tem sido linda.
a minha experiência com ela, pra mim, só reforça a existência dele. eu, sozinha, humana, jamais seria capaz de a amar depois de tudo. mas Deus existe. e o amor dele cura tudo e o amor dele ensina a amar e o amor dele transforma quem sente e quem recebe o amor. o meu amor é fraterno. vem dele.
eu senti o corpo moído. eu acho que é normal considerando o tanto de coisa que senti no último mês. eu senti sono. que engraçado.
eu não sei o que te dizer quando, pra mim, nada está no presente, tudo ficou lá atrás, quando não há resquícios de dor, de mágoa, de memórias negativas. é outra prova pra mim de que Deus existe. se não, não haveria cura.
ainda está assentando, como eu disse. ainda estou assimilando.
segurei a vontade de te abraça todas as outras vezes, já havia tido abraços demais pelas minhas contas, fiquei com medo de ter uma leitura errada, mas tremi quando você se aproximou, quando mostrou que a vontade de abraçar mais também estava em você. consigo muito bem dar amor, mas não sou muito boa em receber. e tenho a necessidade de saber de onde o amor que estou recebendo vem. tive medo de o abraço não vir do mesmo lugar: como não querer abraçar mil vezes alguém que foi tao importante pra você e alguém que você só quis abraçar na vida e que agora está ali? mas como receber esse abraço sem receio? é tudo tão delicado.
sinto assim a necessidade de por em palavras para ver se consigo voltar a dormir. o corpo de surra já está menos em alerta, mas tudo é novo agora.
a casa é completamente outra agora e eu sinto que já mudei de novo, nesse breve e atrasado encontro.
o mundo, mais uma vez, é totalmente outro.
e todas as pessoas do mundo são outras também.
porque agora dividimos o mesmo espaço e isso não tinha acontecido em nenhum dos fevereiros.
às vezes, acho ridículo que o que me bota pra chorar seja uma imagem qualquer do tumblr que eu cismei em observar minuciosamente.
como se houvesse ali alguma mensagem importante pra mim, sabe?
todo mundo sabe que não há.
não tem uma vez sequer que eu tenha chorado na hora certa, é sempre dias depois.
sempre ocorre aquele "o que foi dessa vez?", "mas eu estou tão bem hoje"...
vi que Deus soprou as nuvens até elas virarem um coração hoje, justamente enquanto eu contava pra Ele o quanto me sinto pequena.
a imagem de que falei foi capturada de cima, do céu. uma cidade, prédios, luzes, um rio...
eu me senti gigante, quase como quem consegue voar.
todo dia eu me configuro um espaço diferente e, todo dia, alguém me fotografa.
todo dia me vejo enquanto escorrego os dedos pelos feeds — às vezes, em prédios abandonados cuja estrutura juntou-se aos arbustos e às trepadeiras; às vezes, em uma estação de trem vazia; às vezes, em um campo cheio de flores; às vezes, em um cigarro aceso; às vezes, em um animal.
todo dia uma essência, todo dia um sentimento que resolve virar gente e sair andando por aí.
é bizarro.