ainda aqui, deixando assentar
relembrando, quase sem força
porque acho que é necessário acreditar no acontecido para relembrar com eficácia e eu ainda não estou acreditando muito bem
eu não tenho vocabulário pra tudo
eu só conseguia pensar na minha antiga psicóloga, a que acompanhou tudo desde o primeiro mês; daria tudo pra ver a cara dela quando eu contasse
pra quê? nem precisava. mas eu me entendo, não me julgo
todo mundo que a gente foi a gente ainda é. as vezes a gente ainda é em dor, as vezes em aprendizado e as vezes em amor, que foi o que restou
ainda me confronta muito a forma como as pessoas enxergam Deus, mas eu não poderia culpa-las visto que são os meus que as afastam dele. o mundo tá sendo cristão errado ou eu estou? não sei. não sei se saberei. mas sei em quem tenho crido. o sinto de forma tão grandiosa em tudo que começo a ver como o ódio por ele vem de uma mágoa colocada lá por outros humanos; me soa como quem se sentiu rejeitado por ele, como se o meu Deus rejeitasse alguém.
me lembrei da ufpb em 2018
lembrei do dia em que voltei pra casa chorando depois de um dia de aulas e ensaios. eu dizia a Deus que não estava pronta para enfrentar tanta descrença e tanta afronta a ele (até hoje me pergunto o porquê de me sentir ofendida).
lamento pela imagem que criaram de quem é Deus. lamento porque a minha experiência com ele tem sido linda.
a minha experiência com ela, pra mim, só reforça a existência dele. eu, sozinha, humana, jamais seria capaz de a amar depois de tudo. mas Deus existe. e o amor dele cura tudo e o amor dele ensina a amar e o amor dele transforma quem sente e quem recebe o amor. o meu amor é fraterno. vem dele.
eu senti o corpo moído. eu acho que é normal considerando o tanto de coisa que senti no último mês. eu senti sono. que engraçado.
eu não sei o que te dizer quando, pra mim, nada está no presente, tudo ficou lá atrás, quando não há resquícios de dor, de mágoa, de memórias negativas. é outra prova pra mim de que Deus existe. se não, não haveria cura.
ainda está assentando, como eu disse. ainda estou assimilando.
segurei a vontade de te abraça todas as outras vezes, já havia tido abraços demais pelas minhas contas, fiquei com medo de ter uma leitura errada, mas tremi quando você se aproximou, quando mostrou que a vontade de abraçar mais também estava em você. consigo muito bem dar amor, mas não sou muito boa em receber. e tenho a necessidade de saber de onde o amor que estou recebendo vem. tive medo de o abraço não vir do mesmo lugar: como não querer abraçar mil vezes alguém que foi tao importante pra você e alguém que você só quis abraçar na vida e que agora está ali? mas como receber esse abraço sem receio? é tudo tão delicado.
sinto assim a necessidade de por em palavras para ver se consigo voltar a dormir. o corpo de surra já está menos em alerta, mas tudo é novo agora.
a casa é completamente outra agora e eu sinto que já mudei de novo, nesse breve e atrasado encontro.
o mundo, mais uma vez, é totalmente outro.
e todas as pessoas do mundo são outras também.
porque agora dividimos o mesmo espaço e isso não tinha acontecido em nenhum dos fevereiros.