Design e os cinco sentidos
Quando você entra em uma loja com a intenção de somente dar uma olhadinha, e acaba saindo dela com algo em mãos, foi por que acabou se encantando com um produto. Provavelmente nem precisava dele, mas ainda assim comprou. Por que?
Talvez sua aparência tenha chamado a sua atenção.
Geralmente, na hora de um designer desenvolver um produto (desprezando o objetivo), ele dá foco à aparência do objeto, pois é o primeira coisa que mais tem chances de atrair o público: o sentido da Visão.
Mas, se, usufruir apenas de um sentido já é uma boa estratégia, imagine, então, desenvolver um produto que é capaz de agradar os cinco sentidos do usuário?
Visão, Audição, Tato, Olfato e Paladar.
Dentro do vasto campo do design, existem áreas que afetam todos esses sentidos, de acordo com suas características, muitas vezes de forma inovadora. Em muitas esferas, o Tato pode ser muito importante. A forma e a textura do produto faz a diferença, de forma que implica na sua utilidade e no conforto do usuário.
O Olfato também, uma vez que, um odor, um aroma sentido por uma pessoa pode se conectar às experiências que ela tenha tido no momento em que o sentiu. Um cheiro agradável tem o poder de mudar o humor e o ambiente no qual o usuário se encontra. Um bom exemplo é o relógio “The Peaceful Progression Wake Up Clock” produzido pela empresa americana Hammacher Schlemmer.
Trata-se de um despertador que utiliza uma luz que aumenta gradativamente sua intensidade, usufruindo também de aromas estimulantes e de sons da natureza para acordar o usuário de forma calma e agradável.
Com ele podemos ver também o uso da Audição, que é tão importante quanto os outros sentidos. Os sons; a música; e os efeitos sonoros também estão ligados à atmosfera do ambiente do usuário.
Do mesmo modo, em outro exemplo, no projeto AlphaLounger, desenvolvido pelo artista Sha, há o uso de forma, cor, luz, som, vibração e calor, uma combinação multisensorial. O objetivo do trabalho é reduzir o estresse e levar o usuário a um estado de profundo relaxamento.
Trata-se de uma espreguiçadeira com formato de asa de pássaro, com curvas que trazem conforto ao usuário, deixando-o numa posição de repouso. Um mínimo deslocamento de peso pode fazer com que ela balance de forma agradável, combinando com uma luz quente e uma vibração que percorre pelo corpo da pessoa, relaxando-a através do Tato. Além disso, há caixas de som posicionadas de maneira específica, de forma que é iniciada uma imersão na música.
Por fim, neste último exemplo, o projeto Virtualidade Real, criado por pesquisadores ingleses, abrange uma simulação em realidade virtual na qual o usuário pode, além de ver e ouvir, tocar os objetos, sentir cheiros e sabores associados à situação onde está imerso.
“O gosto e o cheiro são estreitamente ligados, mas nós queremos oferecer também uma sensação de textura relacionada a algo que esteja na boca” explica David Howard, um dos pesquisadores. Imagine só poder sentir tudo isso em jogos, ou filmes?
A relação do design com os cinco sentidos do ser humano se define pelas sensações que são causadas pelo contato com o objeto resultado do design. O homem é movido pela emoção, pelos sentimentos; é movido pelas coisas que o envolve profundamente e essencialmente. Os cinco sentidos estão fortemente ligados ao interior do ser humano.
Por essa razão, acredito que, se o designer começar, durante o processo de criação, dar mais atenção e valor aos outros sentidos, e usufruir de todos, pode melhorar e diferenciar seu projeto dos outros, tornando-o mais proveitoso e útil.
Acredito que um dos objetivos de um bom designer é melhorar a vida das pessoas através de seus projetos, e esse é um caminho pertinente para atingir essa meta.
Referências:
https://www.ted.com/talks/jinsop_lee_design_for_all_5_senses?language=pt-br#t-527419
https://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2011/Relatorios/CTCH/DAD/DAD-Frederico%20Szmukler%20Tannenbaum.pdf











