Eu odeio (isso é uma hipérbole) a Internet principalmente por um motivo: tudo é muito rápido. Tiktok é o maior exemplo disso.
Gírias como fecho, lacre, de milhões, de centavos, entre outros surgem o tempo todo lá e envelhecem em menos de um mês. Existe até uma piada que, quando essa gíria chega em certos influenciadores ela "morre". Obviamente essa piada também já saturou. E todo esse processo de surgir, começar a ser usada pela massa e morte das gírias dura no máximo meses — um plural limitado.
Todas as vezes que eu tentei usar gírias foram mau sucedidas. As vezes eu começava a usar ela antes de se tornar popular e as pessoas me olhavam confusas. As vezes eu usava do jeito errado, com o significado completamente oposto ao estabelecido e gerava novamente confusão. As vezes a gíria já tinha morrido e não tinha mais graça ou apenas era muito “nichada” e não tinha nada a ver comigo.
Como uma pessoa com dificuldades crescentes de socialização, gíria é uma coisa até que muito importante pra mim. Para a maioria das pessoas é apenas um detalhe que pra mim é crucial no meu desempenho em uma conversa.
Vamos supor que um chinês vem pro Brasil. Ele não sabe se comunicar no nossa idioma mas admira muito a nossa cultura e quer se sentir abraçado pelo povo brasileiro. Nisso ele descobre que coxinha é um elemento cultural da nossa culinária extremamente popular, inserido de norte a sul no paladar brasileiro, amado por todos. Então ele sai por aí falando coxinha, comendo coxinha, fazendo coxinha e distribuindo coxinha para aqueles que ele quer fazer amizade e aí todos começam a gostar dele porque todo mundo gosta de coxinha e ele também. Agora ele tem algo em comum com nós brasileiros.
Gírias são para mim como coxinhas são para o chinês. Todo mundo gosta de gírias porque são descoladas e engraçadas então eu uso porque quero que achem o mesmo de mim. Quando eu uso gírias em uma conversa com um grupo de pessoas e elas me entendem, eu me sinto menos extra e mais terrestre. Por isso odeio as mudanças bruscas de "gírias do momento" e tenho medo de ser mal interpretada por conta desse desejo de fazer parte de algo. De ser mais um entre iguais.