Silêncio mundo, por favor.
É que eu não penso bem com barulho.
Eu amo perceber o silêncio da madrugada, o aquietar de uma parcela significativa da população.
Eu sou diurna, mas esse silêncio é um presente das madrugadas!

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Silêncio mundo, por favor.
É que eu não penso bem com barulho.
Eu amo perceber o silêncio da madrugada, o aquietar de uma parcela significativa da população.
Eu sou diurna, mas esse silêncio é um presente das madrugadas!
Por onde for teu passo, que lá esteja o teu coração
Padre Fábio.
📕 Pra você que teve um dia ruim, Vitor Fernandes
Um dia de caminhada tranquila entre o Refúgio do Estany Llong ao Refúgio Colomina, no Parque Nacional de Aigüestortes, para recuperar das exigências do dia anterior.
Após o dia em que o grande desafio que foi vencer o Coll do Contraix, começamos um dia mais tranquilo que nos levará do Refúgio do Estany Llong até ao Refúgio de Colomina, numa caminhada de 12Km com 880m de subidas acumuladas e 465m de descidas.
Apesar de ser um dia sem grandes desafios físicos ainda assim temos que ultrapassar o Coll de Dellui que implica uma última ascensão com 250m de desnível positivo após já termos subido cerca de 400m desde a saída do refúgio ao longo de menos de 6Km.
Naturalmente que após ascender ao dito Coll teremos que descer pela parede oposta. Nada que se compare em termos físicos ao dia anterior mas termos de beleza é diferente mas não menos interessante.
No caminho para o Refúgio de Colomina, passamos por uma zona de lagos onde a maior parte das fotos foram realizadas.
O caminho leva-nos a cruzar para a margem oposta do Estany Mariolo e para isso temos que caminhar em cima da parede da pequena barragem.
Lá em baixo vemos a água translúcida e azul turquesa. Apetece mesmo tomar um banho, não fosse a certeza que está gelada.
A nossa caminhada continua e entretanto começamos a ver carris de ferro. É substancialmente estranho encontrar aqui esse tipo de estrutura.
Acontece que foram instalados a quando da construção da barragem do Estany Tort que se encontra à nossa esquerda e também para levar materiais para a barragem que se encontra mais em baixo perto do teleférico que serve esta zona.
Quem estiver interessado em mais detalhes sobre a história desta construção poderá aceder aqui.
O Refúgio Colomina acaba por aparecer em jeito de guardião de um vale onde se vê o pôr-do-sol desde a varanda onde nos podemos deliciar com uma “cervejola”.
O que se pode pedir mais?
David Monteiro
Do Refúgio Llong ao Refúgio Colomina, lagos cristalinos, Pirinéus, Espanha Um dia de caminhada tranquila entre o Refúgio do Estany Llong ao Refúgio Colomina, no Parque Nacional de Aigüestortes, para recuperar das exigências do dia anterior.
Passar uma noite num refúgio de montanha partilhando um belíssimo jantar com amigos é sempre uma experiência que não se esquece.
Para simplicidade deste texto irei cingir-me aos refúgios de montanha existentes no país vizinho, já que em Portugal não conheço exemplos dignos de registo.
Como o nome indica, estes refúgios encontram-se em montanhas mas também conseguimos encontrar estruturas similares em algumas zonas urbanas e rurais do interior do país.
São casas, maiores ou menores, que por motivos diversos foram construídas em certo ponto da montanha e que deixando de ter a utilidade inicial, foram concessionadas a clubes ou particulares para exploração como refúgio de montanha. Naturalmente que também há exemplos de equipamentos feitos de raiz com a finalidade que hoje têm.
Estes refúgios construídos em pedra, ou outros materiais resistentes, normalmente com interiores forrados a madeira, disponibilizam aos montanheiros um espaço onde dormir, tomar refeições, fazer a sua higiene e passar algum tempo com amigos.
Mas não se pense que estas estruturas se possam confundir com hotéis … ehehhehe … nem pouco mais ou menos. São estruturas onde não há espaço para mais do que os serviços básicos.
Antes de descrever o que se entende por espaço para dormir e tudo mais o resto, há que referir que não há dois refúgios iguais. Cada um tem a sua própria estrutura e forma específica de funcionamento.
Sem dúvida que se parecem entre si, ou melhor, têm similitudes e quem conhece poucos refúgios terá a tendência de os tomar como todos iguais mas isso é só fruto de ignorância derivada da falta de experiência.
Zonas de convívio.
Todos os refúgios têm uma zona de convívio e é aqui onde passamos a maior parte do tempo quando acordados, caso o tempo não permita estar a usufruir do ar livre.
Jogos, revistas, malta com quem falar, não falta nada.
Há sempre um bar que disponibiliza bebidas diversas que não se pode esperar que sejam baratas já que não é fácil fazer chegar seja o que for a estes locais.
O que se entende por espaço para dormir?
Normalmente é fornecido um colchão, manta(s) e uma almofada que se encontram numa ampla camarata que pode albergar inúmeras pessoas … de 6 a 60, por exemplo … ou número parecido. É suposto que cada montanheiro leve o seu saco-cama ou saco-lençol já que normalmente não são fornecidos lençóis.
Há refúgios que dispõem de vários quartos com 6 ou 12 pessoas cada um mas também há refúgios com um só espaço onde todas as pessoas se reúnem para dormir.
Os colchões estão normalmente dispostos em dois níveis, do género de um beliche corrido com muitos lugares para dormir lado a lado. Também há alguns refúgiod que dispõem de verdadeiros beliches conferindo mais comodidade e privacidade mas são raros estes casos.
De uma forma ou de outra, à noite há sempre uma imensa sinfonia de ressonares das mais diversas espécies. Claro que esta sinfonia toma uma escala impressionante no caso dos refúgios onde todos dormem no mesmo espaço.
Que refeições podemos encontrar?
Tipicamente, os refúgios fornecem três tipos de refeição: pequeno-almoço, jantar e picnic. Em alguns refúgios podemos encontrar um menu de almoço sentado.
Mais uma vez as grandes diferenças também se manifestam na forma como as refeições são disponibilizadas ou até mesmo nas refeições em si.
Em alguns refúgios chegada a hora da refeição, neste caso pequeno-almoço ou jantar, chamam pelo nome do responsável do grupo para que vá recolhendo as travessas que vão sendo disponibilizadas. Mas hoje em dia também há refúgios onde têm funcionários que levam as ditas travessas à mesa onde o grupo tenha sido colocado.
Até agora o denominador comum entre refúgios, ainda no que respeita ao serviço de pequenos almoços e jantares, é a necessidade de os grupos limparem a mesa que usaram.
Não há escolha face ao jantar, todos comem o mesmo exceto para quem tenha feito algum pedido especial prévio tal como seja a opção por dieta vegetariana.
Muito bem servido quer em quantidade, quer em qualidade, é no entanto fundamental respeitar as horas das refeições já que os atrasos não serão acomodados, salvo raras exceções como é o caso de o grupo se ter atrasado em atividade. Atrasos relacionados com o estar a tomar banho ou a arrumar tralha não serão considerados.
O picnic ou merenda é normalmente um saquinho fornecido pela manhã e que podemos transportar na mochila durante no nosso dia de caminhada ou outra atividade. Neste saquinho podemos encontrar, por exemplo, sandes, barritas de cereais, alguma guloseima, fruta e algo para beber.
Onde fazer a higiene.
As casas de banho são mistas e umas serão melhores que outras … como tudo na vida.
Quando possível, a casa de banho está dentro do edifício principal mas também há casos em que a casa de banho foi montada fora do edifício, o que obriga a nos calçarmos caso lá fora esteja neve.
Infelizmente são normalmente em número reduzido e aqui acumula-se muita gente com as consequências óbvias nestes casos.
Há algumas inovações nos serviços disponibilizados.
Ultimamente tem-se vindo a verificar um aumento do número de refúgios que disponibilizam água quente para banhos, o que é um verdadeiro luxo neste contexto.
Também, como sinal dos tempos modernos, já há vários refúgios a disponibilizar acesso wifi, o que acho que é pena pois perde-se a sensação de isolamento que caracterizava o “estar” num local destes.
O que se tem mantido ao longo dos anos é o convívio rápido que conseguimos com outros grupos e o encontrarmos pessoas vindas de vários locais, como distintos níveis de experiências e também com objetivos muito diversificados.
Espero ter dado uma ideia genérica de o que é um refúgio de montanha mas sei que fica de fora a dinâmica que aqui se vive mas esse será assunto de outro post.
Agora que já sabem um pouco mais sobre refúgios de montanha só falta levantarem o rabo da cadeira e irem até um deles passar uma noite para terem ou repetirem a experiência.
Divirtam-se,
David Monteiro
Refúgio de montanha Passar uma noite num refúgio de montanha partilhando um belíssimo jantar com amigos é sempre uma experiência que não se esquece.