Ex-bem
Dei tudo de mim em cada segundo do que fomos, e, mesmo diante das circunstâncias atuais, não me arrependo de nada. Suponho que contigo seja a mesma coisa. Deixamos de ser nós, mas você ainda é você, e eu ainda sou eu — e te conheço o bastante para saber a sua forma de pensar. Ambos podemos dizer que nos últimos meses não fomos os melhores um para o outro, e tudo bem, é normal errar quando tudo está um caos. Soubemos compensar na hora de romper o que nos unia, mas que já estava frágil há tanto tempo. Fomos sinceros em dizer que estava doendo demais coexistir. Antes mesmo de terminarmos, tudo o que tínhamos feito um para o outro até determinado momento, havia perdido o sentido, e isso será permanente. Todas aquelas coisas, pequenas ou grandes, ficaram no que já fomos, e memórias não podem curar. Elas, na verdade, fazem com que o presente seja muito mais dolorido ao cutucarmos as feridas. E quando uma pessoa não tem essa perspectiva, ela pode cair na armadilha da nostalgia, que te faz lutar por um sentimento que, provavelmente, nem exista mais. Hoje, te guardo carinhosamente em meu peito e nas memórias, mas sem a sensação de falta daquilo que já foi. Desejo sinceramente que seja feliz em sua nova trajetória, e seria estranho se meus sentimentos fossem diferentes: como poderia eu, desejar a sua infelicidade, quando você já foi — por várias vezes — o ponto de partida da minha felicidade? Daqui a uns anos, aguardarei o seu convite para tomar aquele café, para que juntos, amadurecidos, possemos rir de todas as besteiras que um dia fizemos. Sem o pesar na consciência e do clima, com conforto e carinho no coração. Até lá, fique bem, meu ex-bem. Porque sei que ficarei.












