DANTE MARTÍRIO!
Batrice disse ao moço, que seu coração era puro e só amaria uma vez!
Ele, Dante, diante dela, a engoliu com os olhos e não disse nada. Ela, moça bela de olhos de amêndoa, prometeu amá-lo até morrer. O moço de cabelos curtos e olhar fixo disse que nunca ia fazê-la sofrer.
Pouco depois do amor ganhar aquela tarde entre os dois corpos, um aviso chegou. Ele teria de ir para guerra de algo que não deveria ser sua defesa. O mundo corrupto o chamava para queimar aquelas almas impuras em nome de uma alteza. Ela o esperou em casa por dias e anos e nunca acreditou no fim de seu amor.
Na guerra a dor o consumiu! Matar, matar... Tudo em nome de convicções! Em meio ao caos, sombras obscuras, das profundezas, o atormentavam. Aqueles amaldiçoados como hereges por líderes das verdadeiras ações. Todos mortos pelas mãos do homem cuja alma se partiu em pedaços que choravam.
Em somas de dias, uma cruzada de dor e tormentos venceram todo o amor dele. O ser profundo o inquietou o corpo até cometer atos ainda mais horríveis. Há cinco anos naquela dor intensa de acabar com todos por "Ele". O tempo o enlouqueceu e seus desejos por carne, pele a pele, estavam insaciáveis.
Pois numa noite de lembranças, já rabiscadas, de sua amada. Dante prendeu um homem e uma mulher numa cela suja. Era a morte dos dois. Mas o herege pediu clemência e aquela que dizia ser sua irmã não ficou calada. Ela Ofereceu ao soldado, já atormentado, uma noite quente sem um depois.
As sombras, insistentes em ver a quebra do amor, dominaram seus olhos. Num piscar, despiu a moça e a tocou com suas mãos já insanas e perdidas. Tudo, de forma explícita, aconteceu ali na frente de todos os odiosos. Os seres sombrios fizeram festa. Empurraram os corpos por vezes seguidas.
Quando tudo acabou, Dante estava consumido pelo arrependimento. Mas seu corpo, numa influência diabólica, queria mais daquela pele. Porém, a ordem era matar todos, mesmo quem acabara de dividir o momento. Apenas o homem, que se dizia irmão da moça, foi poupado por ele.
Depois um alguém de batina, dito como sábio, livrou Dante de seus pecados. Mas no fundo a mentira disso tudo era vivida como um inferno pelo soldado. E quem diria... a moça não era irmã de ninguém, mas esposa e estava grávida. O marido, que viu toda a cena intensa de carne, o ódio cultivou na liberdade.
Passada a guerra de mortes, injustiças, perseguições, "Ele" os liberou. Segundo os homens, donos da verdade, os soldados santos iriam pra casa. Uma cruzada até suas terras os esperavam quando tudo acabou. Dante, perturbado, com as mãos sujas de sangue, veria sua amada.
Mas ao chegar, uma surpresa! O corpo de Beatrice na porta de casa... Aquela pele radiante como um dia de sol, estava agora cinza e sem vida. Em seu peito uma faca, com símbolos católicos, bem cravada. Do lado, um bilhete escrito às pressas: "por Lavigna minha querida".
O ódio dominou aquele soldado, agora incapaz de amar sua bela. Ele lembrou de sua promessa, quebrada ao tocar uma desconhecida. E por um momento rápido entendeu que aquele amor era vida naquela era. Um tempo de morte, dor, e sofrimento por algo imposto como doutrina.
Talvez os seres malignos, caóticos, não gostassem daquele romance. Por isso, as sombras os perseguiram, se excitaram com sua traição. No momento de toque naquela pele sofrida da moça machucada e sem chance. A loucura influenciada pelo abismo profundo colocou um sorriso insano naquele coração.
E por um lapso rápido de memória, aquele peito partido se lembrou de algo. O nome gritado pelo “irmão”, em prantos, era algo confuso como "Ramilha". Aquele homem não parecia parente, mas alguém que a amava além da alma. Aquela moça, de olhos assustados, e roupas abusadas, se chamava Lavigna.
Beatrice... Pobre Beatrice. Não teve chances contra aquele homem humilhado. Ele rasgou suas roupas. Com a mesma influencia de Dante, abusou dela. Seu corpo, imundo do pecado, foi jogado, esfaqueado, e abandonado. E apenas o recado com um nome martirizou aquele ser. Uma eterna sequela.
O amor dela era tão real que "Ele verdadeiro" veio buscar sua alma. Quando deixou aquele corpo acabado, sem culpa, e abusado. Ela viu todas as sombras risonhas no corpo de Dante e o pediu calma. Antes de partir, Beatrice o perdoou e provou toda sua pureza ao seu amado.
No mundo ele ficou. Vagando por anos e anos... Sofrer, ele sofreu. Se embriagou nas memórias. Com o tempo resolveu ajudar quem sofreu abandonos. Mesmo assim nunca mais amou. E até o fim contou histórias.
Até falou de sua visita ao inferno para se corrigir de tudo. Encontrou muitos defensores da ética la embaixo. Do sul ao norte. Mas voltou pra casa quando viu que seu amor não deixou de ser profundo. De Beatrice nunca mais esqueceu, até a hora de sua morte!
*Davidson Fortunato.














