nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel.
Não tenho nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel. E lá estou eu, com mil cores, com um sorriso que satisfaz a todos, com mil e um corantes, mil e um semblantes.
Sou muito humilde, um raro poço de empatia.
Acho que por isso que preciso fazer um exame de cardiologia,
Ver se há algo em minha essência, que fica mexendo e remexendo em meu íntimo para ser assim tão amável e solidário.
Por que me contamino com a emoção dos outros, com a dor dos outros, com os triunfos dos outros. Me contaminei com seus opostos, mas continuo ali, dando tanto e sem nem reclamar do peso que foi posto sobre meus ombros.
Não tenho nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel. E mesmo assim, estou eu aqui. Cheio de promessas, às vezes vazias, outras vezes mais reais do que qualquer outra coisa conhecida. Na maioria, não vejo ninguém cumprindo suas promessas e ficando comigo, como á anos atrás haviam me prometido.
Me sinto como nosso Planeta Terra, que se deixou contaminar com guerras, com marchas pacíficas, com histórias de amor e com sangue envenenado dessas eras
Nos últimos anos, como vulcões em erupções, eu reagi. Explodi e a crosta da Terra eu sacudi.
No ano passado, me mantive trancado, até me recuperar um pouco e, embora pareça que tudo está melhorando, me vejo em certos momentos me abraçando. Porque explodi de novo. Às vezes meu choro me despedaça, às vezes não me alivia, apenas me faz me sentir mais fraco.
Não tenho nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel. Tem coisas que eu não compartilho sobre mim, para não me desgastar, talvez seja egoísmo ou talvez seja amor próprio, mas as pessoas têm um dom especial para desvalorizar o que é valioso, então guardei isso apenas para mim.
Eu voei sobre minha própria tempestade. Estive na beira da cama chorando pelo que sou ou pelo que serei. Procurei por mim mesmo, mas não me encontrei. Então não tive outra alternativa além de me desprender.
Decidi que era impossível, que não podia mais fazer isso, que não tinha salvação e era em vão me salvar da minha própria escuridão.
Não tenho nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel. Mas então eu enxerguei. Com a face de um sorriso brilhante, eu finalmente notei. Que mesmo que me abandonem em um cais quase deserto, vou continuar brilhando e continuarei amando desse jeito tão incerto e desconexo. Continuo obedecendo ao coração e procurando um amor que veja meus esforços.
Não tenho nada de especial, nenhuma lua, nenhum anel. Mas finalmente me abrigo no fenômeno astronômico que é meu planeta de satélite lunar. Pra plantar e colher as ervas das partes perdidas de mim que desejo do lixo e do vão vazio resgatar...
[ ```Paráfases de Satélites```]