Brian Carrick Gallagher. 31 anos. Ex-Hufflepuff. Half-Blood.
“Our ambition should be to rule ourselves, the true kingdom for each one of us; and true progress is to know more, and be more, and to do more.”
「Biografia」Foi num bairro de classe média baixa de Dublin que Brian Gallagher nasceu e passou grande parte de sua vida. Seu pai, Alroy Gallagher, representava perfeitamente o estereótipo irlandês. Um flamboyant extravagante, barulhento e bêbado – sim, de alguma forma, “bêbado” passou a ser considerado um estado de espírito na casa dos Gallagher ao invés de um estágio avançado de embriaguez. Brian costumava pensar que se não fosse por sua estatura, Alroy poderia facilmente passar por um Leprechaun: Ele certamente tinha o dom de ludibriar as pessoas e sumir com seu dinheiro, assim como as criaturinhas míticas. Mas ao contrário delas, que segundo as histórias o faziam apenas por diversão, Alroy o fazia para sustentar seu vício. Foi difícil crescer com uma figura paterna tão controversa que, quando não estava ausente, fazia questão de deixá-lo constrangido diante de seus amigos com seu comportamento inapropriado. Sua mãe pedia para que ele tivesse paciência. “Não o culpe. Ele não faz por mal”, ela vinha em sua defesa. “Estamos passando por dificuldades e esse é o jeito que ele encontrou para lidar com elas”. E talvez Brian tenha preferido acreditar nisso por um tempo, mas foi ficando cada vez mais difícil engolir uma justificativa tão estapafúrdia como aquela quando todos eles estavam passando por dificuldades, mas o único covarde o bastante para recorrer a uma válvula de escape tão destrutiva era seu pai.
Com o passar dos anos o ressentimento de Brian em relação ao pai apenas crescia, proporcionalmente ao vício de Alroy. Ele não conseguia manter-se em emprego algum por muito tempo, e a condição financeira dos Gallagher foi de medíocre para medíocreeincerta. Mas não foi até vislumbrarem o fundo do poço que Caoilainn tomou sérias providências, arrumando um emprego de período intergral em um pub da região, enquanto Brian aos 10 anos se via obrigado a tomar conta do irmão caçula de apenas 5. Não era particularmente difícil ficar de olho em William. Ele era uma criança perturbadoramente quieta, e muitas vezes virava alvo de gozação por conta disso. O relacionamento dos irmãos sempre fora relativamente bom, mas foi nesse período que evoluiu para um laço de inabalável cumplicidade. Liam guardava a sete chaves o segredo de Brian, um segredo que ele mantinha já há algum tempo, um segredo que podia abalar as estruturas daquela família, um segredo que partilhou apenas com o irmãozinho e mais ninguém. Quando ele se concentrava o suficiente era capaz de fazer coisas que não podia explicar e temia a reação dos pais caso descobrissem. Conseguia fazer pequenos objetos flutuarem ou conjurar diminutos feixes de luz com o estalar dos dedos. Liam era sua única plateia, e em geral Brian usava seu dom apenas para entretê-lo, ele se deleitava com os “truques” do irmão e o aplaudia com todo o vigor de uma criança de 5 anos.
Mas as coisas mudaram quando Alroy flagrou o filho mais velho fazendo magia. Os Gallagher vinham de uma família tradicional católica e ver o rapazinho manipular forças desconhecidas fez com que Alroy rapidamente concluísse que havia algo errado. Brian nunca se esqueceria daquela noite, do cheiro de álcool impregnado nas roupas do pai, da fala embargada e incoerente e mais do que tudo, do horror em seu olhar. “Deamhan”, ele repetia com os olhos fitos no menino, a voz oscilando entre o medo e a aversão. “You must be the devil’s child”. E era a primeira vez em muito tempo que Brian concordava com o pai porque se ele era o filho do diabo, isso fazia de Alroy o próprio. Mas o menino não verbalizou o pensamento, continuou observando a já comprometida sanidade do pai se deteriorar ante a nova revelação sem saber ao certo o que deveria esperar agora que seu segredo viera à tona. Passaram dias sem que Alroy sequer direcionasse o olhar para Brian, e quando finalmente o fizera ficou claro para o rapazinho que o choque inicial foi então substituído pelo pretenso espírito empreendedor dos Gallagher. Se seu filho era uma aberração da natureza com certeza haveria gente que pagaria caro para vê-lo de perto. Um circo dos horrores de uma só atração. Como se Brian precisasse de ainda mais motivos para se ressentir dele… Em algum lugar distante de sua mente guardava boas memórias do pai, mas ele começava a se perguntar quais daquelas lembranças eram verdadeiras e quais haviam sido fabricadas pelo seu inconsciente.
A empreitada de Alroy no ramo do entretenimento não durou muito, assim que Caoilainn finalmente ficou sabendo o que andava acontecendo sob seu próprio teto se viu obrigada a dar um basta – e alguns esclarecimentos. Em meio a lágrimas ela contou ao marido e aos filhos que havia um mundo além daquele que conheciam e que ela pertencia a ele. Ou ao menos, sua família pertencia. Ela nascera sem magia, um aborto, como o restante da sociedade bruxa se referia àqueles como ela, e por conta disso resolveu tentar a sorte entre os trouxas – não havia muito mais o que pudesse fazer. Sua família de origem era bem abastada, mas tinha vergonha dela e preferia mantê-la em segredo a dar a ela algum suporte. O máximo de ajuda que lhe ofereceram foi algum apoio financeiro durante sua transição para o mundo trouxa. Pouco depois da revelação, Alroy deixou esposa e Brian para trás. Sem arrumar malas ou dar adeus. Um belo dia apenas saiu pela porta da frente e nunca mais voltou, levando consigo apenas a roupa do corpo e um contrariado William. Teria sido um alívio para Brian, não fosse pela falta que o irmão lhe fazia, ou pela dor de sua mãe que desde então mergulhou em uma profunda melancolia. Agora, mais do que nunca, precisava estar ali pra ela, mostrar que ela não estava sozinha. Que sua família e seu marido podiam ter dado as costas pra ela, mas ele jamais daria.
Por conta disso e apenas disso, Brian ficou relutante quanto a seu ingresso na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts assim que recebeu sua carta. Não queria deixar a mãe sozinha por períodos tão longos, mas Caoilainn insistiu que ele fosse. Estava indubitavelmente orgulhosa de seu primogênito. A magia que não se manifestara nela foi de alguma forma transmitida ao menino e ela nunca se perdoaria caso ele não trabalhasse todo o seu potencial. E Brian não a decepcionou. Fora selecionado para a Hufflepuff graças a sua natureza doce, e ainda que a maioria de seus colegas de casa o tivesse recebido bem o mesmo não poderia ser dito sobre certos estudantes. Ele não guardou segredo para ninguém sobre o fato de ser filho de um trouxa e um aborto - não sabia que existia aquele tipo de preconceito entre os bruxos, mas aprendeu da pior maneira. Brian logo virou alvo de chacota entre alguns alunos e a forma como alguns o olhavam torto pelos corredores o remetia aos olhares que seu pai lhe lançava depois que descobriu sobre sua linhagem mágica. Trouxas e bruxos não eram assim tão diferentes quanto julgavam ser.
A magia o fascinava e a escola não fora uma experiência de todo ruim, mas Brian não pôde deixar de se sentir aliviado quando finalmente se formou. Estava ficando exaustivo ter que ouvir gracinhas e aturar ofensas, e sua postura permissiva perante elas não fazia muito por ele. Agora finalmente poderia seguir seu caminho, mas se ele achava que ia se ver livre do preconceito estava muito enganado. No mundo adulto as coisas pareciam se agravar e ele teve um longo caminho a percorrer para se provar apto. E assim o fez. Contra todas as expectativas, galgou sua carreira no Ministério entrando primeiramente como Assistente Junior do Ministro da Magia durante o governo de Nobby Leach – o primeiro nascido-trouxa a ocupar o cargo. Foi rapidamente apelidado pelos colegas de trabalho de “Paddy”, por conta de sua nacionalidade. A intenção original provavelmente era a de ofendê-lo, mas tornou-se um termo afetivo quando seus amigos resolveram aderir a ele, frustrando o intuito de seja lá quem tenha iniciado a brincadeira. Eventualmente foi transferido para o Departamento de Cooperação Internacional em Magia no cargo burocrático e bem remunerado de Superintendente do Escritório Internacional de Direito em Magia. Corriam rumores no ministério que o rapaz estava para ser indicado por Nobby Leach em pessoa para se tornar o chefe do departamento, mas Brian nunca soube ao certo se aquilo se tratava apenas de um boato já que não muito depois disso um golpe de estado muito bem orquestrado pela oposição tirou Leach do poder.
Há quem censure Brian por sua postura indulgente ante as ofensas tão corriqueiramente dirigidas a ele. E é, de fato, difícil fazê-lo sair do sério, mas isso não significa que ele seja tão tolerante quanto aparenta. Sua complacência é apenas uma fachada, uma maneira que Brian encontrou para manter a calma em circunstâncias que fariam o sangue de qualquer um ferver. Mas calma nunca foi sinônimo de resignação. Na verdade, Brian pode ser uma pessoa extremamente rancorosa, lembrando-se de cada ofensa proferida, cada afronta, cada ressentimento e os utilizando para mantê-lo focado em seus objetivos. Daí vem o combustível de sua ambição, sempre renovado a cada provocação, cada olhar de desprezo, cada palavra de descrença. Sua mãe costumava exaltar aquela como sua maior qualidade: a capacidade de converter cada mazela em algo positivo. Algo que apenas o ajudava em sua trajetória ao invés de tornar-se um empecilho. Brian gostaria que isso fosse verdade. Gostaria de poder dizer que uma vez triunfado diante de uma dificuldade, deixava para trás tudo o que havia de negativo, mas na verdade as más lembranças nunca o deixavam. Sempre estavam lá para assombrá-lo, abalando suas estruturas quando se descuidava. Existem coisas que são levadas pro resto da vida: traumas e estigmas estão entre elas. Mas tais inseguranças dificilmente vinham à tona, ele já havia passado da fase de deixá-las transparecer com suas constantes crises de ansiedade. Aprendera a lidar com elas ao longo do tempo, não deixando-as consumi-lo e mantendo a compostura. Tudo isso era requerido de seu atual cargo no ministério e ele levava seu trabalho a sério. Estava certo de que era por sua competência que ainda não havia sido dispensado no governo do atual Ministro, que claramente se tratava de um tradicionalista pró-purismo, ou ao menos, uma marionete daqueles que o eram. Fora do trabalho, Brian é menos sisudo e mais… Brian. Ele tem um jeito descontraído que - segundo sua mãe - herdara do pai, embora ele prefira evitar as comparações com aquele homem que só lhe trazia más recordações. Seu senso de humor às vezes podia ser autodepreciativo e isso diz alguma coisa sobre a visão que ele tem de si, mas mostra também que ele não se leva tão a sério. Tem jeito com as palavras e sabe como agradar as pessoas, mais do que isso, gosta de agradá-las e talvez se importe com isso um pouco mais do que deveria.
Brian é superintendente do Escritório Internacional de Direito em Magia. Seu FC é James McAvoy e sua player a Nath.