recentemente eu rebloguei um post que dizia:
“seu próximo passo é mais importante do que o seu último erro.”
e, de alguma forma, aquilo me atravessou mais do que eu esperava.
não porque eu não entenda a frase, eu entendo.
mas porque ela chegou num momento em que eu ainda penso muito nos meus erros.
principalmente com uma pessoa muito específica.
e não é um pensamento leve.
não é aquele tipo de lembrança que vem e vai.
é algo que, às vezes, insiste.
que volta em detalhes, em falas, em momentos onde eu poderia ter sido diferente… e não fui.
eu vejo com clareza o que eu disse, como eu disse, o impacto que aquilo teve.
vejo versões minhas que hoje eu não reconheço mais, ou talvez reconheça, mas não aceito repetir.
porque não tem como voltar atrás.
não tem como ajustar o passado com a consciência que eu tenho hoje.
então eu fico nesse lugar meio difícil de sustentar:
entre o arrependimento e a responsabilidade.
e o que eu estou tentando ser agora.
e foi aí que aquela frase fez sentido de verdade.
não como algo que apaga o erro, mas como algo que me responsabiliza pelo que vem depois.
porque meu próximo passo não muda o que aconteceu.
não desfaz o que eu causei.
não limpa automaticamente a dor que ficou no outro.
mas ele diz muito sobre quem eu escolho ser a partir disso.
eu tenho feito um esforço consciente pra que minhas atitudes sejam maiores do que os meus erros.
não como uma forma de compensar, como se existisse um equilíbrio exato entre o que eu fiz e o que eu faço agora, mas como uma forma de não continuar sendo a pessoa que causou aquilo.
eu não quero só me arrepender.
quero ser alguém que escuta melhor, que reage com mais cuidado, que entende o peso das próprias palavras antes de lançá-las no outro.
e, principalmente, quero ser alguém que não precisa aprender tudo pela dor.
mas eu também sei que existe um limite nisso tudo.
porque, por mais que eu mude, por mais que eu cresça…
isso não garante que a pessoa que eu machuquei vá ver, vá aceitar, ou vá querer continuar.
e talvez essa seja a parte mais difícil de engolir:
eu posso me tornar melhor…
e ainda assim não ter a chance de reparar com quem eu gostaria.
e aí, o que me resta, é continuar.
continuar sendo diferente, mesmo que não seja reconhecida.
continuar fazendo melhor, mesmo que não tenha retorno.
continuar escolhendo com consciência, mesmo carregando o peso do que eu já fui.
porque, no fim, aquela frase não é sobre esquecer o erro.
é sobre não permitir que ele seja a única coisa que define o meu caminho.
isso é real, isso não muda.
mas o que eu faço depois disso…