Revirar aquela galeria do chão até o teto não pareceu suficiente, visto que não havia nenhum sinal daquele maldito quadro dos ovos de ouro. Um pedido especial do prefeito e Amora tinha conseguido estragar a chance de provar que seu estabelecimento ainda poderia manter as portas abertas. Não é difícil imaginar que ela estava em seu pior momento, as mãos apoiadas no balcão, embasbacada. Talvez esse fosse a hora certa para comprar câmeras de segurança; talvez seria bom apelar para a boa vontade do prefeito ( a lenda que Astrid insiste em acreditar ) nesse quesito. Ora, ele é a autoridade máxima da cidade, e como cidadã modelo — ou nem tanto —, Amora precisava de segurança. Contudo, não seria sua primeira opção no momento, visto que se dirigiu para fora da galeria, afobada, enrolando as palavras por conta do nervosismo. ❛ Ladrão... quadro... prefeito.. ❜ Murmurou incognitas para ninguém em específico, fixando o olhar para a figura que se passou mais próxima de si. ❛ Ei, moço... você viu alguém segurando um quadro por essas bandas? Você tem cara de quem vai por aí de noite, em bares.. ❜ O gesto da mão ao peito foi um tanto teatral, conquanto, Amora estava preocupada demais para se importar como seus trejeitos aparentavam. Apenas respirou fundo para formular a súplica de importância. ❛ Por favor, por favor! Me diz, acalma minha alma, acalma esse ser estupefato, me diz! Me diz que viu uma ou um meliante pela noite, segurando um quadro grande? Era uma pintura muito importante... tinha uns fios de ouro que o prefeito mandou colocar exclusivamente... Foi tão caro... Meu Deus! Eu vou morrer! Minha mãe vai me matar! O prefeito vai me matar! Eu já gastei o dinheiro que ele pagou na encomenda!! ❜ A casa caiu, foi sua primeira constatação.