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@traficad-o
youre weirdly obsessed with finding meaning
Bianca Stone, from What Is Otherwise Infinite: Poems; “Cutting Odette’s Fingernails”
reconocería tus ojos en otra vida
Tracy K. Smith, “Don’t You Wonder, Sometimes?”
na madrugada quando a tristeza bate eu me calo e apanho.
Dele Olanubi
mas vai sempre existir alguém, em algum lugar, que vai atravessar você com um amor-cometa porque o amor encontra um jeito, ele sempre encontra um jeito de te incendiar por completo.
estamos em construção. tudo bem, às vezes os muros caem reconstrua.
eu tinha era preguiça de ser todas essas coisas. eu só queria beber minha cerveja e foder de ladinho. as pretensões eram mínimas. corrigindo, ainda são. eu queria amar muito e morrer cedo, como os poetas, mas sem ser poeta. isso sempre me soou muito dolorido e eu já tinha dores o suficiente sem saber lidar com as palavras. se eu soubesse, me perseguiriam. eu prefiro me afogar em algo mais alucinógeno, entende? palavras te fazem viajar, mas a ressaca é limpa. eu não merecia nada limpo. eu era a lama. ainda sou.
z
damn dream
houve uma festa, no meio da cidade, num galpão, com cerveja quente e jazz. os letreiros luminosos e azuis diziam: “BEM VINDO AO INFERNO, TRAGA UM PEDAÇO DO SEU” e eu levei você.
y
“Se te faz feliz ver o vôo dos outros, então você entendeu tudo.”
—
[…]
te amar foi uma festa pagã pra um deus sol qualquer numa vã tentativa de que a luz cicatrizasse as minhas feridas mais profundas enquanto você pairava em órbitas muito distantes da minha.
mas eu nunca soube emitir sons árduos por salvação alguma.
eu acho
e você vai me dizer que é loucura pensar nisso
que não deveríamos nos apaixonar jovens
ou, pelo menos,
pouco conscientes de nós mesmos
você vai dizer que a paixão faz sentido no peito juvenil porque ela é imatura e desesperada, porque é frenética e dolorida
porque não dura
e que isso é a síntese de ainda ter muita vida pela frente
eu sei. e quando te olho eu sei mais ainda
que se apaixonar sendo capaz de assumir todas as consequências de uma paixão soa assustador
nós, adultos, sem termos a quem culpar
parece muito mais perigoso
e o risco, você diz, não vale o gosto
mas é sempre o mesmo, eu acho: se perder
mas é que jovem a gente não é tanta coisa, você ri
e eu entendi que a gente cresce e tem medo
eu entendo o meu
mas eu te disse, dengo
que quanto mais alta a aposta, maior o prêmio
(e que seria muita sorte
se eu fosse, de novo, o seu)
assustador o quanto algumas pessoas permanecem as mesmas depois de tanto tempo, falando do mesmo jeito
penso muito na Nina "como ser um artista e não refletir o tempo?"
como
e por que
não se adaptar, não mudar, não suavizar sua linguagem e mover-se através das palavras?
por que se acomodar ao que os outros consomem?
como não refletir o tempo? mesmo que não os dos outros, mas o seu? envelhecer, amadurecer?