(taís araújo/ cisfem/ ela/dela) Preencha o termo de compromisso antes de continuar:
Sob ordens diretas do comando da ASTRA, declara-se que EMÍLIA “MILA” VEGA, natural de MANAUS, atualmente atuando como PUBLICITÁRIA NA FORTIS HIERRO, compromete-se a servir à MATILHA FERALIS enquanto permanecer no território sob domínio dos LOBISOMENS. Aos 36 anos, aparentando 36, jura manter sigilo absoluto e lealdade à liderança que o acolhe. Conhecida por SER RIGOROSA e INSTÁVEL, mas dotada de BOM HUMOR e GENTILEZA, desempenha suas funções como PATRULHEIRA, sob a confiança que lhe foi concedida.
𝙾 𝚀𝚄𝙴 𝙴́, 𝙾 𝚀𝚄𝙴 𝙴́?
Quem muito brinca, vira brinquedo. Uma das várias frases que em inglês não tocam tanto quanto na língua materna de Emília, mas que ela insiste em adaptar pro novo idioma. Ela adora fazer amizade, sair juntos, combinar viagens de última hora e aparecer na sua porta com um balde de frango frito e um filme em DVD. No entanto, pode ser que em algum momento você sinta algo diferente e ela acabe farejando, aí ela fecha a cara e vai embora, ficar sozinha. E aí de você se for incomodar seu tempo sozinha.
𝚃𝙰𝙻𝚅𝙴𝚉 𝙽𝚄𝙼𝙰 𝚂𝙴𝙶𝚄𝙽𝙳𝙰 𝚅𝙸𝙽𝙳𝙰...
Nascida em algum lugar do Brasil, provavelmente no Cerrado, a pequena Emília não sabe muito sobre sua família, só que eles foram amaldiçoados até a morte por um bruxo à mando dos homens brancos. De alguma maneira, ela conseguiu crescer com bom humor e lealdade. Talvez por ter sido criada por uma tribo muito querida e ter tido bons exemplos em sua vida, vai ver. Fato é que, ela é uma exímia professora e arrasa em suas publicidades com subtexto político. Chegou nos EUA porque precisava urgentemente colocar sua vida em ordem e o calor e as praias do Ceará não estavam deixando esse trabalho fácil, mas quem é que diria que ela encontraria emprego numa empresa gerenciada por lobisomens? Que puta sorte, se você me pergunta.
𝙰 𝚁𝚄𝙰 𝙴́ 𝙽𝙾𝙸𝚂.
você é meu aprendiz, não posso gostar de você assim.
eu nunca vou te perdoar por trair minha confiança, mas eu vou tentar todos os dias.
vamos viver, vadiar, o que importa é nossa alegria!
❝ may i call you my friend? ❞ ─── closed starter com @wclfdaddy
ᅟ ︎── Tá bom, já entendi que eu não tenho chances com você. Amigos, então... ─ Era sua nova obsessão do momento, perturbar Haneul até fazê-lo perder a paciência. Por isso, decidiu ir só mais um pouquinho mais longe na sua brincadeira. ─ Mas e amigos que se pegam?
Arregalou os olhos e repuxou os lábios pra baixo, numa careta do tipo "que tal?" um tanto exagerada. Acabou quebrando o personagem com sua risada antes que o rapaz acabasse realmente se cansando ou se ofendendo com as brincadeiras, e finalmente lhe ofereceu um gole de sua bebida como forma de apaziguar o momento.
ᅟ ︎── Já bebeu cachaça brasileira? Eu que pedi pra colocarem no menu do bar, gostaria que você provasse!
Malvino não ficou surpreso quando viu a roda em que Emilia estava enfiada. Ela tinha um jeito de cativar a multidão que ele nunca conseguiria entender, especialmente quando sabia que eram histórias absurdas que deixavam a sua boca. Achava que ninguém lhe questionava porque as pessoas queriam acreditar nela, ele mesmo queria acreditar nela. Ficou apenas observando de longe, esperando o momento em que ela iria notar a sua presença, e não demorou muito tempo para isso acontecer. Ajeitou a máscara no rosto que apesar de ser elegante, não conseguia esconder como o alfa estava desconfortável naquela noite. — Tem certeza que vai deixar o seu culto sem o fim da sua história? — ele riu, vendo que algumas pessoas ainda aguardavam ela mudar de ideia. — Vou tomar uma, mas não quero exagerar porque já vi um me olhando errado. Se tiver que sair na mão com alguém, tenho que estar com a cabeça no lugar.
ᅟ ︎── Meu culto... ─ Repetiu em meio a uma gargalhada sincera. ─ Ei, o que é meu é seu, bem. Sei que você também tem um monte de história de pescador pra contar.
Ouviu com atenção às ideias de Malvino e revirou os olhos como quem repreende, mas seus lábios estavam partidos num sorriso trêmulo, quase partindo pro riso. Ele era sempre tão irritadinho, Mila nunca conseguia se conter em provocá-lo. E deveria, já que ele era duas vezes seu chefe. É como se ela nem ligasse para esse fato.
ᅟ ︎── Tenho certeza que depois de uma dose de cachaça docinha você vai estar preparado para qualquer coisa, vem. ─ Chamou com a mão, esperando que o homem lhe oferecesse sua destra antes de marcharem até o bar juntos.
Uma coisa que sempre chamou atenção de Phillip era a maneira como algumas pessoas simplesmente conseguiam conduzir as pessoas a sua volta. Eram tão eloquentes e tinham todas as pessoas ao redor na palma de suas mãos. Dominar a todos em palavras, e postura era algo que poucos conseguiam, e por conta desses detalhes ele conseguia saber muito bem quem estava a sua frente. Mila era possívelmente uma das pessoas que ele mais se inspirava, às vezes, tinha até medo de se aproximar muito de tão expressiva e cativamente que a mulher era. Algo tão diferente dele.
Sempre com pessoas ao redor, divertindo a todos e colocando sobre seu aspecto. Ele sempre pedia sua ajuda quando tinha que lidar com outros lobos que tinham cara um pouco mais assustadoras e ela era uma ótima "irmã mais velha". "Por favor, e você sabe por quanto tempo tenho que ficar aqui? Sei que estou aqui caso algo saia fora do controle e precisem de ajuda, mas me sinto rídiculo com essas roupas."
ᅟ ︎── É a intenção, ridicularizar nossa classe. ─ Deu de ombros, uma mania antiga. ─ Não se preocupa bem, aposto que daqui uma hora, uma e meia, todo mundo aqui se cansa e a gente vai ficar livre pra ir embora. ─ Emília conseguia sentir o cheiro das emoções de Phillip, e não podia resistir em assegurar que tudo ficaria bem. Por mais que ela própria estivesse estranhando toda aquela calmaria, ela jamais preocuparia o amigo sem motivo. ─ Quer beber o quê? Um gin com suco de laranja?
Abraçou o homem pelo ombro e o conduziu para longe das multidões mais aglomeradas, ainda assim o bar não estava exatamente vazio. Aproveitou o momento onde ele pensava no que queria beber para reparar em seu figurino da noite, Phillip já é um homem lindo aos olhos de Vega, e com essas roupas até ficou parecendo da realeza mesmo. Se questionou se o amigo gostaria do elogio, e mesmo que achasse que não sua boca já estava comentando com paixão sobre. Tentou pelo menos se atentar ao tom de voz para envergonhar Phill um pouco menos, mas viu algumas cabeças se virarem pra ele mesmo assim.
ᅟ ︎── Mas vem cá, você tá tão bonito hoje! Ficou um charme essa roupa em você, parece até um príncipe. Sério mesmo.
Por sua vez, Bjorn não era tão reativo. Parcialmente porque a maioria de suas reações eram previamente planejadas. Mas, de vez em quando, ele era verdadeiramente surpreendido por algumas criaturas. Então, era sempre uma situação única observar Emilia e o quão expressiva ela podia ser. ━━ À nossa amizade. ━━ Repetiu, por entre uma risada suave. Apesar de ter erguido sua bebida para o brinde, Bjorn apenas deu um gole curto para finalizar o brinde e então deu a si mesmo a chance de observá-la se deliciando com sua bebida. Ele tinha um grande interesse em observar as pessoas, então acabava sendo involuntário em determinadas situações.
Bjorn assentiu brevemente, mostrando que entendia o ponto de vista dela. Ele, no entanto, preferia desconfiar de todo mundo até ter provas concretas. E isso certamente incluía os próprios vampiros. Traição não era novidade para nenhum deles, afinal. ━━ Se forem eles, vão estar deixando pistas que apontam para nós. E enquanto isso durar, não vamos sair da estava zero. ━━ Comentou baixinho. ━━ Ainda que tenha sido um dos nossos... ━━ Se referia a todos os os membros da Astra ali. ━━ Isso precisa acabar. Seis mortes é um número muito grande para os humanos.
ᅟ ︎── Me entriga justamente a falta de provas. Alguma coisa não cheira bem nessa história. ─ Coçava a cabeça como se aquilo fosse ajudar seu cérebro a agilizar seus pensamentos. Acabou estendendo o contato visual por um longo momento enquanto focava nas entrelinhas da fala do vampiro. Não pôde conter uma risadinha fria ao que concordava com como fora colocada as palavras. Para os humanos, sim. Para os seres da noite a perda era muito mais comum e menos chocante, de fato. Acabou por dar de ombros e se refrescar mais uma vez com sua bebida gelada antes de emanar sua positividade e confiança à Sehested. ─ Vamos dar um jeito. Sempre damos...
Trocou um sorriso cumplice com o mais velho. Podiam ter poucos pontos em comum, mas os dois conheciam o gosto do sangue e a sensação da perda. Não eram tão diferentes no final do dia.
Despretensiosamente, Hana caminhava pelo salão quando uma voz feminina conhecida chamou a sua atenção e fez com que cessasse os passos. Ela, então, pôs-se ao lado do grupo que ouvia a história contada por Emília, optando por deixar que a outra terminasse antes de se aproximar, afinal também compartilhava da curiosidade dos demais convidados pelo desfecho, mas a própria resolveu manter todos na curiosidade ao tomar a iniciativa de lhe abordar. — Não reconhece? Era para eu ser uma raposa. É uma prima distante sua, imagino..? — riu, incerta, com leve erguer de ombros, enquanto tocava a máscara com a sua mão livre. — Aceito. Enquanto isso você pode me contar o resto da história, fiquei curiosa. — disse Hana, caminhando com Emília rumo ao local do salão onde serviam as bebidas. — O que vamos beber?
Era sempre bom reencontrar Hana, não tinham desgosto uma pela outra e sempre tinham conversas interessantes. Queria tomá-la num abraço apertado, mas seu vestido de grife sequer permitia que respirasse, por isso se contentou com um beijinho na bochecha da outra. Qualquer um que cruzasse o caminho de Emília já sabia que ela era do time que encosta para qualquer coisa.
ᅟ ︎── Talvez nem tão distante assim! ─ Deu de ombros antes de se juntar às risadas. Cruzou seu braço destro com o esquerdo de Hana e caminhavam até o bar enquanto conversavam. ─ Eu adoro essa história, mas ela não é minha. Minha guará jura que botou o espírito pra correr, prometo que eu conto tudo pra você. ─ Vega ponderou por alguns segundos na escolha do drink, gostava de combinar os dois mundos quando bebia em companhia. ─ Que tal um coquetel de frutas? Assim eu não fico tão maluca e consigo te contar toda a história!
Mila sequer sonha com a hipótese de logo o bruxo que ela decidiu abrir as portas e confiar, chegando até a trabalharem juntos para a Astra, pudesse ser o algoz de sua família. Claro que ela sabe que foi um bruxo, e sabe que Kai não gosta de lobos,as a conexão ainda não ocorreu em sua mente. Ela sempre pesquisa sobre quando tem acesso aos artigos da matilha mas nenhum nome nunca foi dado, então que mal há em dar o benefício da dúvida para todos os feiticeiros que conhece?
Mas e quando ela descobrir a verdade?
Kai não força amizade nem finge simpatia, mas como Emília nunca o perguntou diretamente, o que poderia ser feito de diferente?
Zahir... Ah, Zahir. Emília se sente um pouco estúpida até hoje de ter acreditado no famoso "bom demais para ser verdade". Não demorou para outras pessoas começarem a aparecer na grande colônia de férias que era um relacionamento com o mais velho. E bem mais velho, nesse caso. Se você para pra pensar, Vega era só uma criança quando eles se conheceram.
Orgulho ferido e recaídas à parte, os dois decidiram que o melhor para ambos seria o livre direito de ir e vir! Emília afinal era uma mulher fascinante e apaixonada, havia bastante espaço em seu coração para algumas coyotes da Hollow Den e o vampiro. Não se pode esperar que uma criatura de mais de 700 anos seja leal à uma mulher só, e nem que um espírito livre se amarre à um ser só. Hoje em dia as mágoas são águas passadas, é claro, e na memória de Mila ficaram momentos bons e marcantes que pesam mais do que a dor de um coração partido, no final do dia.
Por mais que tente evitar, é difícil ir contra sua natureza quando está perto de outros monstros. O instinto primal da sobrevivência fala mais alto, e a natureza diz que é a lei do mais forte. No entanto, com Beatrice e Björn é diferente. Sem nenhum outro sentimento para diluir o fato de serem de espécies distintas, ainda assim Emília sente algo bom vindo de ambos desde que se conheceram, e não o perigo iminente natural.
É fácil conversar com Beatrice, e religião sempre foi um assunto de interesse para Mila. Por mais que sinta um pouco de medo da mulher, o fascínio é bem maior. Sempre tem um pé atrás com feiticeiros, e sem Beatrice nunca ter comentado nada, Mila sente que ela mesma também tem um cuidado maior na hora de executar suas funções como bruxa. Culpa? Mila gostaria de descobrir.
Já com Sehested, sente-se estimulada pelas conversas e tem uma troca agradável de conhecimentos de ambas as partes. Diferente de outros vampiros, Björn não parece ser do tipo que cansou de aprender ou de viver. É algo que Emília aprecia nas pessoas, a sinceridade e a vontade delas de viver algo novo.
A história mais que absurda contada pela outra fez Zahir reprimir uma risada. Ele mesmo não era contra contar algumas mentiras para impressionar os humanos deslumbrados e até mesmo outros sobrenaturais que não tinham tantos anos de vida quanto ele próprio (o que era, basicamente, todos que conhecia), se entretia com o que os outros tinham a contar. Quando ela se aproximou, abriu os braços como quem se exibia, mostrando suas roupas. — Vamos lá, não é possível que você ache mesmo que mais alguém se vista tão bem quanto eu. E sou inconfundível. — disse em tom brincalhão e convencido. — Tem se divertido na festa ou sua única fonte de distração está sendo deslumbrar os pobres coitados?
Zahir tinha razão, além de ser provavelmente o mais bem vestido do local junto com as modelos da marca, seu cheiro era inconfundível e familiar para o olfato aguçado de Vega. De toda forma, decidiu não colocar mais gasolina na chama contínua que é seu ego e só deu de ombros como resposta ao pequeno show privado que havia ganhado.
ᅟ ︎── Será que os anos começaram a afetar sua memória? ─ Ela circulou o vampiro, se pondo atrás do homem com as mãos prontas para fazer uma massagem em seus ombros. Aproveitou a proximidade para abaixar a voz e sussurrar em seu ouvido de forma sugestiva. ─ Vai dizer que não lembra como eu era divertida?
O evento era da Astra, e isso significava lobos. Sempre havia lobos. E entre eles, a pior parte: a criaturinha irritante que a organização havia decidido designar como sua parceira em algumas missões. Kai nunca entendeu por que o destino insistia em lhe pregar peças. Agora, para sua infelicidade, ela parecia convencida de que os dois formavam algum tipo de dupla. Revirou os olhos quando entreouviu a historinha dela, deu as costas antes mesmo de cumprimentá-la, mas não conseguiu evitar que ela se aproximasse. Viu a reverência com a mesma indiferença com que se olha algo inevitável, e disse, sem esconder o tédio: ❝ Nós precisamos mesmo conversar se não estivermos especificamente trabalhando para a Astra? ❞
ᅟ ︎── Tenho quase certeza que é assim que a política de boa vizinhança funciona, bebê. E eu tenho um presente pra você, mas só vou te dar se você se comportar. ─ A bolsa de Emília estava largada em uma das mesas do salão, embora ela não se lembrasse exatamente qual. O presente era simples, um colar com um pingente de lua crescente. Tinha comprado há algumas semanas, mas não havia recebido nenhuma resposta à suas mensagens pedindo para se encontrarem. Não que ela tenha levado para o pessoal, muito pelo contrário. Claro que Mila podia sentir o cheiro do desgosto do bruxo, mas pelo menos ele era sincero. Sinceridade era muito importante para Mila, e ela jamais desistiria de fazer amizade com alguém só pelo fato de que a pessoa não vai com a cara dela. Que besteira, qualquer um que a conhecer de verdade vai saber que ela é uma exímia aliada.
Considerando o que era, claro que Bjorn não duvidava da existência de nada, nem ninguém. Todavia, algo que sempre mexia com sua imaginação eram aquelas histórias que lobos e bruxas tinham envolvendo espíritos. Tirando os fantasmas de seu passado que casualmente apareciam de tempos em tempos para atormentá-lo, não tinha memórias de qualquer contato direto com esse tipo de invocação. Então, só podia se perguntar qual era a sensação. ━━ Que espírito travesso esse, não é? ━━ Respondeu com uma risada baixa. Era exatamente aquele tipo de coisa que falhava em entrar em sua mente como algo mais que um conceito abstrato.
Apesar do contato incomum, não desviou e ainda deixou que a mulher o guiasse até o bar, apenas porque era bastante adepto de deixar as coisas acontecerem, de ver até onde as pessoas iam. Especialmente quando se sentia intrigado. Ou quando precisava descobrir alguma coisa. Naquele cenário, ambas as situações eram possíveis. ━━ De todos os drinks que podiam preparar para você, sua escolha é cerveja? ━━ De fato, ela era uma mulher intrigante.
Ali estava o que ele sabia que viria em algum momento. E não era nada além de óbvio, uma vez que aquele era um evento político no fim das contas. ━━ Estamos aguardando respostas, do mesmo jeito que todo mundo na cidade. Ninguém assumiu as mortes. O que resta é pensar se tem alguém mentindo ou se estão tentando incriminar inocentes. ━━ Pessoalmente falando, Bjorn acreditava que muito, senão tudo dentro daquele cenário de caos podia ser obra da Ordo Noctis, mas infelizmente eram só palpites. ━━ O que você acha?
Depois de fazer o pedido para um barman, especificando que ele deveria usar uma ipa e limão taiti para a receita, sua atenção se voltou completamente ao homem. Se sentou no banco alto e aveludado do bar e começou sua réplica dando de ombros. Cerveja era um tópico sensível para Mila, passaria horas decorrendo as sutis diferenças e nuances de cada categoria, mas sabia que Sehested estava mais inclinado à lhe cutucar do que qualquer outra coisa com o comentário.
ᅟ ︎── Fazer o quê. É o meu jeitinho. ─ Uma leve piscadela e um balanço de ombros acompanhados de uma risada calorosa. Mila era sempre assim, gesticulosa como um bobo da corte tentando tirar uma risada de todo mundo que cruze seu caminho. O drink veio a seguir e ela não se demorou em oferecer um brinde ao loiro. ─ À nossa amizade?
Se deliciou com seu drink gelado e cítrico, lambeu o restante de sal em seus lábios e repousou a grande caneca sobre o bar. Esperou mais uma vez não ter ninguém por perto antes de continuar o assunto, dessa vez tratando de frisar que jamais suspeitaria dos vampiros.
ᅟ ︎── Certamente não foram nem vocês e nem a gente, caso contrário alguém já teria vazado alguma informação sobre a aparência dos cadáveres, sabe. Somos bagunceiros nesse sentido. Num tom mais leve, talvez sejam os humanos e eles acabem deixando para trás alguma pista.
⸸ ⠀⠀⠀ ⠀ ﹏ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀já conhecia a voz de emília, da mesma forma como recordava-se dos trejeitos de cada membro da astra. conhecimento era a única forma de poder que heathcliff possuía ali e, portanto, era de bom tom que se mantivesse sempre altivo. não estava prestando atenção em suas histórias, bem da verdade: apenas registrava a presença alheia em sua mente, como se guardasse seus detalhes caso estes se tornassem necessários em momento posterior. sendo assim, surpreendeu-se ao ter suas mãos seguradas pela figura da mulher esbelta. conteve seu impulso de dar um passo para trás (não estava habituado a ser tocado), e ofereceu-lhe um meio sorriso engessado. ⸺ tomar uma? ⸺ perguntou, certa dose de humor delineando suas palavras. ⸺ bom, considerando que é um evento especial, talvez... uma taça. o que me diz? vinho, champanhe?
Por mais que pudesse sentir o desconforto de Vulpe, se permitiu mantê-lo próximo por mais um instante, tentava em vão esquentar as mãos gélidas do vampiro enquanto seu olhar queimava seu ser. Ofereceu um sorriso lisonjeado quando seu convite foi aceito, e se pegou ponderando por alguns segundos se escolheria um espumante ou um vinho. Finalmente lhe concedeu seu espaço pessoal de volta e olhou ao redor, localizando o bar.
ᅟ ︎── Algo seco? Um merlot, que tal? ─ O salão estava cheio, portanto com sua linguagem corporal se prontificou a demonstrar que faria o favor de buscar as taças, claramente estava só esperando uma resposta. ─ A gente se encontra no jardim? Queria conversar com você.
Como o responsável por cuidar da segurança dos membros e negócios dos Nocten, Bjorn tinha por hábito manter atualizado seu conhecimento sobre os membros dos outros grupos. Achava que seria irresponsabilidade da sua parte não se atentar aos seus movimentos. Afinal, a trégua entre eles era por motivos de força maior e estarem todos no mesmo ambiente era uma ótima oportunidade para exercer o ditado que dizia para manter os amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
Observava a mulher contanto a história com toda a sua atenção e um genuíno interesse pela vivência contata. Sempre achava outras espécies fascinantes, era um fraco seu, por assim dizer.
━━ Oras, por que parou a história? ━━ Perguntou assim que a mulher se aproximou o bastante. ━━ Vai mesmo deixar seu público curioso assim? ━━ Continuou, arqueando as sobrancelhas. A oferta para beber arrancou uma risada suave, anasalada, mas então Bjorn assentiu em concordância. ━━ Do que você gosta?
ᅟ ︎── Se você tiver curioso é só perguntar, bem. ─ Revidou com um sorriso aberto para o homem. Ela soltou as mãos do conhecido e se colocou numa pose de historiadores: a mão no peito e a outra na cintura. Gostava de ser teatral com os vampiros, não num tom zombeteiro, mas sim meio que apreciando o fato de que eles viveram alguns séculos bem engraçados em questão de bons modos. ─ Eu resumo rapidinho só pra você: era um espírito bem pequenininho que queria trançar os pêlos da minha loba, mas ela mordeu a mão dele e ele foi embora chorando. ─ Quando percebeu quão rápida a história tinha sido, deu de ombros e mordeu os lábios com as sobrancelhas arqueadas, a cara de quem diz "ops". ─ Hm, não deve ter tanta graça quando eu só falo a verdade, né? Foi mal.
A risada do homem a fez bater palmas e mais uma vez se aproximar, dessa vez o abraçando de lado pelo ombro enquanto o guiava para o bar. Acenou para algumas pessoas durante o caminho mas não ficou em silêncio nem um segundo, deixando claro que não deixaria a oportunidade passar.
ᅟ ︎── Que bom que perguntou, vamos beber michelada! Cerveja com limonada e um salzinho em volta do copo, não tem quem não goste. ─ A mulher olhou em volta discretamente, assegurando-se de que ninguém lhes dava atenção antes de interrogá-lo rapidamente no mesmo tom leve de conversa, como quem não quer nada demais. Mas Mila seria muito boba de não tentar pescar uma informação do lado dos Nocten sempre que tivesse a chance. Sabia também que Bjorn não era nenhum sonso e não faria sentido dar muitas voltas no assunto. ─ Mas me conta, como vocês estão lidando com as notícias? Tá difícil não ter acesso aos artigos da polícia dessa vez. Se pelo menos a gente soubesse de alguma coisa...
𝚘𝚙𝚎𝚗 𝚜𝚝𝚊𝚛𝚝𝚎𝚛 ⇶ 𝚜𝚎𝚝𝚝𝚒𝚗𝚐: numa mesa do salão do baile de máscaras. uma pequena multidão se junta para ouvir as histórias de Emília.
ᅟ ︎── E eu juro pra vocês, era o lugar mais escuro e mais quente que eu já vi na minha vida. Não tinha a mínima possibilidade de ver nada do que 'tava na sua frente, era puro breu.
Ela não se importava em mentir de vez em quando, para impressionar os humanos que já são por natureza facilmente influenciáveis. Claro que olhos humanos não conseguiriam ver nada, mas os seus não eram como os deles, Mila conseguia ver claramente o alvo em questão à sua frente. Era uma velha história da vez que um espírito da natureza zombeteiro veio atazanar sua paciência numa lua cheia. Ela também mudou o fato de essa história não ser exatamente sua, e sim da sua guará. Mas sua cara nem ardia até avistar um colega da Astra.
ᅟ ︎── ... Mas o restante dessa história vai ficar pra outra hora! ─ bradou firmemente para sua audiência que vaiou e implorou por mais antes de Mila deixá-los para trás ao que se aproximava da figura familiar. Quer dizer, mais ou menos familiar já que todos usavam máscaras bem marcantes e chamativas para se esconder. Parou ao lado dx conhecidx e fez uma reverência antes de avançar para suas mãos, a segurando entre as dela. ─ Quem poderia ser, hmm?! Aceita tomar uma comigo?