sobre 12.07.18 - Experiências do Sensível
Júlia nada mais é do que uma quebra-pedra, plantinha serena que vive em todos os cantinhos úmidos e imperceptíveis - ou pouco - que podemos imaginar. Ela às vezes está no chão da rua, pertinho da calçada que limita o chão da estrada, da porta de uma casa, às vezes no montoado de plantas que nascem em árvores, campos, matagais, enfim, Júlia é versátil.
Usualmente seu nome é quebra-pedra.
Cientificamente é Phyllanthus niruri.
E para os íntimos, Júlia ou Juju.
E este é o seu instagram:
Aqui o link: https://www.instagram.com/juliaaplanta/
Quando a arranquei, ela parecia preparada para isso, pouco se moveu, ficou serena, saiu com facilidade e continuou com o seu aspecto de beleza enquanto eu a observava nos primeiro cinco minutos de contato. No geral ela foi muito boazinha e companheira, até posou para algumas fotos para o meu diário de bordo. É uma planta simpática, que por enquanto eu não sei o nome.
Os quinze primeiros minutos:
Aparentemente ela não é uma plantinha que aguenta todos os tipos de “corre” pois já está começando a murchar, engenhando todas as folhinhas e começando a engenhar alguns galhos do meio da sua estrutura também.
É gostoso pegar ela e levantar, vai dançando com o vento pequeno que perpassa as suas folhas, e quando a rodamos com o polegar e o indicador, assemelha-se à uma noiva, uma princesa em valsa nas festas iguais aquelas da Disney com os seus príncipes. Também me lembrou a passagem de um filme, Jogos Vorazes, quando Katniss Everdeen precisa apresentar-se à população rica da capital, na televisão, e ela aparece com um vestido surpresa, que ao girar em rodopio, ele flameja em chamas.
Não sei se é uma técnica de defesa, mas a retração por parte dela está muito forte. Percebi que 60% das folhas de um dos seus galhos já haviam caído, ela é tão sutil que só pude perceber quando olhei o sofá e achei uma folhinha, olhei pelo chão achei outra, na cozinha outra, e assim por diante.
Por ser uma planta bem dócil e calminha, não reage muito as alterações do ambiente, até então percebido nesses quarenta primeiros minutos de contato. A gente virou bem amigo, conversamos sobre moda, política, Marcos Bagno e mariposas, ela é sempre muito legal quando me responde calada.
Desfalecimento das menores:
Quando teorizei Juju, num documento, mencionei que ela tinha a estrutura de uma árvore de natal, mas foi para categorizá-la e ficar mais legível para que o leitor entendesse um pouco melhor de como eu queria que ele a imaginasse, para assim ele entender como ela seria. Porém, agora em detalhes, digo que nas partes do meio e de baixo ela possui alguns galhos pequenininhos também, seriam espécies de filhos, sobrinhos ou priminhos pequenos, que ao que tudo indica estão em fase de crescimento - acho que um tiquinho mais lento que o normal. Enfim, esses galhinhos estão se engenhando muito mais rápido do que os outros galhos maiores, provavelmente porque são mais frágeis e por possuírem menos complexidade. Concluo que elas morrerão primeiro.
A primeira palavra que define este tópico é imperceptível. Como já disse, ela é calminha demais, a senhorita Júlia é serena e discreta, acho que se diverte melhor em baladas ou em shoppings.
Nos seus looks eu palpitava, em mente, que ela sempre preferisse as cores vivas, mais vibrantes, uma pegada bem natureza moderna, natura pop atual. Porém agora ela tá seguindo um caminho meio pastel, umas cores mais acinzentadas, um toque a menos de vibração. Isso deve fazer parte da mudança repentina de clima que está tendo aqui em Arraial pois quando a arranquei estava mais para sol do que para nublado e agora está mais para nublado do que para sol.
No passar das horas as bolinhas estão estourando e deixando rastros por todos os locais da minha casa, e em cada estouro ela faz um estalar que nem parece vir dela. Percebi que era dela agora, depois de muito tempo ter ouvido esse estalo e ter achado que era alguma coisa do notebook.