Ele me conhece por completo. E quando digo por completo, não quero dizer apenas que ele sabe o meu sabor de sorvete preferido, o lado que eu jogo o cabelo ou a cor de esmalte que eu sempre pinto as unhas. Eu quero dizer que ele me conhece da ponta da unha do dedo do meu pé até a ponta do fio do cabelo atrás da minha nuca. Ele sabe decifrar todos os meus cheiros, gostos, pensamentos. Porque ele faz a equação matemática da minha vida, cheia de problemas e sem solução alguma, virar uma poesia romântica gostosa de se ler em uma manhã de quarta feira. Eu não preciso fingir que sou a mais bonita ou a mais inteligente ou a mais engraçada no meio de uma multidão de tantas outras pessoas bonitas, inteligentes e engraçadas por aí. Eu simplesmente não preciso fingir. E ele sabe que a cada dia eu me renovo de um jeito diferente e imprevisível. O meu humor pode mudar, mas a paciência dele não muda. Nunca. Porque se choro, ele consente. Se dou gargalhada, ele entende. Se sou má de vez em quando, ele diz que tudo bem, que todo mundo precisa ser um pouco mal também. Porque ele conhece todos os meus medos, angustias e fobias. E sabe que, vez ou outra, os meus defeitos sobrepõe as minhas qualidades. E o mundo se torna pesado e todos os habitantes dele viram monstros que perseguem a minha felicidade. Mas, ainda assim, ele consegue me fazer rir e pensar em como é bom ter alguém pra dividir o peso de respirar e se manter em pé. E sorri dizendo “como você consegue complicar tanto as coisas?”. Daí eu penso que sempre problematizo tudo só pra ver ele sorrir de novo, desse jeito, e virar a minha luz no fim do túnel. E então eu sou salva, de mim mesma ou de todos os outros, por causa dele pela milésima oitava vez. Ele me conhece por completo porque sempre me dá saídas sem nunca sair do meu lado.
Capitule (via aprendizdepoeta)
















