The Curious Case of Benjamin Button (2009) dir. David Fincher
Lint Roller? I Barely Know Her
Show & Tell
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
almost home
The Bowery Presents
Claire Keane

Love Begins

#extradirty
untitled
Cosimo Galluzzi

No title available
macklin celebrini has autism
h
Not today Justin

gracie abrams
Color Me Curious
The Bright Sessions
KIROKAZE

if i look back, i am lost
One Nice Bug Per Day
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@vienpoesie
The Curious Case of Benjamin Button (2009) dir. David Fincher
amei alguns homens mais do que a mim
mesma
assim como as mulheres que elogiei como nunca me fiz
eu enxerguei beleza em outros corpos
com as mesmas suturas
marcas
e formas
e não fui capaz de fazer o mesmo
com o meu
quantas vezes performei na cama
a imagem erótica que mereciam
e esqueci que também sou feita de prazer
carne
osso
gozo
não precisa limpar a boca antes de me beijar
de agora em diante eu também me devoro com os dentes.
Etaf Rum, from “A Woman Is No Man”
Anaïs Nin, The Diary of Anaïs Nin, Vol. 1: 1931-1934
O brinco
Pode ser que como as estrelas as coisas estejam separadas por pequenos intervalos de tempo pode ser que as nossas mãos de um dia para o outro deixem de caber umas dentro das outras pode ser que no caminho para o cinema eu perca uma das minhas ideias preferidas e pode ser que já na volta eu me tenha resignado alegremente a essa perda pode ser que o meu reflexo sujo no vidro da lanchonete seja uma imagem de mim mais exata do que esta fotografia mais exata do que a lembrança que tem de mim uma antiga colega de colégio mais exata do que a ideia que eu mesma agora tenho de mim e portanto pode ser que a moça cansada de olhos tristes que trabalha na lanchonete tenha de mim uma imagem mais fiel do que qualquer outra pessoa pode ser que um gesto um jeito de dobrar os lábios te devolva subitamente toda a infância do mesmo modo que uma xícara pode valer uma viagem e uma cadeira pode equivaler a uma cidade mas um cachorro estirado ao sol não é o sol e uma quarta-feira não pode ser o mesmo que uma vida inteira pode ser meu querido que esquecendo em sua cama meu brinco esquerdo eu te obrigue mais tarde a pensar em mim ao menos por um momento ao recolher o pequeno círculo de prata cujo peso o frio você agora sente nas mãos como se fosse (mas ó tão inexato) o meu amor.
Ana Martins Marques, in: A extração dos dias [poesia brasileira agora]. Org. Gustavo Silveira Ribeiro
Man and Woman, Edvard Munch. 1914.
Le combat dans l'île (1962) dir. Alain Cavalier
Anne Frank // unknown
Cleo from 5 to 7 (1962), dir. Agnès Varda
Sexta-feira, 22
Palavras. São tudo o que me deixaram. Minha herança. Minha condenação. Peço que as revoguem. Como pedir? Com palavras.
As palavras são minha ausência particular. Como a famosa "própria morte" (famosa para os outros), em mim existe uma ausência autônoma feita de linguagem. Não entendo a língua e é a única coisa que tenho. Eu tenho, sim, mas não sou. É como ter uma doença ou ser possuído por ela sem que ambos se cruzem, porque o enfermo luta ao seu lado - sozinho - com a doença, que faz o mesmo. Escrevo na ausência de uma mão na minha mão, na ausência de dois olhos diante dos meus, na ausência de um corpo externo no qual eu possa me apoiar - mesmo que por um minuto - e chorar. (Lágrimas visíveis, enxugáveis, que a mão desejada lhes ponha um fim.) Este silêncio das palavras que me invadem, das quais digo e escrevo, é horror, vertigem, dor no seu estado mais puro. Onde encontrar uma presença humana que me acalme? Ninguém jamais poderia; nem amigos, nem amantes. Apenas corpos vazios que diferencio das coisas, apenas fantasmas dos que um dia amei, para pulverizar minha consciência e minha memória.
— Alejandra Pizarnik em Diários, 2016 (1955-1972)
“My husband called me to tell me he had spent the evening thinking about an artist who killed himself. He said he had imagined the bridge he jumped off was small, quaint, something out of an Elizabethan novel, but instead it was an enormous busy overpass, like the Golden Gate or the Bay Bridge. Somehow that made him sadder. As you age, all the romance of suicide is sucked out. Another friend calls to tell me she is thinking of all the poets that have died before the age of fifty. How that used to sound old, and now it sounds so young. In an interview someone asked me why I chose to talk about Muriel Rukeyser rather than Plath or Sexton and I said, ‘Because she lived.’ I worry about how we celebrate women poets who committed suicide young. Is it because they don’t have bodies anymore? Is it easier to love a woman who cannot talk back? Cannot be more than words on a page? Cannot age in a body?”
— Ada Limón on Preparing the Body for a Reopened World, for Lit Hub
Há estes dias em que pressentimos na casa a ruína da casa e no corpo a morte do corpo e no amor o fim do amor estes dias em que tomar o ônibus é no entanto perdê-lo e chegar a tempo é já chegar demasiado tarde não são coisas que se expliquem apenas são dias em que de repente sabemos o que sempre soubemos e todos sabem que a madeira é apenas o que vem logo antes da cinza e por mais vidas que tenha cada gato é o cadáver de um gato
Ana Martins Marques, em O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015
“Love me, because love doesn't exist, and I have tried everything that does.”
— Jonathan Safran Foer, Everything Is Illuminated
A Streetcar Named Desire (1951) dir. Elia Kazan
“If hunger is a synonym for violence, it mistakes itself too often for mercy.”
— Portrait of My Body as a Crime I’m Still Committing, ‘But First the Stomach’ by Topaz Winters
A Streetcar Named Desire (Elia Kazan, 1951)
季節が早くて、追いつけない
“It makes me tremble. To think back. I remember exactly how I thought life would be.”
— Anne Carson, from The Beauty of the Husband