𝟐𝟐𝐡𝟐𝟗𝐦𝐢𝐧, 𝐬𝐞𝐜𝐨𝐧𝐝𝐚 𝐧𝐨𝐭𝐭𝐞 𝐝𝐢 𝐥𝐮𝐧𝐚 𝐦𝐞𝐬𝐬𝐢𝐬: 𝐭𝐡𝐞 𝐟𝐢𝐭𝐭𝐢𝐧𝐠
E lá se foi o último casal, depois de Verena ter ajeitado todo o look da baronesa de New York, prontíssimos para fazer com que Dio corasse ante o que tinham preparado para a noite. Até ela tinha um par. A baronesa de New York: Niamh, a esquisita. O pensamento provocou uma onda de nervoso na italiana, que bufou ao se jogar na cama de dossel mais uma vez, deitando-se de bruços e encarando cada uma das peças que tinha pré-separado para a noite: desde a lingerie nada conformada ¹ até o Jean Paul Gauthier vinho. Poucos metros à sua esquerda ², a capa da Vogue, mamma, a encarava com um tom de desprezo. “Don’t look at me like that. ³” Reclamou em tom manhoso, o rosto enterrado na colcha de algodão, muito ciente de que estava nadando em um mar de autopiedade. Como Dio podia ter deixado isso acontecer com ela? Logo ela, que era uma das seguidoras mais fieis? Ela não merecia um pouco de diversão, fora aquela que ela mesma conseguia para si durante todo o resto do tempo? Devia estar se preparando e saboreando cada uma das sensações do Lunae Messis àquela altura, e não… Não com as crianças. Bene, se ele não pegaram seu lenço, como ela tinha previsto — ou nem mesmo lutaram por ele —, Nena tinha uma ideia muito melhor de como passar a segunda noite. Mais importante: não envolvia ficar sozinha! Levantou-se, ajeitando a maquiagem com cuidado antes de buscar no closet as roupas próprias para a sua própria caçada. Que os deuses da moda a perdoassem, mas Verena não ia deixar que nenhum bicho subisse pelas pernas macias, tirando a calça de couro do cabide e a vestindo junto com o body de renda, para então pentear o cabelo à sua maneira. Geralmente, Nena tinha Maria para fazer aquele tipo de coisa para ela, mas tinha aperfeiçoado a maquiagem há algum tempo, delineando o olho com perfeição antes de passar o batom e o perfume especial. Vabbè, aquilo deveria servir! Ela só precisava… Questo 4 ! Mordiscou o lábio inferior, admirando-se no espelho — Dio sabia como Nena podia ser egocêntrica — antes de sair pela porta, os olhos arregalados ante qualquer barulhinho. Vabbè, não deviam ter muitas pessoas por ali, mas não era como se Brunelleschi fosse a um lugar permissivo 5… Se reprimia 6 a cada passo, escutando os cliquety-clacks dos tamancos no piso de pedra, mas tinha valido a pena. Depois de dez minutos, chegou ao corredor que a interessava, comprimindo os lábios em uma linha fina antes de bater à porta dele, impaciente demais ao se recostar no batente. “Aiutami. Sei la mia unica speranza. 7″ Começou assim que Bianchi abriu a porta, puxando-o para fora do quarto, ainda que Nena já estivesse entretida com a ideia de passar a noite dentro dele. “Eu preciso achar meu lenço… Questão de vida ou morte.” Deixou escapar de maneira dramática na língua materna, semicerrando os olhos, muito ciente do estado de @vinceconquistar enquanto entrelaçava os braços no pescoço do italiano, cabeça pendida levemente para o lado. “E se non mi aiuterai, andrò da solo. 8” Piscou, séria, antes de jogar uma mecha do cabelo para trás da orelha, certa de que o bico característico já estava formado, como se estivesse pedindo para ele acompanhá-la. Guarda bene, estava falando sério. Precisava de Cenzo, è vero, para salvá-la de todos os bichos lastimantes 9, mas estava vestida para uma caçada e, se ninguém conseguira achar seu lenço… Ela acharia.
Vince gostaria de acreditar que os anos de atos inconsequentes e rebeldia travessa tinham ficado para trás junto com a infância e a adolescência. Ele tinha coisas maiores sob seus ombros agora, responsabilidades, ele era a porra de um adulto per l'amor di Dio. Seus superiores, de ambos os lados do jogo, sempre diziam que o seu maior problema era fazer as coisas do jeito que o próprio considerava correto no momento, sem avaliar o plano maior, sem obedecer cegamente as ordens que lhe eram dadas. O tiro podia ter saído pela culatra quanto a essas características, mas a sorte estava em seu encalço até então. Sabia que não poderia contar com a sorte para sempre, era preciso crescer. E no entanto, lá estava na noite anterior correndo mata adentro entre azuis psicóticos e sanguinários atrás da merda de um lenço branco com as iniciais “V.B”. Algo acontecia quando se tratava da Brunelleschi que fazia com que seus neurônios fritassem e todo o bom senso fosse atirado pela janela. Sequer esperava que realmente fosse encontrar o lenço, apesar de ter saído antes dos azuis e conhecer o terreno o máximo que era permitido aos guardas – o que já era mais que a realeza poderia afirmar. Mas ali estava, intocado até então. Assim que o viu, a razão caiu sobre si como um balde de água gelada. O que estava fazendo? Ele não precisava disso. Havia meses que ele e a princesa tinham estabelecido uma relação amigável, por assim dizer. Ela iria noite sim, noite não para seu quarto – mesmo sem ser convidada, principalmente quando não era convidada. Suspeitava que ela tinha as chaves de alguma forma e isso por si só já era preocupante. Não sabia o que estava fazendo. Jurava que tinha tentando se livrar do lenço. Tentou continuamente colocar de volta na mata onde estava, e o lenço aparecia como mágica em suas mãos novamente. Tentou lavar o que quer que estivesse impregnado no tecido para que isso acontecesse, mas após poucos segundos seguindo a correnteza do pequeno riacho – o bolso encharcado pesava com o maldito pano. Isso era loucura. Não podia continuar jogando aquele jogo. Por que o lenço também não recorria a razão e tratava de buscar um pretendente da realeza para portá-lo? Que merda. Apenas quando desistiu de se livrar dele que o pequeno pedaço de tecido bordado pareceu descansar, evitando as diversas partes do corpo do Bianchi que parecia querer explorar. Só podia ser o lenço de Verena, tão irritante e persistente quanto. O corpo estava exausto da noite em claro e das múltiplas tentativas de consertar o erro que beirava a idiotice. Recorreu ao banho quente para relaxar os músculos e ignorar o passar das horas que denotava o início da segunda noite. Três batidas apressadas na porta quebraram seus devaneios, jogou a toalha por cima dos ombros ao abrir a porta encontrando ninguém menos que a “V.B” vestida de renda preta e salto alto. Os olhos se demoraram pela figura esguia resistindo ao impulso de puxá-la para dentro do quarto. “…Verena?”. O corpo congelou ante as palavras da princesa, é claro que alguma coisa iria acontecer. Só não esperava que a fonte viesse até ele pedindo ajuda, e se fosse honesto nem sabia o que estava esperando mais. Olhou para ambos os lados para verificar que os corredores estavam vazios enlaçando a cintura fina com cuidado, a mão livre repousando em um dos braços de Verena. “E o que você pretende fazer quando encontrar esse lenço?”. Esperava que o meio sorriso descontraído escondesse a falta de surpresa que demonstrou quanto a situação do lenço perdido. Os dedos passeavam pelas costas arrastando o tecido colado ao corpo da azul com o movimento, aproximando seus corpos intencionalmente. Revirou os olhos com a afirmativa da mulher. “Verena, você sabe que está de salto alto, non? É verão, no meio de uma floresta úmida, a terra macia, por vezes lamacenta. Você não pode andar nisso, é uma armadilha em forma de sapato.”











