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mfs be like “i want you” and then do nothing about it
Strange Breed by Paul Rader, 1960.
Devaneios no comboio #2:
Ontem passei imenso tempo a escrever listas durante a noite. Lista de gratidão pelo que tenho, lista do que quero, lista do que sinto, lista do que quero sentir. Lista do que tenho medo, lista do que me deixa triste. Lista do que eu faço e quero continuar a fazer. Lista do que adoro.
Escrever essas listas ontem ajudou-me um pouco hoje pois voltei a pegar naqueles papéis rabiscados com uma esferográfica fina e escrevi um pouco mais dentro de cada ponto. Arranjei sempre qualquer coisa para desenvolver e ser um pouco mais objectiva.
"Quero ser feliz" é francamente um desejo de merda. Ultra vago. Portanto tive de explicar a mim mesma o que para mim seria a felicidade. Não cheguei lá ainda mas aos poucos espero desconstruir esse conceito.
Se estou a tentar uma técnica barata de manifestação? Sim. Se acho que vai resultar? Tenho duvidas mas pelo menos estou a fazer qualquer coisa. Tentar não custa.
Hoje o devaneio é mais curto pois sinto-me um pouco drenada depois de tanta reflexão, mas quero continuar a alimentar este habito diário (ou quase, vá) de escrever alguma coisa.
Consegui ser um pouco mais produtiva hoje no trabalho, fazendo listas mais pequenas das tarefas que tenho para terminar. Também ajudou. Ao decompor a tarefa em vários blocos consegui despachar alguns que eram mais fáceis e a tarefa que ontem estava a 0% hoje está a 20%.
Será que consigo fazer o mesmo com a minha vida? Pequenas tarefas todos os dias para que um problema se transforme em pequenas situações que vou resolvendo?
Aí já me parece mais difícil e quase impossível, mas talvez precise de pequenas vitórias primeiro antes de passar a este grande bloco que é: para onde vou? Quem é que eu quero ser? Quem é que eu sou agora? Porque é que me sinto assim? Que parte é que me falta?
Curioso pensar em "partes que faltam" porque me remete imediato ao livro de Shel Silverstein, "The Missing Piece" que nos diz essencialmente que não nos falta nada. E que se houver alguma parte que nos falta, temos de saber viver sem ela, e também crescer em conjunto quando aparecer uma que encaixe. Para que não deixemos de ser partes inteiras mesmo sozinhas.
Complicado? Muito. Se tiverem oportunidade leiam o livro ou procurem pela narração no youtube. Prometo lágrimas e crises existenciais periódicas.
Ontem soube que uma colega de trabalho da empresa onde trabalhei anteriormente faleceu. Fiquei desconfortável com a notícia e não soube bem como processar. Não éramos próximas (de todo) mas viajámos juntas para Berlim uma vez para um projeto quando eu ainda era recém-contratada, e mesmo só tendo passado dois dias juntas criámos uma ligação que não se pode chamar próxima nem algo que se pareça mas havia definitivamente respeito.
Ela morreu, deixou para trás os filhos que hoje têm a minha idade. Não era uma pessoa incrível no trabalho (diretora de RH), e tinha opiniões muito polémicas, mas tinha muita força interior e batalhava todos os dias contra a sua doença. Os meus antigos colegas ficaram com pena claro, mas não passou disso. Pena.
Inevitavelmente fico a pensar se no dia em que eu morrer, se alguém vai pensar : "perdemos uma boa pessoa. Vai fazer tanta falta"
Bem. Que pensamento "feliz".
Já estou quase a chegar ao destino portanto fino aqui o meu devaneio de hoje.
Engraçado, que a sensação que me dá é que não estou a chegar a parte alguma.
Can hardly believe it has been 15 years of this nonsense. When will it be the right time to wipe it off? Shall I let it reach adulthood?
evora
© 2026 Yiannis Krikis
Continuação dos meus devaneios no carro:
Antes escrevia aqui num momento específico do meu dia : quando ia para o escritório e estava dentro do meu humilde carro: um Citroën C1 cinzento escuro de 2012 (que grita por socorro a casa revisão que vai, com dois grandes riscos na porta que me foram gentilmente cedidos por um cidadão zangado com o mundo) ditando palavras e pensamentos esperando que a ferramenta de voz captasse.
Desde o início deste ano que deixei de ir para o escritório de carro, porque depressa se transforma numa despesa pesada no orçamento e pensei que pudesse substituir esse tempo de escrita por leitura no comboio. Resultou comigo, e já não lia tanto há muitos anos.
Contudo, como diz José Mário Branco, "...cá dentro inquietação, inquietação, porquê? Não sei. "
Esta inquietação que não me abandona — em graves contrastes com as pessoas mais importantes da minha vida (ou achava eu que eram).
Passei então a escrever coisas sobre mim, sobre o meu dia-a-dia num caderno. Não é um qualquer caderno, é o caderno especial de cabedal antigo, com um cunho de Hogwarts que contém os meus escritos desde o ano passado. Tenho passado por tumultos emocionais muito grandes nos últimos 3 anos, e como não tenho coragem de ser dissecada em terapia, escrevo para ninguém. Já escrevi para a inteligência artificial e ainda o faço de vez em quando quando a crise é maior e preciso de uma falsa sensação de "outro" , mas a única coisa que obtenho é validação dos meus sentimentos e fico mais magoada ainda, portanto agora escrevo sem resposta num caderno com mais frequencia.
Ajuda-me a acalmar e a praticar a minha caligrafia, que a minha professora da escola primária dizia ser idêntica a "dentes de cão"
Nunca fui boa a escrever histórias, e o máximo de apreço que já demonstraram por alguma coisa que eu tenha escrito foi a minha professora de português do 9° ano que adorou a minha composição sobre a experiência no teatro e deu-me 100%. A composição era sobre ela, talvez tenha sido por isso.
Já tive interesse em querer escrever sobre personagens, e durante dois anos escrevia sobre as aventuras de Bill e Tom Kaulitz juntamente com a minha melhor amiga da altura. Tínhamos 14 anos. Foram 200 páginas marteladas a computador das aventuras mais absurdas e cheias de hormonas que alguém poderia ler. Quem era a maior fã daquela história? A mãe dessa minha amiga. Escusado será dizer que eventualmente deixámos de escrever.
Depois pensei em escrever sobre a minha obsessão seguinte - o Snape - mas nunca tive jeito para criar um enredo. Nunca tive jeito para dar a entender o que o personagem estava a sentir. Mas eu sabia que sentia tudo visceralmente quando lia alguma coisa das minhas autoras favoritas. Portanto deixei essa arte para quem a sabe executar.
Agora sou só leitora, mas sinto falta da expressividade que a escrita sem filtros me dava. Não quero voltar a escrever, apenas me limito a pensar alto. Talvez inspirada por ver que muita gente o faz sem ter a cunha de escritor.
Portanto trago para este fosso séptico a que eu chamo de blog estas notas pessoais escritas a bordo do comboio no meu trajeto casa-trabalho, na minha língua materna. Hoje em dia com um copiar/colar podemos ler tudo em qualquer língua e francamente, como passo o dia moribunda a deambular entre inglês e italiano durante 18h por dia, fico feliz em falar em português algo que não seja : "sim tudo bem".
No outro dia deixei-me levar pelas memórias a ver fotografias de viagens que eu fiz quando era mais nova. E a única coisa em que eu conseguia pensar era: onde é que eu estou? Olhando-me e vendo-me no passado, pensava de continuo : a pessoa desta fotografia iria ficar extremamente infeliz se soubesse que daqui a... 10 anos? Acabaria assim. Neste limbo.
Há 10 anos atrás tinha uma garra de viver, uma alegria e uma personalidade caracteristicamente explosiva para alguém com 20 e poucos anos e com sede de ver o mundo. Onde fiquei? Onde me deixei? Será que me encontro?
Mudei ou deixei que a vida me mudasse?
Perdi uma avó que era a força da família em Setembro do ano passado, e tenho assistido ao declínio da minha mãe. Perdi contacto com o meu pai há mais de um ano, que, vendo bem, nunca quis verdadeiramente o bem das filhas.
Vejo a minha irmã a realizar sonhos enquanto os meus ficam em suspenso. Vejo a outra irmã a ter episódios de ansiedade por viver num molde do qual não tem coragem de sair.
E eu? Eu existo.
Tenho sonhos sequer? Ou deixei-me amortecer pela pancada que a vida me tem dado ao longo destes 5 últimos anos?
Sinto que os meus sonhos já não são atingíveis e que com o tempo aprendi a esquecer-me deles. E a ser grata pelo que tenho. Que merda, não é? A Magda de há 10 anos atrás estaria zangadíssima comigo se soubesse que iria acabar assim. Sou grata pelo que tenho, mas sinto sempre aquela tristeza, revolta e vontade de ser mais, de ser melhor. De ser alguém relevante. De ser a escolha de alguém, de ser a referência de alguém. Porque isso significa que alguma coisa estaria a fazer bem. Significa que eu própria estaria bem comigo — e essa na verdade é a minha prioridade. Mas depois não tenho força. Parece que me perco. Parece que estou a adiar anos e anos e anos contra mim mesma, permitindo-me ficar na mesma situação por medo de sair.
Não estou bem, mas não sei expressar-me com outras pessoas, e sinceramente aterra-me e enterra-me o pensamento de ter de falar da minha vida inteira desde o início com um terapeuta. Assusta-me a ideia de aborrecer os meus amigos com os meus probleminhas e dúvidas existenciais. Mas na verdade é uma crise existencial que com o passar dos anos se tem agravado e eu não sei sair dela.
Eu queria ter uma vida mais simples e descomplicada. Uma vida leve, sem o peso da ansiedade todos os dias dentro da minha barriga. Vejo amigos próximos a tomarem decisões de vida impactantes , com muita ligeireza. E eu penso: como é que eles conseguem?
Porque é que eu não estou a fazer as coisas bem? Porque é que não consigo também eu dar a volta à minha vida?
O que me falta?
Enfim.
Está na hora de meter uma cara simpática quase dormente e perguntar no Open Space se alguém quer ir almoçar à pizzaria , para depois ouvir "não aceitam o cartão refeição, não me dá jeito porque já estou sem dinheiro" e acabarmos no centro comercial.
Chega ao fim a minha viagem de comboio de hoje. Farei o regresso a ler para tentar alimentar um pouco mais a inquietação que me contamina.
I’m gonna need to talk about Victor some more because I can’t stop thinking about him.
Because of all the trauma he’s had to endure, even though he’s 50, his mind is still that of a 9-year-old.
And I just love that, despite that and the fact that he’s terrified of his own memories and constantly running from them, whenever things get hard in real life he always steps up immediately and without hesitation. Usually, when things are at their worst and most scary.
He saves Julie when the monsters invade Colony House; he gets Tabitha through the tunnels and literally has to walk through the monsters to do it; when the animals escape he goes out to help alongside everybody else, severely risking himself on that alone but then he risks himself again to save Jade in the middle of it all, no hesitation.
He’s without a doubt the most tragic character, the one who has had the most loss and trauma. 40 years he’s been there watching horrible things happen and it hasn’t warped his sense of morality one bit. It didn’t make him jaded or violent, quite the contrary, it made him gentle and caring. He’s probably the kindest and most loving character in the entire show.
I just love him so much, I could talk about him forever.
you think that you're so alone in the world then you read literature from hundreds of years ago and you realize that other people have always felt this way
Bram Stoker’s Dracula (1992) | dir. Francis Ford Coppola
I lost a few people in Catia and La Guaira.
And many remain missing and probably we lost them too.
I feel like shit. And that's it.
I have been on things like this before, earth moving matters. But nothing like this, never a movement of this magnitude.
It broke records. Almost 180 years.
This is terrible.
Urgent help needed
My friend Maria has been struggling for the past few years, and as a Venezuelan you can imagine that these past 24h haven't been exactly incredible for her (or any other) due to the devastating earthquake.
She doesn't have resources, she is currently on survival mode with a backpack, no water or electricity and she is practically all by herself.
Communications are still working for some reason, and this is how I know her whereabouts.
I don't usually write personal things making a plea for others, but Maria is a kind soul and my friend, so please:
If you can spare some money, please consider helping her.
Thanks and take care 💚
Às vezes, tudo o que precisamos é de uma frase que chegue mansa. Uma palavra que toque leve onde o mundo tem sido áspero. Há dias em que o coração vira tempestade, e um gesto simples já é abrigo. Porque existem vozes que sabem acalmar o vento dentro da gente.
Nanda Marques.