Nada poderia tê-la preparado para a reação que o irmão teria ao descobrir sobre seu vício; em seus dias de medo no qual permitia seu lado ansioso ficar refletindo sobre como seria esse fatídico momento, as variáveis eram gritantes, mas era claro que a realidade sempre seria muito pior. A prática sempre seria diferente da teoria, e era isso que mais doía. Porque se ele estivesse gritando ou incrivelmente irritado consigo seria menos doloroso do que ver o irmão naquele estado: decepcionado e chorando, porque apesar dele tentar esconder, ela sentiu as lágrimas caindo em sua camisa assim que este a abraçou. Era um fato que ela se sentia sozinha, e não por ser culpa do irmão ou dos amigos, mas sim porque não queria importunar ninguém com seus problemas, Seonghwa já tinha seus próprios tormentos para lidar. O seu refúgio nas drogas foi algo que começou como uma bobeira, um convite de um amigo, e agora ela não conseguia mais viver sem, era vergonhoso para si aquele seu lado e Tiffany não queria que ninguém soubesse, nunca. Imaginou que quando chegasse em um ponto em que conseguisse ter equilíbrio emocional, iria eventualmente largar as drogas, ela achou que tinha tudo sob controle mas a verdade não era bem essa, quanto mais tentava lutar contra, mais se afundava naquele mundo obscuro e autodestrutivo, a instabilidade passou a ser seu pior pesadelo porque, no final, já não se sentia a mesma e acabava recorrendo ao vício. A Wong tentou segurar as lágrimas mas estas começaram a cair assim que o ouviu, sabia que o irmão estava se culpando por um erro dela e isso a corroía. "Me perdoa..." Foi a única sentença que conseguiu formular, a única coisa que sairia de sua boca sem que desabasse ali mesmo.
Seonghwa era o irmão mais velho, era sua obrigação proteger a sua irmãzinha de todos os males, mas falhou miseravelmente nessa missão. Ele nem conseguia ficar desiludido e irritado com a irmã por ter seguido esse caminho, porque com quem ele estava mais desiludido e irritado era consigo mesmo. O seu corpo abraçou o da irmã ainda mais forte quando sentiu que ela também chorava, fazendo assim com que o seu próprio choro se intensificasse. - "Está tudo bem..." - murmurou, afagando os cabelos da irmã enquanto a puxava mais contra o seu peito. - "Eu estou aqui." - completou, beijando o topo da cabeça da irmã e a afastando lentamente de si. Ainda com lágrimas nos olhos, o mais velho soltou um sorriso doloroso mas acolhedor enquanto ambas as suas mãos envolviam o rosto choroso da irmã e limpava cuidadosamente as suas lágrimas. - "Deixe-me ajudá-la, por favor." - ele basicamente suplicou, sendo que nem sequer precisava da aprovação da irmã para o fazer. Não importava o que ele tivesse que fazer, não havia nada neste mundo que o impedisse de ajudar a sua irmã, ele moveria montanhas e nadaria oceanos para salvar a sua irmã. Muito mais do que isso, ele mataria e morreria pela sua irmãzinha, então não, ele não mediria esforços para ajudar a sua irmã.













