The Twins Mochizuki
❝That is not difficult... it's u n b e a r a b l e.❞
–– Cristina Yang (Grey’s Anatomy)
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The Twins Mochizuki
❝That is not difficult... it's u n b e a r a b l e.❞
–– Cristina Yang (Grey’s Anatomy)
FLASHBACK
Desde que eram crianças, Yuna havia aprendido exatamente como convencer Dai a fazer o que ela queria e, com o tempo, a japonesa não precisava mais se esforçar tanto. Na verdade, o Shing havia aprendido por experiência própria o quão insistente a garota podia ser, e o quão feliz ela ficava quando aceitava fazer uma de suas vontades. Além do mais, Yuna era sua melhor amiga desde que ele se entendia por gente, ela havia sido a única que não havia o julgado nem chamado-o de estranho, e havia sido ela também que o defendera diante de toda a classe. Chegava a ser engraçado o quanto eles tinham em comum, talvez tenha sido esse o motivo que os fez ficar tão próximos. O sorriso de Dai pareceu se alargar ao ver a comemoração da garota, deixando-se ser guiado até onde a garota achava melhor para que dançassem. A princípio, ele ficou confuso com a mudança de trajeto, todavia, ele realmente não gostava muito de multidões, especialmente multidões em festas, então sentia-se agradecido por Yuna lembrar de tal fato e não fazê-lo sentir-se desconfortável com a ocasião. – Arigatō – O moreno agradeceu, em um tom de voz baixo, o suficiente para que apenas a Mochizuki o ouvisse falando. Observou-a tirar os saltos com certa curiosidade no olhar, perguntando a si mesmo como garotas conseguiam vestir aquele tipo de sapato, que começava a machucar seus pés após algum tempo usando-os. Dai fitou os próprios calçados por um instante, feliz por estar usando tênis e não um sapato social. Sem os saltos, o rapaz precisava abaixar um pouco a cabeça para olhá-la nos olhos, visto que os seus 1,80 o tornava mais alto que a garota. Timidamente, Dai começou a mexer o corpo de um lado para o outro, tentando acompanhar o ritmo da música, na verdade parecia que ele estava mais trocando o peso de uma perna para a outra do que realmente tentando dançar, mas, bem, era um começo. – Vocês fizeram um ótimo trabalho aqui. – Elogiou, dando uma breve olhada na decoração. – Está tudo bem… bonito.
Yuna analisou o jovem por um momento, passando os olhos por toda sua anatomia antes de abrir um sorriso nostálgico nos lábios rubros. Dai não havia mudado muito, além da altura e da aparência masculina mais madura, os olhos ainda possuíam uma doçura incomum, a mesma doçura que cativara a jovem há tantos anos atrás. A moça não pode evitar o riso divertido de escapar por entre os lábios enquanto observava o rapaz tentar mover-se conforme a música animada que tocava no salão, que por estar extremamente alta era possível de ser ouvida por todo o exterior da fraternidade. “Mattaku, venha aqui.” Disse Yuna em um tom de voz brincalhão, antes de agarrar as duas mãos do rapaz com as suas e mover-se juntamente com ele em um ritmo calmo, que não combinava nada com a música animada que tocava, mas a Mochizuki não se importava nem um pouco. Ela queria que Dai se sentisse seguro e a vontade com ela, capaz de soltar-se em seu próprio tempo e não por uma obrigação. Yuna alargou seu sorriso com a leve pausa do rapaz ao buscar uma palavra que se adequasse a decoração extravagante da festa. “Neh, as meninas colocaram tudo de si para esta festa. Não esperaria nada menos, Hel-chan estava mais empenhada que o normal este ano.” Divagou a japonesa momentaneamente, lembrando do quão animada como uma criança no natal sua presidente estava com as preparações. “E aposto que encontrou muitos ambientes lindos para tirar fotos, Dai-kun.” Acrescentou mais tarde, com carinho, lembrando da paixão do rapaz com a arte fotográfica.
“Nós já passamos desta fase de detalhes para irmos a prática, Yuna. Porém, nós podemos abandonar o avanço para regressarmos ao elevador para mostrar a você como funciona.”
“Moo, Elli-kun. Me de um desconto, eu estava tendo um sonho maravilhoso que envolvia um corpo másculo e chicotes, e você acaba de me acordar dele.”
Eu queria descansar os olhos também, mas não posso. Seja a minha cúmplice e fique de olhos bem abertos, prometo recompensá-la depois.
“Quero detalhes sobre a recompensa e aí, quem sabe, eu pense no seu caso.”
“Yah! Eu não estou dormindo só estou descansando os olhos!”
the night is still young and so are we @ patrício
– O-oe! – O garoto disse, soltando uma exclamação de protesto quando a amiga prendeu sua mão entre as dela. Os olhos escuros de Dai encontraram as orbes negras de Yuna antes de o japonês analisar a expressão da moça, ela estava claramente apelando com aquela expressão. O moreno revirou os olhos e respirou fundo, abrindo um pequeno sorriso logo em seguida. Bem, a Mochizuki era sua amiga desde a infância, Dai não conseguia formular argumentos concretos para recusar o pedido da garota, afinal, ela não era nenhuma estranha e, por mais que dançar não estivesse entre suas atividades favoritas, para ela era possível fazer uma exceção. Além do mais, o rapaz sabia que Yuna não iria julgá-lo pelo fato de não saber dançar. – Acho que eu não tenho escolha, não é?! Pois bem, mostre o caminho, Yuna-chan… mas vai ser só uma música, ok? – Ele disse, permanecendo com o sorriso no rosto ao se deixar ser guiado pela jovem até a pista de dança.
A partir do momento em que vira os olhos suaves do rapaz pousarem sobre si, Yuna sabia que havia ganhado. Sendo amigos desde que eram crianças, a jovem Mochizuki aprendera como dobrar o Shing as suas vontades, claro, nunca da mesma forma que ela fazia com os diversos seres do sexo masculino da academia. Dai era especial para Yuna, a única lembrança boa de um passado sofrível e obscuro; Dai era tudo que Yuna já fora e ainda mais, por isso ela o presava, sendo o único homem em quem ela depositara toda sua confiança depois do que acontecera a cinco anos atrás. Ela nunca havia se perdoado por abandonar abruptamente todos o que conhecia em Tokyo, porém, quando soube que Dai viria a estudar na mesa academia que ela, um calor confortável aquecera seu coração pedregoso e dolorido. Ela sabia que havia um motivo por ter se levantado para o menininho magricelo e tímido quando ela tinha seis anos de idade, o mesmo menino que olhara tão profundamente em seus olhos e não fugira de medo dos mesmos. “Yatta!” Exclamou a Mochizuki, enganchando seu braço ao do rapaz antes de arrasta-lo para a pista de dança repleta de pessoas amontoadas. Porém, parara momentaneamente, lembrando de que o rapaz não sentia-se a vontade fazendo determinada atividade, o que muitas vezes lhe provocava timidez excessiva. Sorrindo para si mesma, a japonesa mudou o trajeto em direção as portas de vidro da varanda vazia do outro lado da casa. Assim que atravessaram, Yuna percebera que o rapaz a olhava confuso. “Neh, eu sei o quanto você não gosta de dançar, mas já que está fazendo isso por mim é justo que faça com que seja confortável pra você também.” Respondeu Yuna com a voz gentil, enquanto retirava os saltos Louboutins, estremecendo em alívio pela perda de pressão em seus tornozelos.
Dai não havia sido um dos primeiros a chegar na festa propositalmente. Na realidade, ele odiava ser o primeiro em qualquer que fosse a ocasião, principalmente em festas, preferia se misturar à multidão quando todos já estavam ocupados demais consigo mesmo para notá-lo. O japonês sequer vestia uma roupa que pudesse ser considerada apropriada para a ocasião justamente para garantir que não seria o centro das atenções, o que usava não era um smoking, nem chegava perto de um terno. Jeans coloridos, tênis, camisa de mangas compridas e um colete para deixar o visual menos desleixado.
O rapaz sinceramente preferia ficar em casa a comparecer ao baile, porém, queria tirar algumas fotos para o Clube de Fotografia, elas poderiam ser usadas posteriormente para o jornal ou o anuário da escola. Seu plano era apenas tirar as fotos necessárias e retornar ao seu dormitório na Gamma como se nada tivesse acontecido, contudo, seu objetivo não foi atingido com êxito, visto que logo teve a atenção chamada por um de seus colegas. – Desculpe, eu só… não danço. – Dai recusou o pedido, sem modificar muito sua expressão neutra enquanto fazia um aceno com a mão.
Ao balançar freneticamente a cabeça, os cabelos pareciam um véu negro moldando o rosto cor de perola que brilhava em diferentes cores quando iluminado pelas luzes multicoloridas. Mentalmente, Yuna agradecia a si mesma por ter escolhido um vestido com abertura lateral, isso lhe dava liberdade o suficiente para mover-se com o pano longo, sem embaraçar a si mesma em tropeços ou perdas de equilíbrio. Apesar de calçar Louboutins extremamente altos, ignorara a dor nos tornozelos em prol de mover-se em sincronia com a música alta que enchia todo o salão. A Mochizuki ousaria dizer que as batidas cardíacas acompanhavam o ritmo frenético da musica; apesar de ser um hobby, Yuna não escondia como adorava dançar.
Pela visão periférica, notou uma figura familiar atravessar a porta principal da grande fraternidade. Pousando as duas esferas negras sobre o individuo Yuna não pode deixar de sorrir antes de, praticamente, correr em direção ao rapaz com um pedido para dançar praticamente estampado em seu rosto. “Moo, Dai-kun, uma dança, por favor!” Disse a japonesa com a voz manhosa para o amigo – quando este lhe recusara o pedido – fazendo um pequeno biquinho com os lábios vermelhos, com a expressão pidona, prendendo a mão do rapaz em ambas as suas.
Reddy (레디) - 생각해 (Feat. 박재범)
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O cerne animalesco e predatório oriundo do âmago varonil governava-o; tornando a corpulência refém de uma urgência devastadora. As digitais do macho não eram ásperas, porém, a delicadeza que há na epiderme de seus dígitos sucumbia a violência de seus toques. Não era provido de um espírito gentil, cuja essência autoritária era refletida em sua conduta. A ausência de melindre era uma resposta a circunstância, pois possuía preferência em ser cortês para com cadáveres, de resto o escrúpulo dava morada à luxúria. Era identificado por seu autocontrole, a soberania sobre cada emoção humanal ocorria de forma espontânea. Porém, aquele momento a razão era inútil a circunstância. O único senhorio válido era o seu para com a moça. A ausência de uma resposta acústica à sua primeira pergunta não fora desagradável, pelo contrário, possuía apreço pelo universo das ações e não do abecedário. O fato de não precisar dar justificativas a ela, motivou-o a sustentar a dominância para com a outra. O delírio fê-lo enxergar a visão da prima, o nuance incestuoso perturbava a psiquê deturpada. Entretanto, este tratou de rejeitar o teor ilusório para dar crédito à garota que jaz diante de seus olhos. Ela não era Pearl, portanto, não iria tratá-la como tal. Ninguém era benemérito de usurpar da identidade alheia; logo tratou de corrigir a própria visão. As pálpebras fecharam-se por um segundo, recordando-se da prima abandonando-o. Abriu os olhos com luxúria, contemplando-a diante de suas retinas vorazes. Yuna jaz à sua mercê, logo deveria retirar provento da outra. Objeção alguma havia saído dos lábios femininos, a lascívia pareceu ser recíproca a ambos. Compartilhou-a com a japonesa através de um beijo, porém, ainda havia muito a dividir com ela. O sorriso de cobiça compôs os lábios do magnata, degustando dos vocábulos femininos de forma análoga a um néctar voluptuoso. “Então não vejo o porquê não retirá-la daqui.” Proferiu em seu nuance predatório, envolvendo o pulso da fêmea com a mão direita para retirá-los de frente à mansão. Não conhecia com eficiência do perímetro, mas havia um lugar que ambos possuíam pleno conhecimento. A imagem do necrotério da faculdade penetrou o encéfalo masculino, conduzindo-o a guiá-los em direção a área. O contato físico fora encerrado de forma momentânea, andando a frente desta rumo ao morgue da faculdade. Seria cortês e íntegro guiá-la ao lugar em que ambos desfrutavam de familiaridade, logo não houve qualquer contradição aos próprios devaneios. Olhou-a com evidência, entregando-lhe um sorriso hipócrita. O prédio do necrotério incinerou o olhar do homem, o mesmo retornou a cultivar a aproximação corpórea após contemplar a porta aberta. O corredor vazio procedia o eco dos passos de ambos; entretanto, pretendia irradiar o campo da acústica com outro tipo de reflexão. De ímpeto, o rapaz retornou a contemplar do contorno feminino para investir contra ela.
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Não era preciso dizer que a jovem de olhos puxados encontrava-se com os sentidos embaçados, e isso não tinha nada a ver com a dose de álcool que se encontrava em seu sistema. O sentimento de luxuria corria pela anatomia de ambos, fazendo a adrenalina pulsar em suas veias como se estivessem sob a influencia de um afrodisíaco poderoso. Yuna mal notara para onde o rapaz a levara, notando seus arredores apenas quando sentiu o cheiro forte de produtos químicos, usados na conservação de cadáveres, encher-lhe as narinas fazendo-as arderem levemente. O reconhecimento do local em questão fez a Mochizuki erguer a sobrancelha levemente enquanto observava a nuca cheia de cabelos suaves do Löhnhoff. Tinha que admitir que o rapaz fazia jus a sua fama sombria, não que Yuna estivesse incomodada pelo local que estavam prestes a profanar, muito pelo contrario, sentia-se extremamente excitada com esse sentimento de perigo a espreita. Momentaneamente um flash de olhos puxados e tão negros que refletiam os seus próprios piscou no interior da mente da jovem Mochizuki, poderia jurar que ouvira a voz rouca lhe sussurrando promessas e palavras repletas de amor e paixão, enquanto soprava o hálito fresco de menta contra a concha de sua orelha. Piscando os olhos repetidamente, a Mochizuki empurrou para o fundo de sua mente as lembranças de uma vida passada, como ela denominava sua adolescência. Ela não era mais aquela menina doce e repleta de sonhos, aquela menina sabia amar e ansiava em ser amada, mas ela morreu há cinco anos e as palavras daquele a quem ela mais confiava lhe desferiram o golpe fatal. Aquela Yuna estava morta e assim ficaria. A Mochizuki gostava de quem era agora, impenetrável, uma fortaleza exuberante capaz de ter todos que desejava ao redor de seu dedo mindinho. Sem sentimento, sem paixão, sem amor, apenas sexo. Esse era seu mantra.
Os pensamentos foram expulsos novamente de sua consciência quando sentiu os dígitos grossos tocarem o couro cabeludo por entre os cachos negros meia-noite e aboca de Patrício atacar-lhe o colo sem pudor, sugando-o de forma bruta, o que fez Yuna soltar um suspiro de satisfação. Não havia nenhum carinho, paixão ou amor, era mais pura luxuria que os unia naquele momento, e nada poderia deixa-la mais extasiada. A pele de porcelana logo começara a avermelhar-se com as agressões que a boca do macho desferia contra ela, mas isso não a incomodava. A Mochizuki agarrou-se com vontade ao outro, prendendo firmemente suas coxas ao redor da cintura do Löhnhoff, unindo seus corpos até o ponto mais intimo. O gemido baixo feminino deixara sem permissão seus lábios quando os dentes tão brancos como marfim de Patrício lhe morderam a carne suave dos lábios rubros com força o suficiente para fazer o liquido vermelho escapulir por entre o corte. Isso pareceu apenas incendiar mais ao amago de ambos, Yuna tinha certeza que seus olhos brilhavam a ponto de que parecesse que a própria Amaterasu lançara suas chamas eternas para forma-los. Querendo sentir mais do sentimento luxurioso animalesco, a japonesa não perdeu tempo antes de abrir o colete negro as pressas, juntamente com a camisa social branca, ouvindo ao longe os botões se rasgarem da camisa e se chocarem contra o piso. Atacando apressadamente o ponto onde o pescoço e ombro se juntavam, Yuna sugava-lhe a pele pálida como uma vampira ávida por sentir o gosto do sangue; as unhas pintadas de vermelho logo se afundaram contra os músculos rígidos das costas do macho, deixando marcas grossas e rosadas contra carne enquanto trassavam do ombro até o final de sua coluna vertebral com fervor. Algo feral os possuía, algo completamente escuro e sem nenhum pudor, e ambos adoravam isso.
Você tem preferência por aulas particulares ou pode ser na frente do público?
"Você sabe a resposta, Elli-kun. Entretanto, estou realmente em dívida com Hel-chan e não quero estragar sua festa, seu quarto será um bom local para aprender, ou o meu se preferir.”
“A única filosofia que estou adepto a seguir é a do hedonismo. Então faz parte, porém, não fique decepcionada comigo. É difícil ser barraco em tempo integral. Em certos momentos é necessário me inspirar nos mandamentos da libertinagem. Eu poderia explicá-los oralmente para você, mas a prática é sempre o melhor método didático.”
“Profundo, Elli-kun. Então, seja meu sensei e ensine a este jovem tigre seus caminhos, shite kudasai! ”
É aquele ditado contemporâneo. “Se joga no meu colo e vem, gatx.”
“E você faz dela sua filosofia de vida, não é? Isso não me deixa surpresa.”
the night is still young and so are we @ patrício
O néctar deleitoso oriundo do perfume de Pearl parecia estar impregnado em suas partículas corpóreas, embriagando-o com o teor incestuoso que havia usufruído há pouco. O sabor da luxúria em seus lábios, moldando-o ao desejo avassalador de tê-la para si. A lascívia ostentava de dominância em sua corpulência, tornando-o refém do libido. A excitação percorrendo cada milímetro de seu corpo, a adrenalina produzida pelas glândulas adrenais era mais um estímulo. O corpo à mercê de um desejo doentio, porém, antes que pudesse sentir o corpo alheio corresponder a lascívia, Pearl havia escapado por entre seus dígitos. Deixando-o submisso a combustão, entretanto, o auto controle fê-lo recobrar a devida consciência após ver a outra não voltaria. Porém, não iria ficar à mercê da prima que recusava à sua persuasão e desejo sem o mísero pudor. Não era um déspota por completo, porém, de modo a obrigá-la a completar a foda. Contudo, não iria sucumbir a cobiça que há em seu âmago. Iria substituí-la de forma momentânea, encontrar outro receptáculo disponível à sua ambição. Portanto, não fora tão difícil encontrar a saída do labirinto de forma autônoma. Pois enquanto Pearl lhe dizia inúmeras bobagens, Patrício teve a providência de decorar a trajetória de volta. Não pôde deixar de encontrar alguns obstáculos, mas ele era um homicida. Portanto, não seria um labirinto estúpido a fazê-lo ficar à deriva da desorientação. A ganância era o seu templário, logo não havia qualquer obstáculo capaz de vencê-lo. Não era um ser frágil, pois à sua composição era o mais puro morticínio. Então ainda há de existir algo capaz de fazê-lo ficar submisso ao pânico. Caso fosse possível usufruir do temor, pois não havia degustado do sabor de tal emoção. Isto é, julgava-se imune a sinestesia mais humanitária possível. Porém, ele nunca fora um humano ordinário.
As faculdades psíquicas eram o verdadeiro pandemônio, a balbúrdia em forma de sinapses calculistas e maquiavélicas. Então não havia espaço para o pânico, o terror deveria estar à mercê de Patrício e não o contrário. Fora com tal devaneio imaculado na psiquê tirânica que o rapaz saiu do labirinto, afastando-se do convívio humano para retornar a ficar próximo a mansão. A íris carnívora orlava a superfície à procura de sua vítima, ou seja, a criatura responsável por amparar todo a luxúria que ele há de conceber. Conseguia constatar olhares femininos em sua direção, contudo, desprezava-os até reconhecer a criatura digna de tê-lo à sua mercê. Não demorou muito, porém, a encontrá-la. A descendência japonesa compunha a face feminina, o conjunto sinuoso da distribuição igualitária das curvas na extensão corpórea reacendeu a luxúria na corpulência masculina, fazendo-o aguardar a aproximação da para poder dar gênese à sua persuasão. Porém, a pronúncia de Mochizuki parecia estar desconexa a interpretação masculina. O ímpeto fê-lo ser governado ao frenesi, abstraindo os vestígios racionais que há em sua psiquê. A resposta a entonação feminina não adveio do universo das palavras, mas sim a ação súbita de puxá-la com força para perto de si. Os dígitos masculinos tangenciaram a superfície desnuda da epiderme feminina, puxando-a para próximo de si para empurrá-la contra a parede atrás de si. A mão direita deslizou pelo queixo de Yuna, levantado-o de forma predatória para fazê-la olhar em seus olhos. Não possuía uma visão panorâmica, contudo, acreditou que as próprias íris estavam possuídas pela lascívia. “Diga-me, Yuna. Quer descobrir outro lado que há em mim?” Questionou de forma voraz, deslizando a íris sem o mísero pudor pela extensão curvilínea da fêmea para morder os próprios lábios. Não aguardou por uma resposta acústica, pois no próximo instante a mão direita de Patrício envolveu a cintura fina da moça de forma possessiva. Com o auxílio da mão esquerda, ele trouxe a perna da moça para o redor de seu próprio quadril, tangenciando a epiderme macia com as digitais preenchidas pela lascívia. Os lábios masculinos foram de encontro ao pescoço alvo da mesma, distribuindo pela superfície desnuda uma mordida ríspida, mas não o suficiente para cortar a epiderme. Afastou-se de inesperado para direcionar a atenção aos lábios femininos, pressionando-os contra os próprios lábios para desferir uma mordida no lábio inferior da Mochizuki. A mão que amparava a coxa feminina fora de imediato a cintura da moça, envolvendo-a com ambas as mãos para apertá-la e fazê-la ir de encontro ao próprio peitoral. “O que você me diz?” Articulou em um sussurro, aguardando por uma confirmação para dar continuidade ao seu anseio.
Yuna esperava muitas reações do macho, desdenho, sarcasmo, ou um simples encolher de ombros mal-humorado, algo típico do Löhnhoff, seu silencioso companheiro de curso com o qual, estranhamente, iniciara uma amizade, mas nada a preparara para tal reação. Por um momento, a Mochizuki ficara estática, como se acabara de ser eletrocutada ou tivesse sido, de uma forma sobrenatural, congelada. Era como se seu cérebro recusara-se a fazer qualquer movimento, mais especificamente, era como se Yuna não soubesse exatamente o que fazer. Patrício estava sugando-lhe o ponto sensível entre o pescoço e o ombro, o garoto silencioso, antissocial e mal-humorado a quem estranhamente a japonesa respeitava, estava sugando seu pescoço como um andarilho que atravessara um maldito deserto, perdido por anos, e somente agora encontrara um oásis onde poderia matar a sede intensa e sufocante que lhe aplacava o amago por todo o trajeto. Dentro de sua própria mente, a Mochizuki sentia como se seu cérebro tentasse processar milhares de informações ao mesmo tempo, algo em que, obviamente, não estava tendo sucesso. Porém, um único pensamento fez sentido em toda a bagunça surpresa que era seu interior. Dane-se. Ela nunca se importara de brincar com os diferentes machos – e às vezes fêmeas – dentro da academia, apenas ficara surpresa por Löhnhoff expressar um sentimento extremamente humano, algo que ela cogitou que o garoto não era capaz. Uma opinião que certamente mudara nos últimos segundos.
Yuna não recuperara-se a tempo de responder, e ela duvidava que Patrício queria uma resposta, pois este a atacara nos lábios de forma abrupta. Apesar da forma agressiva do macho, Yuna pode distinguir diversas coisas enquanto retribuía com fervor o ato cheio de luxuria denominado beijo. Como por exemplo, a suavidade característica dos lábios dele contra os seus, algo que ela encontrara raramente dentre a população masculina, grande parte deles com os lábios secos e ásperos; também notara o sabor característico do álcool, o qual ela ignorou em fervor do gosto marcante de canela com que o mesmo se misturara, criando um sabor completamente exótico, fazendo a Mochizuki soltar um leve suspiro, tanto pelo gosto como pela mordida firme em seu lábio inferior. Tão abrupto quanto iniciara, o ato terminara. Ambas as respirações ofegantes misturando-se com o ar frio da noite, criando leves fumaças de vapor que logo se esvaiam pelo ar como se nunca tivessem existido. Apesar disso, Yuna sentia-se em chamas, seja pelo fato do álcool em suas veias, ou a forma agressiva e possessiva que o garoto – homem, corrigiu-se rapidamente – a apertava contra o corpo másculo, não importava. Ela gostava dessa sensação. Interiormente, a japonesa se perguntara o que levara Patrício a explodir de forma tão abrupta, ela o conhecia a um bom tempo para notar que o Löhnhoff não era alguém que se deixava ser dominado por tais emoções fortes, porém ela empurrara esse pensamentos em prol de ouvir a pergunta do rapa que, nesse momento, aguardava uma resposta. Abrindo um sorriso predatório e cheio de malicia, a Mochizuki soltou uma risadinha suave, antes de responder no mesmo tom de voz que o outro usara. “Você não me vê reclamando, certo?” Soltou a pergunta retorica, sabendo bem que o rapaz entenderia a resposta positiva nas entrelinhas da mesma.
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Apesar da temperatura ter caído desde o inicio do baile, o clima gélido não parecia ter força suficiente para deter a alegria dos jovens, nublados pelas bebidas batizadas em álcool, completamente risonhos e desinibidos tanto no interior como no exterior da grande casa da fraternidade Zeta Beta Zeta. O som da música poderia ser ouvido extremamente bem do lado de fora da estrutura, o que resultara numa enorme quantidade de pequenos grupos entre os jardins e o pátio em frente à fraternidade, seja dançando ou rindo ou fazendo palhaçadas, como de praxe de muitos jovens com adrenalina a flor da pele. O simples fato de estarem rodeados por calor humano, fora o suficiente para alguns dos jovens descartarem os casacos pesados e andarem apenas com as blusas e camisas de malha fina e fresca.
Yuna não era diferente de muitos dos jovens que estavam presentes. As bochechas levemente coradas pelo nível de adrenalina e um pouco de álcool em excesso no organismo, davam um ar mais jovial e brilhante a jovem Mochizuki. Apesar de não ter pensamentos fantasiosos bem como os sentidos enfraquecidos pela bebida batizada, não poderia de deixar de notar-se os níveis de adrenalina que a moça praticamente exalava. Claro, que apesar de estar alta não estava ao nível de fazer pensamentos mais incoerentes que o normal, apenas, em seus pensamentos, sentia-se mais leve e a japonesa abraçara tal sentimento sem temor. Acabara de se despedir de Bellatrix, ambas ainda aos risos, depois de saírem da aventura dentro do labirinto, quando avistara um par de olhos que a fitavam como um falcão das sombras a poucos metros da saída do labirinto. “Nas sombras como sempre, ein? Típico, Pat-kun.” Falou a moça com um sorriso dividido entre a malicia e a diversão estampado em seu rosto, enquanto seguia em direção ao macho.
“Só há uma única forma cabível para derreter o gelo, minha cara. Porém, será necessário fazer a substituição dela por outra coisa. Afinal, duas matérias não ocupam o mesmo lugar. Agora dois corpos em um mesmo perímetro, acredito que é possível.”
“E você está se oferecendo Elli-kun? Quanta nobreza.”