Cruzei os mares da angústia de minha mente
Nadei entre correntezas de incertezas
Me afoguei em minhas próprias desesperanças
Busquei meu último fôlego entre olhares que eu mesmo vendei
Fui empurrado mar à fora por todas as expectativas
Vomitei palavras lançadas em meus ouvidos
Caminhei calado ainda em choque pela calmaria após a tempestade
Trajando vestes compradas em um mercado de solidões
Lanço lágrimas ao vento como se fossem recolhidas
Anseio por um sopro de esperança
Sem saber que mesmo letárgica, esta já apressou seus passos
Tenho pintado cenas com meu próprio sangue
Gritado silêncios amargurados em meus pulmões
Rasgado minha alma em sorrisos arranjados
Desperdiçando meu tempo em um time lapse do meu passado
Busco perdões que nunca precisei
Lentifico o que vivo com a ausência do cuidado
Mergulho em apneia nesse sentimento de ser o que me resta
Ainda que me dilacere o corpo
E em cinzas me perco em uma brisa longínqua
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