Ele queria poder mudar sua prima. Naruto a amava - do jeito que ela era. Ele a amaria da maneira que fosse, e sempre quis o melhor pra ela. Naruto já duvidou de si mesmo, e achou que nunca conseguiria. Mas talvez, só talvez, ele estivesse ficando maluco ou Karin… Estava mesmo mudando? Quer dizer, ele tinha sentido que ela ia o abraçar de volta! Isso seria um grande avanço.
Naruto estava com um pequeno sorriso no rosto enquanto a observava. Sim, claro, era esperado que ela o empurrasse, mas por incrível que pareça ela não o xingou, nem falou palavras estranhas que Naruto tinha que procurar no dicionário depois. Ele estranhou, claro, mas no fundo achou que Karin estivesse mesmo agindo diferente.
Quando foi empurrado, tropeçou e quase caiu de costas, mas fez um paranauê muito doido lá e conseguiu voltar pra perto de Karin em poucos segundos. Ele queria mesmo ser ajudado - mas Naruto se sentia como se… Como se ele estivesse pouco se importando com notas e boletim. Ele queria ficar perto de sua prima, ser mesmo amigo dela. Vê-la sorrir, ir à lugares, abraçar, ser abraçada, sair com garotos, garotas também. Mas isso parecia ser somente um sonho distante de Naruto. Mais um pra coleção. Yupi.
Ele engoliu em seco, quando Karin mencionou seus ‘amigos’. Naruto se lembrava de que ela já fez parte de gangues. Não sabia o que acontecia nelas, mas era nada bom. Talvez isso foi a causa do mau-humor permanente e a arrogância ft frieza constante de Karin. Ele queria saber mais sobre ela e seu passado, mas tinha quase certeza de Karin nunca se abriria. Já Naruto, era praticamente um livro aberto. Ele suspirou, um pouco em dúvida sobre a proposta dela.
Naruto não era do tipo bad boy, mas também não era o ‘certinho’. Ele era rebelde. Talvez esse fosse o adjetivo que mais caracterizasse Naruto. E, já que ele era mesmo um rebelde, porque não se meter com mais pessoas assim? Levantou a cabeça na direção da ruiva e sorriu de canto, estreitando os olhos. "É, acho que eu posso fazer isso. Mas se os marginais quiserem um rim, um braço ou algo assim, sei de um necrotério sinistro, ‘ttebayo!" ele riu, e se virou para Karin. “Eu aceito."
Ah sim... Karin havia aprendido muita coisa em seu tempo na gangue de Orochimaru, ainda mais como dominar algumas artes, roubar, fazer algumas coisas com remédios. Sim sim, a garota sabia como misturar vários tipos de soníferos, fora a experiência com faquinhas e pequenas armas para defesa pessoal. Nunca fez nada realmente ousado, mas foi lá que aprendeu um pouco mais sobre as pessoas, sobre o quanto se deve ser cuidadoso, já que não se deve confiar totalmente em ninguem, por mais que a pessoa pareça confiável. Aquela fora a fase em que sofria se lembrando dos pais, e como fora a única sobrevivente em meio á tantas pessoas, e de como foram brutalmente queimados num incêndio. Queria fugir de tudo aquilo, e foi assim que se tornou uma delinquente durante algum período. E aí sua tia a salvou, a obrigou a sair daquele mundo. Ela foi uma das pessoas que fez Karin mudar e em pouco tempo fora da gangue lá estava ela, em uma casa alegre, com pessoas unidas e felizes. Aquilo era totalmente estranho para a garota, mas de certa forma se sentia parte de tudo aquilo, agora eram sua nova família.
Claro, ainda era fechada, arrogante e fria, mesmo que quando quisesse -- e com quem quisesse -- fosse mais aberta, talvez ousada e simpática, estranhamente gentil. Em toda a sua vida só conseguia agir assim com uma pessoa. Mas olhar para Naruto a fazia querer imediatamente sair do esconderijo dentro de si mesma, que havia construído para fugir de mais decepções. Ele a fazia querer sorrir, e ao mesmo tempo á fazia contradizer á si mesma, querendo se prender por pensar daquela maneira. Era estranho, mas as vezes Naruto a fazia querer ser novamente uma garota sorridente e alegre, e não a rude e mau humorada, mesmo que aquilo já não fosse algo reversível. Karin poderia até ficar mais simpática, mas nunca perder os seus traços principais, quisessem ou não as pessoas, ela viveria cercada pelo muro da arrogância e mau humor.
A ruiva podia sentir que o garoto não estava gostando muito do papo de gangues, o que era completamente normal, já que Naruto não era do tipo delinquente. Nem tão pouco do tipo inteligente ou certinho, tipo Ka-- Ok... Karin era só inteligente. E a garota até pensou que ele fosse recusar, mas se surpreendeu com a resposta do mesmo, que a fez sorrir de canto e olhá-lo um tanto mais confiante. "É assim que se fala, priminho. Mas não se preocupe... Eles não vão desmontar seu corpinho lindo... E nem o meu." falou, parecendo um pouco mais brincalhona na fala. Naruto devia saber que a garota tinha dois lados completamente diferentes. "Provavelmente vão arrancar nosso dinheiro, ou teremos que pagá-los com um favor. Depende do humor da minha querida... Amiguinha, que geralmente não é muito amigável." falou, voltando de novo á postura séria. "Se conseguirmos convencer Tayuya, creio que não vai ser nada complicado. Tente usar o máximo de charme que conseguir, ok?" falou, deixando no ar se era brincadeira ou não. Seria divertido deixá-lo um tanto confuso.