de repente, abri um portal meio mágico da vida inesperada. pra alguém tão preocupada e neurótica com detalhes muito bem delineados isso é quase pular de paraquedas de um abismo, sem abri-los. eu fiz um pacto comigo mesma, um pacto silencioso de confiança no que viria. e veio. vieram.
até aqui, a vida que me tem tocado nos últimos meses é coisa de outro mundo. a forma como eu tenho me tocado através desse outro mundo, é coisa de outra galáxia. e a minha cabeça voa pela primeira vez sem tocar os pés no chão, coisa que costumava ser o meu maior lema.
não é também como se me desprendesse completamente de todas as certezas que eu levei tempo a construir, isso não. mas eu tenho não pensado muito mais nem no êxito e nem no erro. eu só penso no instante do agora e no quão intenso ele me tem sido mesmo nas coisas menores. mesmo no que pode parecer aparentemente fútil e descartável. eu tô é pagando com a língua, eu acho. porque tenho aprendido todos os dias que no fim, não existe nada nessa vida que seja assim tão fútil nem descartável.
a vida é toda vida, com princípios, valores e coisas que a gente nem sempre consegue extrair delas o que elas tem pra dar. se você corre demais, quase não vê nenhuma dessas coisas. e se vê, acha que pode não ter tempo. e eu corri muito por tanto tempo que agora estou cansada de correr. eu quero mais é passear e tenho conseguido a cada dia.
não me prendo mais a nada, não penso no passado. tratei de excluir as antigas conexões com o passado uma a uma e assim, percebi que os novos caminhos têm me levado a uma nova forma de enxergar o todo. e eu sinto que, pela primeira vez estou acordada.
no fim das contas tenho cada vez mais entendido que o acordar é nada mais nada menos que o simples intervalo entre o querer e o soltar. largar a mão do controle, permitir que as coisas tenham espaço pra ser e acontecerem, apesar das coisas todas não tão boas que a gente não possa controlar.
e num belo dia, elas magicamente se tornam, e são e acontecem e fluem.
















