eu sinto uma revolta das borboletas no meu estômago: elas não param!
já a alguns dias tenho notado a rebeldia... uma bagunça!
a ânsia vem e volta, como se estivesse sempre a espera de algo que está por vir... mas que ainda não veio.
não sei ainda se recorro a janela esperando que alguém chegue
lá fora são tempos sombrios e o sol aparece só pra deixar um até logo.
as borboletas incansáveis sabem que não seria este o melhor momento de estarem por aqui
aí vejo a sua foto. entendo.
entendo porque a baderna que aumenta sob àquela que aqui nunca para é indiscutível
há quanto tempo será que não sei o que é lidar com bagunças assim
mas o seu sorriso me faz saber o que tenho sentido
me faz não ter dúvidas sobre como te chamar quando você vier
mas em compensação, eu só tenho feito perguntar quando é que você vem
invento pretextos todas as noites pra, de alguma forma, te chamar
e eu não sei se daí você me ouve ou se ouve, se faz questão
existem aqui tantas dúvidas que não são sobre o tenho sentido por você...
e queria poder te contar todas elas quando você vier
o que será de nós apaixonados miseráveis quando finalmente descobrirmos que as borboletas do nosso estômago não necessariamente existem por algum motivo que realmente valha a pena?
o que será de nós lastimáveis apaixonados quando formos finalmente descobertos?
sim, porque embora seja difícil, saímos todos os dias nas ruas, nas padarias, livrarias ou mesmo vagamos entre os cômodos de nossas casas com uma cara carrancuda de quem já desistiu dos amores que lemos desesperadamente
achamos que o amargo das nossas demonstrações nos afastará do mal de sermos reprovados por tanto amor que certamente transbordaremos ao primeiro indício de aconchego
que será de nós quando por um deslize, cedermos partes de nós mesmos pra um amor avassalador?
se sairmos machucados, talvez por três vidas inteiras não seremos capazes de amar de novo
o risco de se gastar pelo que não vale o risco
e assim, vivemos guardados
trancafiados a sete chaves
com borboletas incansáveis e desesperadas que muitas vezes precisamos silenciar e em casos mais graves, até vomitá-las na tentativa de amenizar essa ansiedade de alguém que chegue pra mudar tudo
essas certezas tão secas que criamos no imaginário como proteção mas que desejamos profundamente que sejam de mentira
e que alguém chegue batendo na porta, acabando com tudo o que parecia certo só pra nos desmentir
porque no amor até dar o braço a torcer, parece incrível e vale a pena
e dar as mãos a palmatória é como uma nova forma de aplaudir a vida, que te ensina que nem tudo é perigo e que você pode sim, descansar nos braços desse alguém