The L.
Eu fui a vilã.
O ano era 2007, e eu era a maior fã de Miley Cyrus, McFLY e do L. Droga. Ele parecia o Troy Bolton moreno. Jogava basquete e cantava no coral da escola. Era daquele tipo de garoto que falava com todo mundo, inclusive comigo, a pirralha do ensino fundamental. Não consigo contar quantas vezes matei aula pra vê-lo jogar ou cantar. As vezes ele quebrava uns galhos como ator nas aulas de teatro, mas quase ninguém sabia disso, só eu, porque o seguia pra onde fosse. A volta pra casa também era uma das melhores partes do dia, afinal, nossos pais trabalhavam juntos, então dividíamos o mesmo motorista. Eu passava exatos 9 minutos o observando ser gentil com o senhor que dirigia e depois pegando seu iPod pra escutar algum artista do Soul ou R&B (era o que ele gostava). Um dia, o sentimento sobre isso ficou insuportável e eu precisei contar para a P (uma das minhas melhores amigas até hoje).
“Como você consegue gostar de alguém tão mais velho?” P gesticulava indignada enquanto fazíamos trabalho de geografia na casa dela.
“Ele só é 4 anos mais velho” tentei argumentar.
“Ele tá no ensino médio, nunca vai olhar pra você”.
Bom, de fato ele nunca me notou de verdade, mesmo depois de ter escrito uma carta gigantesca dizendo o quanto eu gostava dele. Talvez ele tenha rido com seus amigos, talvez ele tivesse mostrado pra sua namorada dos olhos azuis, talvez ela tenha ficado com dó de mim. Talvez ele tenha ficado assustado. Eu ficaria assustada. Talvez fugisse. Eu fugiria. Mas sinceramente, a melhor parte da pré-adolescência é se apaixonar e desapaixonar em um piscar de olhos. Meus sentimentos por ele não duraram um ano inteiro, o que foi ótimo! Logo seu pai foi transferido de cidade e o mesmo teve que ir junto. Vale ressaltar que um tempo depois, também fomos transferidos. Sim, de novo! 10 anos depois eu estava na minha primeira faculdade, estagiando em um lugar super legal, solteira, cercada de novos amigos, novas oportunidades, ia para barzinhos as quintas-feiras à noite, festinhas aos sábados, e por aí vai… Definitivamente, essa foi uma ótima fase da minha vida.
Não sei como, e nem quando isso aconteceu, mas de alguma forma o L estava no meu Instagram. Sinceramente não lembro quem seguiu quem primeiro, só sei que enquanto rolava pelo feed, vi uma foto dele com a localização no - adivinhem onde - estado em que eu morava. Poderia ter ficado calada? Sim! Mas quis ser legal. Quando vi, já tinha comentado algo como: “ei, você tá na minha terrinha”. Terrinha? Quem fala isso? Ew. Idiota. Quando pensei em apagar, ele já havia mandando mensagem por direct. A conversa fluiu, rimos um pouco, até que ele disse que passaria 3 dias na minha cidade, e queria me ver nem que fosse só pra dar um abraço. Eu não era idiota, sabia que tinha mais intenção ali, até porque, estava no auge da minha beleza - modéstia parte -. Ora, ora... a pirralha com cabelo de prancha havia crescido. Ele tava interessado, então entrei no jogo. Primeiro pensei que não, que não queria vê-lo por falta de interesse mesmo, e o que a gente ia conversar? Mas depois pensei que deveria alimentar o ego minha versão pré-adolescente e fazer isso acontecer, mesmo sem vontade alguma.
Contei pra minha mãe (ela o conhecia) que ele estaria na cidade na quarta-feira, então ela deu a ideia de convida-lo para o culto da sua igreja à noite e depois sairmos para jantar todos juntos. A princípio achei a ideia horrível, principalmente pelo fato de que eu nem frequentava a igreja nessa época, mas pensei bem… Se ele realmente tivesse interessado, iria de qualquer jeito. Dito e feito. A noite de quarta foi um tédio só, tirando o fato de que meu vestido manteve o entretenimento na medida certa. Ah, os saltos também, minhas costas doem só de pensar neles, mas valeu a pena. Afinal, alguns minutos depois de o deixarmos no hotel, meu celular vibrou.
“Eu não conseguia tirar os olhos de você, acho que cê percebeu, né?” L.
Claro.
Juro que nesse exato momento, Baba da Kelly Key, começou a tocar na minha cabeça. Se você pegou a referência, parabéns.
“Podemos nos ver amanhã?” Ele perguntou.
Na noite seguinte, estávamos na piscina da minha casa. Trocamos beijos e conversa fora até às 3h da amanhã. No dia seguinte ele me convidou para ir ao seu hotel, e eu sabia que isso acontecesse, estaria indo longe demais. Mas a juventude é a época de fazer besteira, né!? Pois bem, eu fui. E foi legal. Lembro que nós dois estávamos deitados na cama e ele se abriu mais um pouco. Descobri que era arquiteto e amante de fotografia (bingo, um ponto forte em comum), inclusive me mostrou algumas fotos que fizera quando estava no interior (ele realmente era talentoso). Me contou suas dores, e me mostrou seus diários das viagens que fazia ao redor do mundo - todos com capa de couro, lembro de ter achado lindo na época -. Sim, ele era, é, virginiano. Organizado e metódico.
Mais tarde naquele dia, fomos ao cinema assistir Homem-Aranha, lembro que ele pegou na minha mão ao atravessarmos a rua e não soltou mais. Me perguntei se não estava indo longe demais. Será que ele tava levando muito a sério, ou isso era uma coisa de verão? Afinal, eu só estava deixando a pré-adolescente dentro de mim se divertir. Eu sei, eu sei... isso é horrível. Acontece que minhas dúvidas se tornaram realidade. Ele mandou mensagem quando estava indo embora, depois quando chegou na sua cidade, quando acordava e quando ia dormir também. Me ligava quase todas as noites, até que comprou uma passagem pra mim, pois queria que eu conhecesse seus pais. Falou em casamento, (juro, não tô mentindo), filhos e tudo que tem direito. Eu comecei a definhar porque não queria magoa-lo, essa não era eu.
Alguns meses depois, eu conheci um rapaz pelo qual comecei a namorar, e acredite, L descobriu da pior forma possível, pois fui covarde e não tive coragem de contar. Naquele mesmo fatídico dia, ele me ligou por chamada de vídeo e pude vê-lo chorar. Ele me perguntava “por que”, e tudo o que eu conseguia dizer era: "me perdoa". Sinceramente, não sei o que se passava pela minha cabeça naquela época. Não sei se era o fato de ter sido machucada por outros caras e quis, de certa forma, me vingar, ou só estava sendo idiota mesmo. De qualquer jeito, nada justifica o que fiz, e espero que ele tenha me perdoado de verdade.
Talvez ele nem se lembre. Mas quem sofre nunca esquece, né?!











