Conceitos são como árvores, quanto mais profunda a rais, mais difícil impedir seu crescimento. R.M.
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Conceitos são como árvores, quanto mais profunda a rais, mais difícil impedir seu crescimento. R.M.
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o que o vento lhe disse? -Ei garoto, você tem medo? -sim sim, digo... na tortuosa realidade de um mundo atual é difícil não temer. -Você fala bem, mas o que o vento lhe contou? -Como? -é o que o vento lhe contou? -o vento é um elemento ele não... -shiu... escute... -... -O que você ouviu? -O som do vento, mas... -então, o vento trás o frio, o frio á noite, a noite o escuro, o escuro o medo... esta tudo ligado. -... -Agora... o que o vento lhe diz? -me diz, que a noite é bela pois a lua não deixa o escuro predominar, que o frio trás a necessidade de calor, e alguém pra nós esquentar, e o medo... este se esconde no escuro pois sem o vento o frio e a noite ele nem mesmo pode se manifestar. R.M.
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Eu sou saudade, sou memórias, sou infinito. Eu sou a sinceridade de um abraço, sou o sorriso de bom domingo. Eu sou água, aqui chove na maioria dos dias. Eu sou a felicidade triste, a felicidade feliz e a felicidade só. Eu sou céu, sou imensa como mar, sou rígida como solo, sou leve como ar que inspiro solidão e expiro amor ao antes, amor ao depois, amor próprio, amor ao próximo. Eu sou, sou nós.
Acaricia. (via solitariei)
Moscas ao léu
Criamos um mundo quando escrevemos qualquer coisa, seja uma frase, um conto, uma musica ou mesmo um poema, cada letra tem sua própria vida e quando juntas em uma palavra formam um acorde, que juntos em uma frase formam uma sinfonia que igualmente juntos em um texto formam um mundo. Um amigo citou uma vez "acho eu, que nos humanos somos como moscas, que rodeiam qualquer fonte de luz e calor como uma lampada, e essa lampada para nos, são como nossa esperanças, fúteis e artificiais, e quando a luz se apaga, procuramos outra lampada." Para mim a escrita é a lâmpada menos artificial em um mundo cheio de lâmpadas.
-R.M.
Em reflexo ao marasmo
O espelho reflete a mesmice, que se deixou levar pelo o que refretia, um mundo doente e sem cor, em seu límpido reflexo o mundo parecia da mesma mesmice que, ano após ano ele continuava a refletir, mas não era mais aquele reflexo límpido e sim sujo, que a cada ano se sujava mais e mais, um dia ele caiu, e em sua queda ele se quebrou em milhares de pedaços, e então mostrou ao mundo o que realmente o mundo era, e com isso as pessoas foram ficando cada vez mais frias, porém o espelho quebrado no chão continuou refletindo aquela mesmice que o mundo parecia!
- R.M.
Cisco o cisco do chão, assim o dia inteiro comendo, ou melhor, limpando o lixo que os macacos sem pelos produzem, por muitos, quando sou branca, significo a paz mesmo assim continuam me caçando e taxando de rato de assas, talvez mais só talvez esses macacos não gostem de ver que um animal insignificante como eu posso limpar a sujeira deles enquanto eles mesmos têm preguiça de dar alguns passos em direção à lata de lixo, pena que me odeiam mesmo que no passado tivesse algum valor, mesmo que mínimo, ao menos não era caçada e odiada, pode ser que quando enfim findar sintam minha falta...Olha á comida não está mais sumindo do chão, foi oque disserem tardiamente os pobres e burros macacos sem pelo.
Sillva
Para todos os bebuns acabados. À noite sobre o véu da lua enquanto todos os mundanos dormem eles abrem os olhos, seguindo um ritual antigo batem as mãos nos bolsos, cigarro, carteira, celular, esqueiro, prontos saem como se fossem vencer o mundo, embora muitos voltem carregados ou empurrados dentro de carrinhos. Naquela mesma praça sobre a presença das mesmas árvores e restos das outras batalhas ali mesmo se sentam, riem bebem, fumam, ali se sentem em casa, os donos, toda a fumaça se mistura com a cheiro das ânforas daquela vil bebida, mal dizem como à derrubadora de homens, mas não, ela só derruba os fracos e indoutos. As horas se passam, a bebida se esvai, e o cigarro quase acaba, uns caem enquanto outros levantam, sobe as únicas testemunhas, às arvores e os postes, eles desabafam, se envergonham, mas enfim a noite se vai deixando apenas as risadas das lembranças algumas marcas nos corpos e roupas e claros os carrinhos que bravamente leva-os até a casa.
Sillva
Podre Vida
Toca o celular mais ele não se apresa em atender, sabe muito bem quem é, ou melhor, oque é, uma mulher, por mais que ele não se lembre do nome dela ou muito menos aonde eles se conheceram, pelo menos sabe que ela queria que ele atendesse. Corre boatos que ele só é mulherengo porque não conheceu sua mãe, outros dizem que são problemas internos não resolvidos, porem, em minha opinião ele apenas aproveitava a vida. Sua semana começa na segunda- feira á noite pega seu instrumento de trabalho, o celular, fazia algumas ligações e pronto aparecia bebida, cigarros, drogas, narguilé e o principal as mulheres não importava muito o lugar, podia ser na casa de qualquer uma ou em uma praça qualquer. Ali então era o rei, todos riam das suas piadas, pegava quem queria. Porem tão rápido quanto se veio também se vai e quando ele se dava conta já estava sozinho deitado em algum banco, ele não achava isso triste ou ruim era apenas o seu estilo de vida, repetia para si mesmo como um mantra, pra que se lembrar do nome de alguém se no final ninguém vai lembrar de quem eu fui, apenas um bêbado qualquer.
Templos de Pedra
- Poxa vida muié, hoje descobri que Deus vivi em casas de pedra;
- Para de aresia homi, a igreja acolá das vacas, do compadre Joaquim é de barro.
- Eu sei muié, me alembro que acochei o barro, compadre joaquim ajuntou todas as comadres e os compadre daqui, cada um ajudou um pouquim.
- Abilolado, tá ariado é? Comé que Deus num tá lá se rezemo todos os domingo.
- Comadre vê se se aveste!
- Apois.
- Ontonte me aprumei todo, coloquei a alpercata que ganhei de mainha e me ateiei pra cidade, comé compra o cachete que ocê pediu, pois lá fui bater as sete freguesias e quando me vi tava numa biboca sem fim, mas num me abestei bati canela pra longe dali.
- bora homi, desembucha.
- Se aveste não, achei uma casa muito bem aprumada, cos vidros pintado, sabe muié, parecia até a casa de Deus.
- homi isso lá e verdade? Era aprumadinha mesmo?
-O se era, uns portão grandão e tudo pintadim, ageitadim, me senti cafuçú.
- Ora homi, ocê num tava aprumado.
- Tava sim, mas á gente de lá se apruma mais, cos colar, sapato bunitos, achei que num valia um cibazol.
- O dó do meu homi, venha, venha, comé fazer um cafoné,
- Oba muié, te amo muito.
- termina o conto, homi.
- Entrei na casa de Deus, sabe muié, e tinha o homi das orações, todo aprumado, assisti tudo ali do fundo mesmo, pá num chama muita atenção, as palavra que ele dizia era bunita, mas perto do final começaram a passar uma sacolinha, e ai todo mundo que tava lá começo a colocar dinheiro dentro daquela sacola, comé chegou minha vez, eu num tava intendendo muito não, mas compadre do lado disse que era pra igreja, uma doação.
- Homi, como doação pra igreja? Acho que te enganaram ein.
-Coloquei duas moedas lá dentro, num pode negar nada pra deus, mais ai o compadre do lado começo a caçoar ai falou assim: Se aveste não mais comé que vai fazer mais casas bonitas igual
essa pra deus com essas moedas. Muié! Na hora eu queria bater naquele cabra da peste. Mas me escapoli dali.
- Mais homi, se tava aprumado e tudo, mas a gente é pobre, porque que eles queria seu dinheiro pra fazer as casas de deus tudo bonitas, devia dar pra quem precisa.
- Poisé muié, mais acho que deus é mais importante demais que nois.
-Sillva
Criamos um mundo quando escrevemos qualquer coisa, seja uma frase, um conto, uma musica ou mesmo um poema, cada letra tem sua própria vida e quando juntas em uma palavra formam um acorde, que juntos em uma frase foma uma sinfonia que igualmente juntos em um texto formam um mundo. Um amigo citou uma vez "acho eu, que nos humanos somos como moscas, que rodeiam qualquer fonte de luz e calor como uma lampada, e essa lampada para nos, são como nossa esperanças, fúteis e artificiais, e quando a luz se apaga, procuramos outra lampada." Para mim a escrita é a lâmpada menos artificial em um mundo cheio de lâmpadas.
R.M.
Sangria
Engraçado o fato de nos acharmos superiores aos outros animais apenas porque fazemos algo que eles não conseguem, nós pensamos, mas o que seria do homem que por escolha própria quis parar de pensar?
Carlos tem uma doença que pode ser facilmente notada, mas que não afeta em nada a sua vida, quando ele fica furioso seus olhos adquirem uma tonalidade amarelada, não é nada que o afete muito afinal ele é uma das pessoas mais pacíficas que eu conheci, enfim ele vive uma vida bem pacata trabalha de segunda a sábado, desde criança tem vontade de ser escritor, porem nunca conseguiu realizar, por preguiça mesmo. Todos os domingos ele sai com seus amigos, os poucos, aqueles que duram para a vida inteira, dentre todos eles a pequena Joly sempre chamou sua atenção, ele realmente á ama como sua irmã, se conhecem desde a terceira serie, se conheceram quando ela foi cercadas por umas meninas dois anos mais velhas que queriam roubar o lanche dela, porem apenas se viu um chute mau calculado que acertou nas costas da ruiva que parecia ser a líder dali, chute único dele que foi respondido por muito e muitos socos e ponta pés, aquela foi a primeira surra que ele levou, porem foi também a primeira vez que ele sentiu como é bom defender alguém, desde então ele sempre se sentiu no dever de protege-la como sua irmã mais nova.
Bate a mão no bolso de trás sente a seda a paranga de 20, nos bolsos laterais o celular e a carteira, munido de tudo que precisa dá um beijo na testa da mãe e sai para aquela mesma praça que sempre se encontra com eles, lá bebem, fumam, se divertem as poucas horas que todos eles se lembram de que ainda estão vivos, em dado momento fumaça sobe tomando por silêncio oque antes eram risadas alta, refletem, pensam, devaneiam, Carlos mais uma vez pensa na falta de coragem, em nunca ter realizado o sonho de ser escritor. Pouco á pouco todos vão indo embora, dessa vez Carlos fica até um pouco mais tarde deixando com que a Joly vá embora sozinha.
Passa Segunda, Terça, Quarta, Quinta e nada de alguma mensagem da Joly, estranho, aliás muito estranho, tanto que Carlos vai até a casa dela ver se aconteceu alguma coisa, pelos raios que partem o céu aconteceu, após muita insistência ela acaba dizendo, sabe Carlos eu sempre sonhei com a minha primeira vez, queria guardar para alguém especial, ela segura o choro, mais deus não quis assim, lembra do ultimo domingo? Enquanto voltava para casa, fui cercada por três homens encapuzados, que revezaram para me estuprarem, vez após vez, foi horrível pensei que ia morrer, desejei morrer e no final falaram que me conheciam e que se eu abrisse o bico eles matavam minha mãe.
Por um momento Carlos tentou esbouçar um sorriso achando que ela estava mentindo ou brincando sobre tudo aquilo, mais podia ser visto no rosto dela um misto de medo, tristeza e principalmente ódio, os olhos de Carlos tomam uma tonalidade amarelada, se eles te conhecem é porque são alguém próximo, vou descobrir quem são, te prometo – diz Carlos como uma voz serrilhada.
Perplexa sem saber oque pensar, afinal ela sabia que ele iria querer fazer algo ele sempre a protege, bem no fundo ela queria que ele fizesse algo, mas não aquilo, seria suicídio, Carlos não, por favor, não, só te peço isso, você vai acabar se matando, não faça isso- suplica veementemente Joly.
Devem ser aqueles moleques que moram naquele sobrado aqui perto, é, foram eles – Carlos se levanta e vai embora.
Fiquei sabendo de tudo, você não está sozinho, a gente vai ajudar – diz a voz pelo celular.
Tudo bem, eu vou ir hoje a noite lá – diz Carlos
Vou ver quem eu consigo chamar para ajudar, mais cara pode ter certeza que vamos arrebentar eles – dá para notar o tom de raiva na voz do celular.
Tá bom – Carlos fecha o celular.
À noite como combinado todos os quatros que compartilham da causa de Carlos se encontram na esquina do quarteirão munidos de canivetes, facas, um taco de beisebol e caminham até a casa. Enquanto caminham camuflados pela noite pode ser visto só os olhos amarelados que podiam ser facilmente confundidos com os olhos de um demônio.
Toc, Toc Toc, ecoa pela rua.
Quem é? – diz a voz atrás da porta.
Papai Noel, idiota – Retruca Carlos.
A porta se abre com um sonoro, filha da Puta, antes de terminar a frase sente um punho fechado acertando o seu queixo, se fosse um soco bem colocado teria sido mais que o suficiente para nocauteá-lo, mas com a força de Carlos ele apenas deu alguns passos para trás e caiu o suficientes para que todos entrassem, Carlos segura o taco com as duas mãos, abre um sorriso enquanto sobe o taco até bem acima da sua cabeça e desce com força na cabeça do homem caído fazendo um som como se ele tivesse batido em algo oco.
Olhando para o lado dá para ver a faca fazendo um semicírculo até terminar no pescoço de um moreno que tentava fugir, o golpe foi bem porco e não o matou de vez ele ainda ficou ali agonizando, vendo seu sangue sair do seu corpo.
A cadeira se quebra em vários pedaços ao acertar as costas do coitado que ainda tentava se levantar, seguido de vários chutes e socos, até que ele começa a tremer ali no chão.
Não dura nem sequer dez minutos até que tudo se acaba e a atenção de todos se volta para o canto, onde Carlos achou quem havia escolhido estuprar a Joly e bate nele sem um pingo de remorso;
Pare por favor, pare – suplica ele.
Ela deve ter falado isso enquanto vocês a estupravam, mas não, não pararam- disse Enquanto colocava a mão no bolso.
Por favor, não me mate, eu não matei ela, olha cara eu já aprendi não vou fazer de novo – ele fala isso embora no fundo já não vê mais muita chance da sair vivo. Matar? Claro que não, só que você tinha que aprender que não pode fazer isso- Carlos abre um sorriso no rosto.
Eu já aprendi, eu juro, nunca mais vou fazer nada – um pouco de esperança toma o coração dele.
Mais você não pode esquecer isso! – Fala Carlos virando as costas ainda com o sorriso.
Nunca, nunca vou esquecer – exclama ele.
Um movimento seco e rápido, pronto agora eu sei que você não vai esquecer isso, diz Carlos com as mãos sujas de sangue; meu deus, ai meu deus, você disso que não ia me matar- ele grita isso tomado pelo pavor e pela dor, acho que faria a mesma coisa se tivesse uma faca enfincada até o cabo no meu saco escrotal.
- Sillva
Rapto Subterfugioso
Homens de preto andam de dia e no sol,
Homens de preto veem em minha direção,
Homens de preto olham sem sorrir,
Homens de preto me pegam e me levam.
Não sei, mas não resisti,
Parecia bom ser levado
Simplesmente do mundo sumir,
Deixar de ser esse homem parado.
Homens de preto me jogaram numa sala,
Homens de preto me bateram muito,
Homens de preto, Homens de preto falaram,
Fez oque o homem não pode fazer.
Foram então os juízes e carrascos,
Me sentaram, ainda não sorriam pra min,
Vai ser melhor assim, foi oque disseram,
Antes daquele som elétrico e a dor, á a dor.
- Sillva
A garota de cabelos azuis.
Uma vez em uma das minhas corriqueiras viagens de trem para o trabalho, eu tive um epífise, percebi todas aquelas coisas bobas que os filósofos dizem normalmente, de que as pessoas estão em um estado de vegetação, de que elas não estão vivendo e sim, existindo, nem isso, só sobrevivendo, figurantes era esta a palavra,
Pra que foi ter esta contemplação da verdade tao oculta, rum, chega a ser engraçado, por que agora tudo parece, real, seco, sem vida, desaproveitado, como... como... um deposito de lixo reciclável abandonado, sim isso explica bem minha visão das coisas. Quarta-feira, entro no ônibus procurando saber por que ainda insisto em continuar aquilo, o cheiro de fumaça de cigarro se mistura com o de perfume barato e creme de cabelo, apesar da ampla mistura de odores o cenário parece frio e sem cor, as pessoas todas parecem iguais, quando percebo a fonte daquele gélido clima não é exatamente os corpos sem sentimento das pessoas do recinto que já não ousam tentar enviar um misero sinal de esperança, não era nem mesmo a silenciosa sinfonia do total descaso, por que aquele frio, era um frio bom, que não sentia a muito tempo, aquele que faz os pelos do braço arrepiar e te paralisa por um curto período de tempo, aquele frio vinha de uma garota que se destacava em meio as outras pessoas, seu sorriso, sim, um sorriso, era inescapável, tao simples, tao ingenuo, e seus olhos, azuis de um azul límpido, combinavam muito com o seu cabelo igualmente azul que ia ate os ombros e era preso por um laço vermelho, tao acostumado a ver pessoas pálidas com o mesmo curte de cabelo e roupas, sabe aquele mesmo manto de trabalho escravo chamado de terno e gravata, mais ela estava com um lindo vestido branco florido e uma cinta azul prendendo na altura da barriga pouco acima da cintura, e o vestido ia ate mais ou menos metade das coxas, o tempo que fiquei a vislumbrando foi o suficiente para meu ponto chegar, não queria descer para ser sincero, mas não tinha muitas escolhas. Enquanto caminha em direção a estação de trem eu pensei, como algo assim poderia existir em um mundo como este, ela simplesmente parece não dar a minima para as regras que nos prendem a realidade, por alguns momentos pensei que ela só estava no ônibus para curtir o passeio, bom, foi uma surpresa realmente boa no meu dia, não consigo tira la da minha cabeça mas ela nem deve ter me percebido, continuo caminhando. Cheguei atrasado na estação, e meu trem passa só de trinta em trinta minutos, fazer o que vou ter que esperar, fico observando as pessoas, vejo uma garota chorando ajoelhada na calçada, as pessoas em volta todas passando sem mesmo perceber a garota ali, claro estavam muito atrasadas para seus medíocres trabalhos, não que meu trabalho fosse de alguma forma gratificante. O trem chega, e mesmo sabendo que todo mundo vai conseguir entrar, as pessoas se matam para entrar, eu espero, as pessoas a minha volta, desfocadas pela mesmice, passam, passam, os celulares ligados falando sobre negócios, o coração deligada, por falta de emoção, passam, eu, o ultimo no ponto sinto o tempo parar novamente, aquele frio bom, e em meio ao mar do cotidiano um azul mas forte, a garota de cabelos azuis passa novamente por mim, tao calma, como se não tivesse compromisso algum, com as mãos nas costas ela vai em direção a garota ajoelhada, e lhe da uma flor vermelha simples com apenas três pétalas um pouco surrada mas de cor intensa, e por alguns instantes a garota ajoelhada, que ate então parecia tão solitária e sem cor, pareceu tao colorida quanto a simples flor. Quase perdi o trem, mas valeria perder do meu tempo para ver aquela rara cena, porem tão rápido quanto tudo aquilo veio em minha mente, em minha vida, tudo aquilo se foi, deixando apenas um espaço em mim que antes não sabia que existia.
- R.M.
Dias de Luto
São lerdos os passos de quem não tem pressa, são muitos os caminhos de quem não tem rumo, são muitos os bens de quem nada da vida espera tudo isso se passava em uma segunda-feira na cabeça do esguio velho que anda solitário do lado esquerdo da rua, tudo bem ele pensava, vai ficar tudo bem, ele repetia, gostaria muito de dizer que ele é um pai de família exemplar, que sempre volta para casa depois de um dia cansativo de trabalho e então corre em direção aos braços da filhinha mais nova, que, aliás, tinha falado sua primeira palavra semana passada, porem não, nem sempre a vida é tão boa com as pessoas, aliás, ela testa e testa muito, são poucos os que conseguem passar e ele infelizmente não conseguiu passar, sua principal provação foi aos sete anos quando viu seu pai convulsionando na sua frente graças ao entregador de jornal que estava passando seu pai foi salvo, claro que também não podemos esquecer que ele nunca conheceu sua mãe, mas mesmo assim ele tentou criar uma vida, encontro uma mulher com uma beleza mediana igual a dele, teve dois filhos, um casal, enfim tinha oque muitos precisam para ser feliz. Com uma única diferença, que sua felicidade custava mais barato que ter uma família e não necessita de amor ou carinho, seu nome é uísque, com uma cor levemente acobreada, da cor do pecado dizia ele. Bebia de segunda á segunda, fígado já calejado não reclamava, ultimamente tinha começado a fumar, dois a três maços por dia eram o suficiente para mantê-lo calmo, para aguentar o seu chefe e sua família enfim para aguentar sua felicidade. Há duas semanas sua mulher começou a reclamar muito, que ele não era mais aquele que ela conheceu, que ele á assustava, que iria morar com sua mãe, isso tudo incomodava ele, não que ele ainda a ama-se era apenas um sentimento de posse, ela era dele não tinha direito de se livrar dele. Naquele ultimo domingo ele demorou mais para voltar que o normal, porem, ela não percebeu, quem perceberia? Quase vinte anos aguentando aquele pinguço. Fazendo seu velho ritual ele chegou tomou um banho, só que dessa vez ele não se deitou, ficou apenas parado olhando para aquela mulher deitada na sua cama, após algumas horas, o sol já estava nascendo, foi bem rápido, ela abriu os olhos e escutou aquelas palavras: finalmente acordou, então sentiu apenas uma leve dor no peito seguido de um calor crescente em sua camisola, ela segue do farto sorriso no rosto dele para os ombros e vai descendo até intender oque estava acontecendo, tinha uma faca no seu coração. Ele dá uma pequena torcida na faca para ter certeza do óbito dela, boa sorte já, já vai encontrar os nossos filhos, murmurou enquanto deitava na cama.
-Sillva
Foi embalado por vários cortes de corote que enfim percebi que puta que pariu essa vida não pode ter fim, das varias quedas por varias bebidas, sempre resolvo acendendo o cigarrinho da paz, a fumaça sobe os pensamentos descem, a paz toma conta, e a felicidade nos entretê.
Sillva
Autofágia
Apanho, desapego;
Lembro, esqueço;
Morro, vivo,
Numa odisseia de inimagináveis
Me sinto acolhido
Talvez dúvidas?
O incerto é meu alicerce
Lançado á esmo
Vivo,
Na maior amplitude de duvidas que coleciono.
-Sillva
Na minha mera concepção não existe pessoas suicidas e sim sociedades assassinas.
Sillva