Te amo. Te amo demais
NASA

PR's Tumblrdome
ojovivo

Janaina Medeiros
Cosimo Galluzzi
we're not kids anymore.

No title available
noise dept.
trying on a metaphor

Kaledo Art
No title available

No title available

Kiana Khansmith

#extradirty
h

Andulka
Mike Driver

roma★

No title available
taylor price
seen from Malaysia
seen from United States
seen from Poland

seen from Iraq
seen from United States
seen from United Kingdom
seen from Germany
seen from United States

seen from Switzerland

seen from Macao SAR China

seen from Brazil
seen from United Kingdom
seen from United States
seen from Canada
seen from Jordan
seen from United States

seen from United Kingdom

seen from Germany

seen from China
seen from United States
@ans1a
Te amo. Te amo demais
Pela sombra
Eu não tenho mais forças pra continuar As memórias continuam martelando E dói, dói bastante Dói não ter mais pra onde ir Dói não saber mais o que fazer
Os momentos ainda me marcam Os diálogos ainda me prendem Somos dois Dois presos, dois marcados Um acha que não consegue continuar sem o outro Mas conseguem Tem que conseguir
Dois que não podem coexistir dessa maneira Dessa maneira fechada, sentimental Não fomos feitos pra estarmos juntos E não estamos em condições de permanecer assim Dois que não vão coexistir Não mais
Acho que tudo acaba por aqui Adeus aos sonhos inúteis Adeus aos sentimentos sem base Adeus aos momentos que nunca deveriam ter existido Adeus ao que nunca deveríamos ter chamado de futuro Adeus
Mas ainda dói Dói bastante
Nós
Já se passaram alguns dias. Meus pensamentos já não me obedecem mais. Eu queria esquecer tudo, afinal não somos compatíveis. Meu coração pode achar que sim, mas a minha razão sabe que não.
Sua voz me persegue, seu sorriso permanece me encantando. Seu jeito me traz paz, seus olhos me fascinam. Muitas vezes me deparo tentando achar palavras pra definir o que tenho, o que sinto, e nunca sai nada. Acho que sou melhor com sentimentos do que sou com palavras.
Mas não dá. Não dá pra continuar. Não dá pra continuar sequer pensando que alguma coisa pode dar certo. Não podemos dar certo, não temos nem maneira de dar certo. Nossas vidas não convergem, nossas histórias seguem seus próprios enredos. Tudo o que poderia nos distanciar existe. Simplesmente não dá.
E quanto mais tento nos afastar, mais meu coração arranja motivos, muitas vezes irracionais, para nos aproximar novamente. Não quero mais sofrer, não posso mais sofrer. Não posso cultivar algo que nunca será concreto. Senhor Jesus, rei do universo, me ajude, por favor!
As noites de choro não cessam, as lutas me cansam, as madrugadas de sofrimento me machucam, minha vida está definhando! Tudo o que quero é parar, mas como? COMO!?
Fingir
É horrível fingir sorriso, mas admito que já fingi. Na realidade, na forma como as coisas estão acontecendo comigo, fingimentos são partes normais do meu dia-a-dia. Eu odeio ter que fingir que minha vida está boa, mas não tenho outra escolha.
Já tive que, numa ocasião bem recente, ter que fingir que trabalho bem, que tenho uma vida estável e segura. Tive que fingir que meu relacionamento com a minha família sempre foi o melhor. Tive que fingir que não sofro, diariamente, com tentativas e fracassos de me acalmar emocionalmente. Tive que fingir que Aquela Madrugada nunca aconteceu, e esse é o pior dos meus fingimentos.
Eu não sei o que fazer, de fato. Não consigo abrir o portão de casa e não abrir um sorriso (dos mais falsos que tenho). Não consigo ir à casa de um amigo e conversar abertamente sobre a merda que sou. Talvez eu não queira incomodar, ninguém tem que ficar sabendo do que acontece comigo. Sinto que fingir é sempre a melhor opção para todos, menos pra mim...
E prendo, prendo mesmo. Prendo minhas angústias, prendo meu sofrimento, prendo o que sei que não devo prender. É o que é preciso ser feito, no fim das contas. Ninguém deve se importar com meus sentimentos, e tenho que me adaptar a isso. Infelizmente, poucas opções são diferentes de continuar fingindo.
Não, não quero mais fingir, mas também não posso me abrir aos outros. É uma realidade difícil de lidar. Dentro de mim há um milhão de tribulações que me apertam, me machucam e me pressionam a as expor. Mas não consigo. Fingir não é um ato de omissão, é um ato de misericórdia.
Quem sabe se, aos poucos, de oração em oração, as coisas não melhorem? Pode ser que, num futuro utópico, meus fingimentos se tornem a realidade, não mais ilusão. Não faço a mínima ideia se meus primeiros passos foram dados na direção certa, mas sei que quero fazer, mesmo sem saber o quê.
Sonho
Eu não sei o que fazer pra seguir em frente. Já tem semanas que penso, penso, mas nada sai, nada progride. Fico horas parado, sonhando nas possibilidades do que posso ser, mas são horas de atraso de vida. E continua nada saindo.
Meus sonhos de vida sempre foram variados. Já sonhei em ser um grande jogador de futebol, um grande economista e um grande empresário. No mundo dos sonhos, sempre sou o melhor, o mais capacitado, o mais bem sucedido. No mundo real, as coisas se desenvolveram diferente. Esse rapaz sonhador, um adolescente quase prodígio, é agora um adulto frustrado e incapaz. O tempo de sonhar acabou, o tempo de realizar qualquer sonho também.
Um dos meus maiores sonhos como adolescente foi ser desenvolvedor, desenvolvedor de qualquer coisa ligada à computação. Sonhei tanto em fazer o melhor jogo de videogame já feito, o melhor editor de vídeo, o melhor sistema operacional do mundo. Que bobagem. Nunca escrevi sequer uma linha de código, não sei nem por onde começar.
Eu fui crescendo e meus diferentes sonhos de vida foram se conflitando, e formando um jovem adulto indeciso, de formação fraca e pouco preparado para a vida real. O que sou hoje? Não faço a mínima ideia.
Se conflitam sonhos de ser um grande artista, um grande engenheiro, um grande empresário, ao mesmo tempo que se concretizam pesadelos de frustrações, angústias e decepções. O que vejo que sou hoje é um adulto que continua sonhando, como um adolescente. A adolescência já passou.
Quero dar passos maiores, quero me desenvolver. Ter uma vida de oração me ajuda a revisar minhas decisões. Peço sempre ajuda a Deus para superar minhas frustrações. Apesar disso, acho que ainda estou estacionado, parado. Não sei quais sonhos quero realizar, não sei se ainda tenho tempo para realizá-lo. Esse é o meu problema, eu simplesmente não sei.
Espero conseguir me entender e seguir em frente. Ainda me resta, lá no fundo, algum otimismo de que alguma coisa ainda pode dar certo...
Ele: Você lembra do que dissemos um ao outro?
Ela: Isso já não importa mais.
Ele: Prometemos que seríamos eu e você contra o mundo. Eu não me importo com mais nada.
Ela: Bem, agora é só você contra o mundo...
Ele: Prometi nunca abandonar você!
Ela: Considere essa a nossa primeira promessa quebrada.
Paixonite
Com todas essas coisas passando pela minha cabeça, acabei esquecendo de pensar novamente no coração. Eu, quando adolescente, sempre fui prisioneiro das paixonites, mas parece que o tempo passou. Hoje, não consigo mais me imaginar apaixonado como aquele eu do ensino médio.
Não que eu não ame mais, longe disso. Eu só não acredito mais naquelas coisas de comédia romântica, como amor à primeira vista ou coincidências entre apaixonados. Meu coração já não segue mais essas ações imaturas. Bom, pelo menos é o que eu acho.
Já deve ter pelo menos uns 7 anos que não me apaixono. A última vez eu lembro bem, foi no colégio. Uma garota nova entrou na sala, eu estava no 2º ano do ensino médio. Ela tinha luzes no cabelo e gostava muito de desenhar, o que me instigou bastante a puxar conversa com ela. Puxei, me tornei amigo dela e a paixão, em algumas semanas, começou a me capturar. Que merda, eu diria.
Na época não tinha nome, mas os adolescentes hoje chamariam de friendzone o que vivi. Fiz de tudo por ela sem qualquer retorno, mas tinha medo de pedi-la em namoro pra não estragar nossa amizade. Que tolo fui. Quando finalmente tive coragem, chegou a notícia de que ela estava namorando. Aquilo simplesmente me destruiu.
Por isso que afirmo hoje que paixão não é pra mim. Eu até pensei em algum momento em me tornar Padre, pra nunca mais pensar nisso. Enfim, eu tive após isso alguns desejos, mas nada perto de um grande amor ou uma paixão. Até recentemente eu comecei a sair com uma garota que mora perto da minha casa, e eu tive um pequeno interesse, mas aquilo que eu sentia na adolescência jamais voltou.
Eu não sei se tenho medo de me apaixonar ou se não tenho confiança em mim mesmo, só sei que não tenho mais inclinação à paixão mais. Muitos diriam que isso é apenas eu me travando de viver, mas eu acho, hoje, que paixão é realmente coisa de adolescente, a maturidade traz novas visões às relações humanas.
Mas quem sabe, eu ainda posso mudar. Eu ainda quero casar, amar alguém pra vida toda. Talvez um romance adolescente não seja má ideia...
Está difícil
Está cada vez mais difícil continuar Está cada vez mais difícil aceitar
Está cada vez mais difícil ver diferente Está cada vez mais difícil seguir em frente
Está cada vez mais difícil me afirmar Está cada vez mais difícil me confirmar
Está cada vez mais difícil segmentar o caminho Está cada vez mais difícil não andar sozinho
Está cada vez mais difícil jogar fora o mal Está cada vez mais difícil permanecer teatral
Está cada vez mais difícil me convencer Está cada vez mais difícil proceder
Está cada vez mais difícil continuar vivendo Está cada vez mais difícil fazer sentido ao momento
Mas seria tudo cada vez mais fácil mudar Se não estivesse cada vez mais difícil amar
Ocioso
Em certos momentos penso que nada poderia ser mais destrutivo pra minha vida do que a ociosidade. Ficar sem fazer nada, sem aquela segurança do que fazer no dia seguinte, me parece ser uma grande causa do que aconteceu n’Aquela Madrugada.
Quando somos jovens, temos sonhos que nos motiva a seguir em frente, que são a causa das coisas que estamos fazendo. Fazemos escolhas como faculdade, cursos e pequenos trabalhos na esperança de realizar nossos sonhos, e tudo isso nos dá a segurança de que estamos indo na direção correta de dar sentido às nossas vidas. Mas e quando nada dá certo?
E se a faculdade te decepcionar? Se o seu primeiro emprego não te satisfazer? E se todas as suas tentativas falharem? Muitos têm planos B, porém muitos não têm, afinal vivemos apenas uma vez, não temos tempo para planos B.
Bem, mas agora, sem alternativas e sem motivação, um plano B seria de bastante utilidade. Eu não fiz, e agora a ociosidade me captura, me tortura e me tira de mim mesmo. A triste e vazia visão do meu futuro traz novamente alguns momentos d’Aquela Madrugada.
Eu sempre quis ser bem sucedido, e era visto como uma criança com um grande futuro, uma grande história. Não sou. Na realidade, nunca fui. Crianças são apenas crianças no presente, o futuro pertence a Deus e apenas a Ele. Se eu fosse avisado, no passado, para continuar sendo apenas criança, talvez minha realidade fosse concreta, e não um sonho.
Agora é hora de deixar os fracassos para trás e começar novamente. Mas por onde? Como? Não tenho mais idade pra sonhar e realizar um sonho, não tenho mais idade pra viver o presente, não tenho mais idade, eu acho. Seguir em frente, agora, me parece ser bem mais difícil.
Mas desistir não parece ser uma opção...
Cansaço
Estou triste, exausto. Acho que cansei. Cansei de ser quem eu sou, cansei de viver o que vivo, cansei de conhecer quem eu conheço. Não, não cansei da vida, gosto dela ainda, mas eu gostaria, sim, de ter outra.
Não que não há coisas boas que vivi ou posso viver, mas acho que minha vida é vazia, monótona e chata, e o que já passei parece ruim, sem fundamento. Eu me arrependo de muita coisa que deixei de fazer e não posso fazer mais. E pior, eu tenho bastante perspectiva de que ainda me arrependerei.
Estou em um momento em que meu passado me condena e meu futuro me decepciona. Eu não fiz nada de bom no passado e agora que o futuro está me cobrando, não tenho nada a oferecer. Se eu pudesse voltar no tempo, ah se eu pudesse voltar no tempo...
Mas não posso voltar no tempo, e aceito isso. O que eu queria mesmo era ter tido uma vida melhor, com mais conhecimento, com mais amor e mais gratidão. Eu até que agradeço a Deus pela minha vida, uma vez que ainda estou vivo e ainda estou aqui, tentando arranjar algum sentido pra ela. Porém eu queria ser o que sonhava ter sido.
Eu achava que estudava bem, eu achava que fazia boas decisões. Até que a realidade não me deu apenas um tapa na cara, mas uma surra que nenhum lutador conseguiria dar num ringue. Nenhuma luta se compara à nossa luta na vida, e eu acho que não estou conseguindo mais suportar e permanecer em pé.
Por isso eu digo que estou cansado, exausto. Cansado de continuar tentando e fracassando. Cansado de sonhar e ser obrigado a acordar. Cansado de planejar e logo após afundar. Cansado. Eu faço minhas orações diariamente buscando paz e força para carregar minha Cruz, pois acho que, sozinho, não consigo continuar caminhando.
Há algo em mim dizendo que não devo desistir, ainda...
Opinião
Há várias situações que não consigo entender porque tenho medo. É como se todos à minha volta estivessem me julgando, rindo de mim. Não precisa haver motivo, apenas passo pela situação e começo a ficar paranoico com o que eu acho que estão pensando de mim.
Parece bobo sim, reconheço. Pra quê perder tempo com o que acham os outros? Bem, eu não sei, apenas faço e sofro com isso. A opinião dos outros, por mais que me digo que não, é, sim, muito importante pra mim.
Desde pequeno, sempre fui aquele que queria agradar a todos. Eu era o certinho, o educado, o filho que todo mundo queria ter. Qualquer crítica que faziam a mim era respondida com um alto e sonoro choro, de alguém que não suporta desagradar quem quer que fosse. Sim, minha vida era uma merda.
Eu ainda tenho muito dessa criança em mim. Importar-me com o que os outros pensam de mim é prática do dia-a-dia. Se vou comprar pão, cuido de cada movimento que faço pra que não gere comentários ou opiniões, mesmo que apenas estejam na minha cabeça. Mesma coisa quando pego ônibus ou quando vou à Igreja. Já não consigo mais me controlar.
Tenho medo de falhar. Tenho medo de não conseguir me mostrar útil. Tenho medo de parecer um idiota. Que ironia. Tendo medo e tentando não parecer um idiota, acabo me tornando o maior idiota.
Preciso dar mais a cara, me mostrar para a falha. Preciso parar de me importar com o julgamento de outras pessoas e olhar mais pro que me satisfaz. Sei que Deus me ama de qualquer maneira, independente do que pensam de mim, então por que simplesmente não digo “foda-se” para o mundo? Esquece, eu não consigo.
Me dói, fisicamente, tentar mudar isso. Eu tento toda semana, todo dia. Não é fácil e não sei se estou apto a tamanha mudança. Eu choro, esperneio, meu rosto se contrai, meu corpo se inquieta. Parece que os ciclos de tentativas jamais terão fim, e nunca vou aceitar que a opinião dos outros não é importante. Eu já tenho poucas forças pra acreditar que essa história tem um final feliz.
Quem sabe algum dia eu encontre a real felicidade em mim...
Criança
Que tipo de criança eu fui? Essa parece ser uma pergunta meio aleatória, mas me deparei pensando isso nos últimos dias. Aquela Madrugada me despertou um sentimento de medo que me lembrou os tempos de infância, então logo quis lembrar como eu saía dessas situações. Bem, minha vida era bastante diferente na época.
Durante minha adolescência e início da fase adulta, eu fiz muito esforço para esquecer boa parte da minha infância. Não foi uma época bacana. Eu era uma criança muito fechada, sempre com poucos amigos, sempre com poucas alegrias. Jogar videogame, sozinho e com um pacote de Fandangos do lado era meu pequeno prazer. Nunca consegui, nem sequer me esforcei em tentar entender porque eu era assim, apenas era.
Porém tinha sim um motivo para ser assim. Não era nem um pouco prazeroso viver com a minha família. Meus tios e primos eram extremamente chatos, e me incomodavam por tudo o que eu era. Eu não me sentia aceito ali, eu era sim uma criança fechada e de personalidade difícil, e faziam questão de jogar na minha cara que isso era anormal ou inconveniente.
Parte do meu esforço em esquecer minha infância está aí. Minha adolescência foi mais bacana, mas pelos piores motivos. Minha família começou a se afastar mais, e minha vida na escola se tornava ótima. Meus pais ficavam mais presentes em casa, mas minha família “fora de casa” ficava mais distante. Foi ótimo, pois vi onde me aceitavam, e percebi onde nunca fui aceito.
Mas teria minha infância contribuído com o que aconteceu n’Aquela Madrugada? Certamente. O desespero que me possuiu naquela noite muito me parecia com meus desesperos de criança, de quando eu corria para os braços de minha mãe à procura de aconchego. Eu não tive aconchego n’Aquela Madrugada, pois meu eu adulto não adquiriu esse poder.
Sempre pensei que eu teria saído bem da horrível infância que tive, mas acabei descobrindo que ainda há bastante daquela criança em mim. Eu cresci, mas ainda tenho inseguranças e medos de quando pequeno. Tudo bem ter essas coisas, mas eu ainda recorro às minhas atitudes infantis para me aconchegar.
Sou um adulto mal-formado, mas que agora tem a oportunidade de analisar suas mal-formações e resolvê-las de uma maneira madura e pensada. Vejo, agora, que minhas orações não só me aproximam de Deus, como me aproximam de mim mesmo também, tocando minha vida em frente. A partir de agora, é vida nova.
Na Realidade
Sob qual perspectiva vivo minha vida? Tudo aquilo que quando criança sonhava de quão grande como pessoa eu estava agora é apenas uma lembrança perdida
O tempo passou, o real é diferente Sonhos são apenas distrações Esperanças são apenas distorções O mundo ideal é inexistente
Como eu queria voltar no tempo um dia E contar para aquele garoto a verdade de que é impossível, na realidade, realizar o que sua consciência lhe dizia
Os adultos diziam que eu podia continuar sonhando Mas nunca me disseram que era inútil pensar que a vida poderia de algum modo se moldar àquelas aspirações idiotas que fiquei esperando
Pelo menos já tomei conhecimento de que a realidade é uma merda, de que a vida é um lixo, de que os sonhos são aspirações vazias, um mundo prolixo de objetivos sem rumo e tristes sentimentos
O que será daqui para frente? Em Deus coloco todo o meu futuro porque sei que só n’Ele posso sair desse escuro de sofrimento e angústia da mente
Vazio
Minha cabeça está doendo, muito. Olho no espelho e vejo uma pessoa cansada, olhos semi-abertos, boca sem sorriso e um semblante triste, vazio. Cada passo que dou parece pesar o corpo, como se não pudesse mais me dar suporte. A visão se turva, os objetos se borram. À medida que o tempo passa, a esperança de melhora só diminui.
Aquilo que aconteceu, aquela madrugada não sai da minha cabeça. As ações, os pensamentos vazios, o desespero. Eu haveria de ter sentido isso na minha adolescência, mas sempre pensei que fosse um vazio comum de alguém que tem pouco da vida e tem mais a viver. Porém, agora com 25 anos, esse sentimento não pode ser o mesmo.
O vazio da minha vida me atacou em cheio. Nunca tive emprego formal, nunca fui feliz com a vida que levava. Se essa crise veio por uma razão, essa foi a de me mudar de uma vez por todas. Pelos próximos dias, o melhor que posso fazer para mim é revisar minha vida, tirar o que está errado, buscar o certo. É, parece simples, mas uma pergunta precisa ser respondida: como?
Meus pensamentos não me obedecem, meu corpo apenas se retrai. O aviso chegou, mas veio com sérias consequências às minhas condições. Eu poderia ter tudo pra mudar de vida, mas o que tenho é tristeza, dor e medo, muito medo. Como disse, a cada passo que dou, um peso a mais parece ser colocado sobre mim.
Pesos das contas, pesos dos julgamentos, pesos dos fracassos. Acredito que não estou mais preparado para viver como vivia. Ou eu mudo, ou o mundo muda, e como sei que o mundo dificilmente vai querer o meu bem, acho que está na hora de repensar, e repensar bastante. Isso é vida, agora.
Enquanto isso, permaneço tentando a calma através das orações, através da meditação e através do estudo. Não está bom, não mesmo, mas TEM que melhorar...
Fobia
Eu tenho medo. Sempre fui visto como o corajoso da família. Qualquer fobia dos outros era motivo de piada, afinal, pra mim o medo era apenas uma insegurança que todos devem superar. Bem, não é assim, agora vejo. Estou convicto em afirmar: eu tenho medo.
Não é um daqueles medos comuns como o de barata ou cobra. Também não é um daqueles medos vindos de traumas como claustrofobia ou latrofobia. É muito mais profundo e, agora, muito mais latente. Esses acontecimentos da última madrugada só luziram o que estava escondido.
Sempre tive pra mim que não há perda na vida que não seja contornável. Eu tenho plano B pra qualquer perda que eu venha a ter, mas há uma perda, uma apenas, que não tenho alternativas caso aconteça. Novamente, eu tenho medo. Eu tenho medo não, eu tenho pavor. Eu tenho pavor de perder a minha sanidade.
Qualquer que seja a destruição que eu sinta, nenhuma superará a devastação que uma insanidade pode causar na minha vida. Eu, o sempre inteligente da turma, o centrado nas decisões de família, o visto como orgulho da sociedade, veria tudo isso acabar caso a loucura me possuísse. Qualquer esperança que tenham em mim se tornaria decepção.
As aspirações que tenho, as graças que posso alcançar, os títulos que posso adquirir, seria tudo poeira no vento, lágrimas na chuva, lascas nas cinzas. Só de pensar, calafrios me tomam. A possibilidade, sozinha, já é grande parte do medo. Oh, céus, me ajude!
Nesse momento, o que posso fazer é meditar, tirar tudo de ruim da cabeça. Vou rezar um Rosário, ler a Bíblia, me aproximar daquilo que é bom. Tenho livros e livros na prateleira pra me distrair, artes e artes para entregar, e tudo ficará bem. Sossegado.
Mas eu ainda tenho medo...
Madrugada
Foi horrível. Eu não sabia o que fazer. Sucessivas cenas passavam, e minha única resposta era desespero. Eu poderia estar com um milhão de pensamentos na cabeça, menos esse. O único problema é quando me pergunto “Que pensamento é esse?” e a única resposta que tenho é “Eu não sei”.
Estava sendo um fim de semana como qualquer outro. Manhãs e tardes de brincadeiras, reuniões e momentos em família, noites de descanso, calma e Missa. Minha vida, por outro lado, nunca esteve realmente boa, mas nunca tive motivos para reclamar dela. Tudo parecia ser maravilhoso, até a chegada da madrugada.
Eu sempre tive a madrugada como minha amiga. Minhas melhores ideias, meus melhores sonhos e minhas melhores histórias estão na madrugada. Mas essa foi diferente. Nos primeiros momentos sob a cama, achei que a dor de cabeça era natural após um dia intenso, mas era só uma preparação para o que estava pra acontecer. Ali começava o momento que mudaria minha vida para sempre.
Era medo, era só medo. O sentimento foi tomando conta do meu corpo, e o pânico começava a agir. Eu não conseguia achar qualquer coisa que poderia me tirar desta situação. Meu impulso foi simplesmente andar, andar e andar. Meus olhos se arregalavam, meu ar faltava. Tudo o que eu queria era ajuda, e eu não tinha ninguém. Eram duas da madrugada, o silêncio era o dono da noite, o vazio me desesperava.
Eu andava, andava e andava até minhas pernas não aguentarem mais. Eu tentava respirar com mais calma, mas um pensamento ficava martelando minha cabeça e só me entregava mais medo e angústia. Eu não conseguia entender o que eu estava pensando, e essa escuridão do desconhecido me apavorava. Foi horrível.
A madrugada agora era meu pior pesadelo. No dia seguinte, ninguém me entendia. Eu tentei conversar com a minha irmã, ela não me entendeu. Eu tentei conversar com a minha mãe, ela não me entendeu. Eu tentei conversar com minha melhor amiga, ela não me entendeu. Eu preciso de ajuda, e a principal recomendação que recebi foi de procurar uma ajuda profissional, mas eu ainda estou cercado de medo. Parece o contrário, mas eu ainda não sei o que fazer.
Para a próxima noite, prepararei meu Terço e farei do Rosário a minha força. Sei que tudo vai voltar ao normal.