Preto, macumbeiro, sem grana, ferrado
Mais um brasileiro miscigenado
Até na fé sincretizado, higienizado, esbranquiçado
Quer pagar pra ver do lado de cá?
Nunca tive tempo nem pra reclamar
Acordando cedo, sem hora pra voltar
Sem lacrimejar, pra me alimentar
E me disseram
“Chora no escurin, neguin, que é pra ninguém ver
Se você der mole, vão pisar em você
Pois quem nasceu mal não pode escolher
Não pode tremer, não pode perder
Esse jogo sujo tá contra você
Cê não vai viver, vai sobreviver
Vai lutar, vai sangrar, vai permanecer
Vai pra pista, pica a mula e pé na tábua!”
(...)














