Normalmente quando escutava seu nome inteiro nunca era seguido de alguma coisa boa. Alguma notícia ruim, alguma bronca, por isso era extremamente contra seus reflexos erguer o rosto, quem dirá sustentar o olhar de alguém. Entretanto, naquele momento, deu o seu melhor para sustentar o olhar de Wonshik enquanto apertava os dedos no tecido da blusa dele, ainda com os braços na altura de sua cintura. Em certo ponto, os olhos marejaram. Conforme o outro listava os acontecimentos, era como se todos aqueles sentimentos voltassem e, por um momento, ele se sentia ainda mais perdido, mais fundo dentro de todo aquele caos, com medo e inseguro. Aquilo o fez perceber que já tinha passado por mais coisas difíceis do que a pouca idade poderia sugerir. E aquilo o deixava receoso, porque ele não sabia quanto mais poderia aguentar se a vida continuasse a brincar com ele com tanto mau gosto. Todavia, ao mesmo tempo que o assustava, trazia um certo gostinho doce para a boca porque Wonshik tinha razão, ele tinha sobrevivido a todos os incontáveis piores dias da sua vida e aquilo era algo pelo qual deveria se orgulhar, mesmo se estivesse destinado a morrer no dia seguinte. De todo jeito, ele não costumava pensar naquelas coisas porque nunca esperava louros por nada do que fazia. Tudo o que fizera era simplesmente porque tinha que fazer. Fosse tentar impedir a mãe de Wonshik de machucar-se, tirar forças Deus sabia de onde para manter Mimo respirando até a chegada do socorro ou recusar aquela campanha.
Lágrimas teimosas rolaram por suas bochechas, o obrigando a desviar o olhar e recolhê-las rapidamente com as costas da mão. Porém, foi em meio a uma risada que ele tornou a fitar os olhos do mais velho. Assentiu em concordância e também agradecimento, fechando os olhos por um momento por conta do beijo que fez seu sorriso se ampliar. Não haviam palavras que pudessem expressar o quanto era grato por ter Wonshik em sua vida e naquele momento, mais do que em todos os outros que costumava agradecer aos céus por seu namorado, ele percebeu aquilo. Claro, não eram absolutamente todas as pessoas em sua vida que costumavam colocá-lo para baixo sempre que tinham a oportunidade, entretanto, ele tinha certeza que nem mesmo sua mãe tinha tanta confiança em seu potencial quanto Wonshik tinha. Era engraçado, para Daeyeon, como ele sempre parecia pronto para recolher os cacos de sua autoestima e colá-los. Aquilo sempre o fazia questionar se era uma pessoa que valia o esforço, mas tê-lo ali depois de todo aquele tempo e sem nenhum sinal de que queria ir embora o deixava um tanto confiante de que talvez ele realmente valesse a pena. Além de fazê-lo perceber que poderia aguentar qualquer coisa desde que pudesse voltar para casa. E “casa” não eram aquelas paredes ou qualquer outras por aí, mas os abraços de Wonshik. Daeyeon acreditava em Destino e sabia que o seu estava bem ali na sua frente, tentando colocá-lo de volta nos trilhos naquele exato momento. — Você vai ficar comigo para sempre? — Perguntou em um sussurro embargado pelo choro silencioso, sorrindo minimamente.
O sorriso repleto de ternura acompanhava os dedos que tiravam fios finos de cabelo dos olhos marejados de seu namorado. Promessas nunca haviam sido especialmente boas na vida de Wonshik, ainda muito novo descobrira que uma palavra acompanhada de uma promessa trazia muito mais valor a si mesmo e ao que buscava atingir com a pessoa. Quantas vezes tinha prometido amar em falso em uma época que nem mesmo se amava? Quantos “eu prometo que nunca vou te deixar” havia proferido e no entanto abandonado tudo logo em seguida? Até mesmo com Mingyu, uma pessoa que nem mesmo considerava um amigo, mas um verdadeiro irmão, tinha prometido coisas que não cumprira. Promessas eram confortantes, é verdade, havia um tipo de alívio em ouvi-las, poder sonhar com um futuro sem incertezas, entretanto, a vida não funcionava dessa maneira. Entendia também que apesar das palavras profundas, Daeyeon não esperava tanto dele, ele não colocava esse peso em suas costas, pelo menos não propositalmente, o problema é que ele pensava demais, se aprofundava demais e por isso palavras nunca seriam apenas palavras para ele. Acariciou novamente a pele macia de sua bochecha, as articulações de seus dedos deslizando por toda extensão até seu pescoço. -- Não sei, puppy, eu não sei quanto é pra sempre. -- sua prisão, a perspectiva de apodrecer atrás das frias grades de uma penitenciária fizerem-no perceber ainda mais isso, a perspectiva de fim se tornara então muito mais presente, nunca saberia o estado que estaria no futuro. -- Eu não posso te prometer isso. -- sabia quão duras eram essas palavras, não eram fáceis ou legais de se ouvir, mas não queria ser qualquer um, Wonshik não estava por aí por promessas vazias e palavras rasas,vivia e sentia intensamente e nada, simplesmente nada sobre seu amor por Daeyeon tinha uma conotação superficial, o extremo oposto, na verdade. Acariciou seu queixo ao puxá-lo em sua direção mais uma vez, a outra mão resvalando até sua cintura, segurando-o em si. -- Mas eu posso te prometer que enquanto eu ainda amar, enquanto eu ainda respirar, enquanto eu ainda amar o sol, canela no chocolate, gatos vestidos de cachorros. -- sorriu ao mencionar as coisas simples que amava, mas que o faziam ser tão Wonshik -- E amar irritar o Mingyu, enquanto Miyoung tiver o sorrisinho mais lindo da face da terra, enquanto todos os momentos mais especiais da minha vida com você ainda existirem, eu vou estar do seu lado. Eu podia falar enquanto eu ainda respirar, mas... -- fez uma pequena careta o encarando, não conseguindo segurar a risada -- Nem você consegue prometer isso muito bem, né? -- brincou, o abraçando em seguida. -- Sério, sim, eu vou ficar com você até o momento que minhas cinzas voltarem pra areia da praia, porque mesmo que alguma coisa nos separe, você sempre será meu puppy. -- colocou a mão na boca e fez sons abafados de respiração seguidos por uma voz grave -- E meu Darth Vader. -- riu afastando-se levemente apenas para não apanhar com muita força.