Prece do Amor Livre - Por Amparo Poch y Gascón (1902-1968)
“Diz assim: I. Tome a pétala fresca e suculenta; tome a polpa doce da fruta madura; tome a senda esbranquiçada sob o sol do poente, a colina de ouro, o carvalho, e a fonte na sombra. Tome meus lábios e meus dentes onde brincam as risadas como fios de água, e os fios de água como risadas. II. Eu não tenho Casa. Tenho, sim, um teto amável para resguardar você da chuva e um leito para que você descanse e me fale de amor. Mas não tenho Casa. Não quero! Não quero a insaciável ventosa que enfraquece o Pensamento, absorve a Vontade, mata o Sonho, quebra a doce linha da Paz e do Amor. Eu não tenho Casa. Quero amar no extenso “além” que não fecha nenhum muro nem limita nenhum egoísmo. III. Meu coração é uma rosa de carne. Em cada folha tem uma ternura e uma ansiedade. Não o mutile! Tenho asas para ascender pelas regiões da pesquisa e do trabalho. Não as corte! Tenho as mãos como palmas abertas para recolher moedas incontáveis de carícias. Não as acorrente!”












