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Existem somente duas possibilidades, ou estamos sozinhos no universo, ou não estamos. As duas são igualmente assustadoras!
A morte é o teu deslocamento no tempo e no espaço. Albert Einstein
PEQUINÊS
UMA HISTÓRIA DE PAIXÃO E CRIME
As vezes em uma conversa entre amigos, lembramos de cada história maluca. Esses dias lembrei da cachorrinha chamada Pequeninha...
Pequinês é a raça do pet que morava na casa em frente a nossa. Uma cachorra maluca que nunca parava de latir. Qualquer pessoa que passasse na calçada, era comtemplado com a sinfonia de latidos raivosos da cachorrinha.
Não adiantava reclamar do barulho que a cachorra fazia, naquela rua ninguém podia descansar, não existia horário de silêncio. A pequena Pequinês latia o tempo todo.
Sua dona era a negligente e permissiva Cimira, uma mãe e dona de casa dos anos 80 que fez quase tudo certo: ela teve um bom marido, 02 filhos, mas era muito mais apaixonada pela sua cachorrinha Pequeninha do que qualquer outro membro da família. Uma vida normal, uma casa bonita, até mesmo suas transgressões foram cuidadosamente planejadas e executadas.
Um certo dia, o portão da casa ficou aberto. É obvio que a Pequinês aproveitou o descuido e fugiu. Correu como alguém que foge da cadeia, sem olhar para traz. Cimira, quando percebeu o ocorrido, gritava enlouquecida, repetia muitas vezes a mesma pergunta? Onde estava a Pequeninha? Onde estava? Chamava enlouquecidamente pelo nome da cachorrinha, mostrava fotos da cachorrinha para todos na rua, perguntava a todos que passavam, se sabiam onde estava a Pequeninha? Após muitas horas de buscas, a cachorrinha foi encontrada em uma avenida próxima, infelizmente sem vida. Havia sofrido um atropelamento fatal.
Cimira, retornou a sua casa com o cadáver da pequena cachorrinha, no colo. Chorava muito a perda da amiga pet. Todos da família ficaram muito tristes com a morte da Pequeninha. Ignorando todas as leis estaduais e de vigilância sanitária que não permitem o enterro em propriedade particular, Cimira pensou em dar um final digno para a cachorrinha, avisou a todos os vizinhos que haveria um funeral para a Pequeninha. Na hora combinada todos estavam lá. Uns foram para consolar a pobre vizinha pela perda, outros estavam lá para confirmar que a cachorra havia se calado pra sempre. todos assistiram o enterro da pequena cachorrinha no fundo do quintal, com direito a cruz em cima do tumulo. Foi um funeral pomposo, Único!
A partir daquele dia a paz e o silêncio reinaram na rua. Que maravilha! Todos comentavam a sorte que tiveram com a morte da barulhenta cachorrinha. Era o assunto mais comentado na semana.
Na casa da Cimira, esse mesmo silêncio e paz eram sentidos com muita tristeza e saudades. Um tempo depois, a dona da cachorrinha teve outra grande ideia; pensou em acalentar o coração e ficar com uma lembrancinha da pet. Encontrou a maneira ideal para suprir a saudade do animal. Achou esse pensamento a coisa mais normal do mundo, ao ponto de executar tal ação. E novamente ignorando que estava cometendo mais um crime.
Ao anoitecer foi até o fundo do quintal, decidiu fazer a exumação do corpo do animal, desenterrou o cadáver, a decomposição do bichinho já estava acelerada, não dava para salvar muita coisa. Decidiu ficar só com a cabeça do animal, desprezando o restante. A parte escolhida foi tratada como um troféu, uma relíquia muito importante. Foi levada para casa, devidamente lavada, escovada, deixada de molho, e no outro dia, após secar e ficar somente a ossada, foi passado uma camada de esmalte incolor, em todo esqueleto craniano, criando uma camada brilhosa na caveira. Eu nunca tinha visto! Nem sei como descrever a obra de arte tétrica.
Quando acabou todo o procedimento para deixar o crânio do animal, o mais bonito possível, Cimira teve a terceira grande ideia: Convidar todos os vizinhos para fazer uma visita e ver o crânio da amada cachorrinha. A caveira de adoração foi colocada como enfeite, em cima da Televisão de tubo. E assim, todos que visitavam a casa da Cimira, tinham que passar pela sala, ver e saudar a Pequeninha.
Explorar o mundo também é explorar a história, explore o mundo, agregando sabores, temperos e novos aromas. Para contar essa historia, foi explorado 5.26% desse mundão.
A pior coisa é ter que fingir que você não se importa com algo, quando na verdade você só pensa sobre aquilo. ...