“Talvez desejar que nunca tivesse acontecido seja o modo mais sincero de confessar que ainda dói.”
— Pobre Saturno.

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“Talvez desejar que nunca tivesse acontecido seja o modo mais sincero de confessar que ainda dói.”
— Pobre Saturno.
A rispidez nem sempre é uma característica crônica de um coração. Às vezes, ela nasce de um coração que já foi puro...
- Deja de esconder tus sentimientos deja que el corazón lata, pero por amor, deja de alejar a las personas tú no eres así recuerda no te proteges te dañas - No sé cómo necesito ayuda
Eu não sei se pedi demais, mas foi algo mais ou menos assim:
Um colo, vez ou outra. Uma palavra doce de vez em quando. Uns beijinhos de hora em hora. Abraços quando desse na telha.
Uns sorrisos em dia de sol. Olhares dengosos nos dias chuvosos. Sua boca quente no meu pescoço, eventualmente.
Foi exagero?
Mediatriz
Puro português
Já andava há algum tempo ansioso pela chegada dos resultados, praticamente todos os dias consultava a dita app no telemóvel, para ver se acalmava a curiosidade. Tudo isto porque há cerca de um mês atrás surgiu no pequeno ecrã, um anúncio de que me pareceu mais uma premunição, pois porque de cada vez que esta situação surge sempre me ocorre o pensamento:
“Mas como foi possível esta coisa adivinhar o que me vai no pensamento…”
De alguma forma sabemos porquê, mas escolhemos sempre pensar que há uma força oculta e transcendente que nos persegue, e, de vez em quando se revela em anúncios no pequeno ecrã.
Dizia: “…desconto imperdível, conheça as suas descendências e encontre a sua no mundo, faça o seu teste de ADN!”
Segurei a roleta dos anúncios em série, e, de forma instintiva lá larguei os euros para obter a tal informação que iria transforma a minha vida. Primeiro chegou uma caixa por correio, impecavelmente organizada, com tutoriais, códigos, imagens, e um sem fim de outro centeúdos, enfim, fiz o que me pediram e enviei de novo para o remetente.
Seguiram-se cerca de quatro semanas de espera até ver que a meu teste se moveu do estado “em teste” para “resultados disponíveis!” Ansiedade no topo, mal segurava direito o telemóvel na mão, procurei um banco sentei-me, quase que a criar um momento sagrado, e cliquei para ver…
69,8% português, 16,9% espanhol, catalão e basco; 3% tunisino; 2,8%marroquino; 2,7% Italiano do Sul; 1,9%bretão;1,6% francês; 1,3% da sardenha…
Ora, eu um “puro português” na linguagem corrente dos ventos que sopram por São Bento, deixou-me algo confuso. Logo eu que reunião todas a condições de ser um dos puros, eu que era originário do lugar onde o nosso grande Viriato no uniu como um povo e cultura própria, e onde a nossa identidade cultural se melhor se espalha no passado, eu que sou do lugar onde os muçulmanos não alcançaram, ou os romanos a muito custo derrubaram, como seria isto possível.
Eu que não conheço nenhum familiar com origem fora de Portugal, e os que vivem ou viveram no estrageiro partiram desta terra sem margem para dúvida, afinal eu e todos os meus compatriotas, estes seres impotáveis e guardiões do que é ser português não somos puros!
Lá comecei a olhar com mais atenção e comecei a tentar arranjar alguma explicação naquelas percentagens:
Marroquino, ora talvez, depois de 500 anos de presença muçulmana na nossa terra, talvez um antepassado se tenha ramificado desta gente, pois deles temos palavras, agricultura, arquitetura etc.
Italiano, também, depois dos romanos andarem por aí cerca de 600 anos no, talvez também haja um italiano em nós, pois deixaram a língua que hoje falamos, a organização política, a cultura e umas tantas pontes e aquedutos de água limpa.
Alemães, pois bem, também por aí estiveram os suevos e visigodos uns bons 300 anos, seria natural sobrar por aí uns olhos azuis e alguma organização.
Gregos, Judeus, tunisinos e um sem número de povos do Levante também por aí estiveram cerca de 600 anos, coisas como navegação e comercio também por ai ficaram não tenho dúvidas.
De facto, e pensando sem os ventos de São Bento a soprar, somos muitos e de muito lugares, somos de diferentes e de iguais, tanto na cultura nos costumes e na religião, de facto somos de todos, sou afinal um produto do todos.
Virei-me para um espelho que estava no fundo de sala, e de repente vi-me com cara de muitos e de nenhum, afinal, carrego no corpo meio mundo, sou tanta coisa ao mesmo tempo, onde é que está o meu “puro português”? Onde mora esse tal espírito profundo, sebastianista, marítimo e ligeiramente dado ao drama.
Mais uma vez o velho Pessoa tinha razão em dizer que ser português é um estado de espírito, muito antes de haver testes de DNA a distância de um clique. É ser múltiplo por dentro antes de estar na moda sê-lo por fora. Ele dizia que ser português era ser tudo sem ser propriamente nada, ser universal pela constante falta de paciência para estar quieto, ser europeu na cabeça e oriental na sensibilidade, ser católico porque sim e pagão porque sabe bem, ser melancólico ao jantar e épico no café da esquina.
Somos de facto uma espécie de feijoada genética. Nada em excesso, tudo em quantidade moderada, mas sempre com um tempero que ninguém consegue copiar. O “puro português”, afinal, não vem de uma pureza qualquer, vem justamente da impureza. Somos miscigenação histórica, somos tudo.
E não deixa de ser deliciosa esta ironia, passamos séculos a discutir o que é ser português. Fizemos hinos, poemas, discursos inflamados, falámos de pátria, de raça, de missão. Entretanto, o nosso DNA estava ali, a rir-se de nós, a acenar com as mãos cheias de percentagens que basicamente dizem:
“Meu caro, és uma salada mediterrânica com molhos atlânticos. A pátria é só a mesa onde te serviram.”
No fundo, o nacionalismo português, se existir, deve ser isto: abraçar a mistura com um brinde, celebrar o caos com um fado, aceitar que somos mais universais do que gostaríamos de admitir, e que talvez seja essa a única certeza razoável que temos.
Sou “Puro Português” porque sou um bocadinho de tudo. E é isso que nos distingue e que nos condena, digo eu com alguma ternura, a sermos um povo eternamente poético, eternamente confuso, eternamente à procura de si próprio… enquanto deixa que o mundo lhe entre pela porta dentro e se sente à mesa como se fosse da família.
Afinal, o “Puro Português” é aquele que, como eu, como nós, traz na mala genética uma multidão de antepassados estrangeiros. E leva essa multidão consigo quando vai comer um pastel de nata como quem cumpre um ritual ancestral.
Se isto não é ser português, não sei o que será.
Filipe Cruz, Lisboa, 20 de abril de 2026.
Y de algún modo todos caminamos ignorantes de aquel sufrimiento ajeno...༄𔘓🍂
O último gesto de importância
E foi assim que acabamos. Entre beijos, carícias e maravilhas de amor, não houve uma despedida real — apenas os seus olhos cheios de segredos e mentiras. Segredos que você nunca foi capaz de admitir, mas que eu sempre pude sentir no ar.
O que importava para mim não é o sentimento que você escondeu, e sim o fato de você nunca ter sido sincero para me prender nesse ciclo sem fim que era querer ter você perto de mim. Decidi ignorar os sinais pelo que sentia por você, achando que seria capaz de te salvar da sua própria tempestade.
Mas agora percebo que você nunca quis ser salvo. Permanecer na tempestade te aproximava daquilo que deixou para trás; fazia você reviver o passado com quem realmente queria estar.
Você deixou oculto o seu desejo e, mesmo que você não volte, é com ela que você vai se satisfazer nos dias frios de carência. Volte para esse lugar cheio de mentiras e traições; afinal de contas, foi daí que você criou toda a sua mentalidade.
Espero que você não se arrependa no final. Tolice minha dizer isso nesse momento; claramente você não é alguém que se arrepende e que aprende com os erros.
De todos os monstros que já enfrentei, você foi o pior. Eu sempre esperei por respostas que você nunca soube dar, mas que o seu silêncio consentiu. Todas as vezes que me chamou de maluca, era apenas a confirmação de que eu estava certa.
Agora, entre nós, restam apenas lembranças e duas pontes eternas que criamos, mas somos separados por um grande muro que eu jamais ousaria atravessar. Para mim, você será a vaga lembrança de momentos felizes, até que eu seja capaz de esquecer tudo por completo.
Você foi o grande amor da minha vida, enquanto eu nunca cheguei perto de acessar o seu coração profundamente. Este é o último gesto de importância que te deixo, junto com a imagem que você me entregou.
Espero que um dia você se encontre de verdade e seja feliz, apesar de ter me feito sofrer da pior forma.
-Thais Andrade.