Estava louco de desespero achando que não iria conseguir chegar a tempo para assistir o filme. Passara quase a noite toda resolvendo demandas da universidade com o seu clássico grupinho de seminários - e é importante lembrar que Engenharia da Computação é um curso bastante complicado! Eles ficaram dentro do centro quase o dia inteiro, resolvendo cálculos, programando e adiantando todos os tópicos do seminário a ser apresentado na semana que vem. Quando faltava uma hora e meia para a sessão começar, pediu permissão para usar o dormitório de um dos amigos pra se arrumar lá mesmo.
Apesar de Minjun não dormir nas casas estudantis da Universidade de Daegu, ele vivia frequentando os dormitórios dos amigos – já estava naquela fase onde nem precisar levar roupas pra lá, porque sempre deixava várias de reserva com eles. Conseguiu se aprontar em quarenta minutos, depois correu pra chamar um Uber e chegou no cinema vinte minutos depois.
Faltando pouco menos de trinta minutos começar, Minjun ainda conseguiu tempo para comprar um milk-shake e correr para a sala de cinema a poucos instantes dos trailers começarem. Quando conseguiu sentar, por sorte as luzes ainda estavam acesas, mas no meio do caminho quase tropeçou no pé do rapaz que ficou sentado ao seu lado: — “Ah, me desculpa! Eu te machuquei?” — Uma olhada rápida foi o suficiente para o nerdzinho reconhecer o rosto tão característico do homem mais velho. — “Doutor Hakseo! O que você tá fazendo aqui?”
Hakseo por pouco não errou o skittle verde da boca. Toda vez que alguém chamava “doutor” em público, ele tinha aqueles três segundos congelantes de nervoso pela possibilidade de encontrar um paciente em seus momentos não-doutor.
Ele não tinha nada pra esconder, nenhum segredo sombrio, ou uma vida dupla, ou um medo inerente dos seus clientes enquanto pessoas. Era só uma outra realidade, uma em que ele não estava protegido pelo jaleco, pelo profissionalismo, e pelo cenário com começo, meio e fim que era uma consulta na clinica. Ali, ele era apenas Han Hakseo, o homem que não tinha tato para fazer amigos ou conforto para conversas casuais. A clinica era sua rede de segurança, mas em uma sessão especial de Pacifc Rim ele não tinha nenhuma.
“Minjun sshi.” Ele sorriu, conseguindo acertar o skittles no lugar certo dessa vez. Minjun era um bom garoto, talvez ele não tivesse tantos motivos assim pra estar nervoso. Foi só um susto sem motivo, ele nem sentiu o quase tropeço no pé. “Acho que eu vim fazer a mesma coisa que você.” O homem apontou para a tela imensa do cinema, ainda branca. “Fã dos Kaijus ou dos Jaegers?”