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@doce-engano
““We accept the love we think we deserve.””
—
O amor ainda é um mistério para a maior parte das pessoas. Dele muito se diz, se julga e supõe. O amor, como qualquer outro sentimento, é inato a nós, simples humanos movidos a emoção... o problema é conseguir descobrir quando ele chegou - e fez morada. Se você jogar no google, vai ver que os sintomas são inúmeros e, como qualquer clicada, parecem certeiros. Mas, assim como a gripe e o resfriado, o amor muito se confunde com uma forte paixão. Afinal, como é possível distinguir dois sentimentos tão entrelaçados, parecidos e extasiantes?
Recentemente vimos um filme - daqueles clichês que eu tanto amo - em que uma personagem explicava a diferença entre o gostar e o amar. Gostamos por, e amamos apesar de. Ou seja, nos apaixonamos por aquilo que é positivo, e amamos apesar dos defeitos que constroem qualquer pessoa. Aqui é importante lembrar: defeitos todos têm, mas cabe a nós escolhermos com quais somos capaz de conviver.
O que pouca gente diz, apesar disso tudo, é que o amor é fácil. Não é necessário enfrentar lutas medievais, viver entre términos e voltas ou precisar de provações constantes para saber que é amor. Não, não é preciso chorar no chuveiro e ter centenas de crises de ansiedade para descobrir que aquele frio na barriga, tão característico, é amor. E sabe por quê? Pois ele é soberano, puro, sincero. O amor está acima das nossas decisões, tão parciais, ou dos nossos julgamentos, tão mesquinhos. Ele é e ponto. Por isso é tão comum a dificuldade em reconhece-lo: para achar o amor, é preciso olhar para dentro. É preciso, além disso, aceitar a franqueza que ele nos traz.
Amor, meu amor. Você me apresentou um novo mundo quando entrou na minha vida. Um universo em que eu pude olhar para mim mesma e notar quanto amor existia aqui dentro. Todo o amor que eu decidi lhe entregar, assim, sem caos ou guerra. Lembra? O amor é fácil, assim como foi me apaixonar por todas as inúmeras qualidades que você me apresentou. Eu sabia que era você. Desde o início eu tive a completa certeza de que eu tinha encontrado meu lar.
E sabe quando foi que eu descobri que te amava? Quando o por se uniu ao apesar de.
Eu me apaixonei por toda a luz que você emanou quando se aproximou, e te amei apesar dos dias mais escuros. Me apaixonei pelo sorriso, e te amei apesar dos dias mais sérios e complexos. Eu me apaixonei por todos os horizontes que você me deu junto com a sua companhia, e te amei apesar do medo de perder tudo isso.
Eu me apaixonei por quem você é. E te amo exatamente pelo mesmo motivo. Obrigada por ter dado outro sentido à minha vida e aos meus planos. Tenho certeza que você é meu destino e meu futuro, assim como tenho certeza de que você é o grande amor da minha vida.
Te amo infinitamente. E sou completamente apaixonada por você.
A cada dia que passa, conheço um pouco mais sobre o amor. Principalmente sobre amar. Antes, o amor para mim se mostrava por meio de gestos românticos. O encontrava em cartas, chocolates e flores. Ou, então, nos textos e fotos das redes sociais. Se em uma data especial, dentre tantas que arranjamos, faltasse uma declaração ou um grande gesto, eu me sentia menos cuidada. Menos nutrida. E até menos amada.
Mas, esses dias, encontrei o amor ao perceber que o lixo já estava lá fora, que minhas roupas estavam dobradas e a louça limpa. Sem "eu te amo", eu vi o amar no fundo do armário, quando descobri uma barra do meu chocolate preferido. E não fui eu quem comprei. Senti o amor ao entender o motivo de, agora, eu sempre escolher o sabor de bolo menos enjoativo - e de preferência, sem chocolate. Ou ao preparar o prato preferido de outra pessoa, e não o meu, no jantar.
Descobri o amor nos afetos diários, disfarçados de rotina. Nas tarefas dividas sem roteiro. No carinho no cabelo enquanto a série rola na tevê, mesmo com um cachorro nos espremendo no sofá. Até mesmo nos dias de silêncio, de dor, de mágoa, de saudade. Eu vi o amor na mesa posta, na louça que ficou pra depois, no lençol com cheiro de amaciante e no lar que, aos poucos, nós construimos juntos.
O amor é mais. E também é menos. O amor é tudo aquilo que diziam ser prisão, sufoco. É rotina, cabelo desgrenhado, banho corridinho, passeio com o cachorro e tudo o que nos faz sermos nós dois.
Um dia a gente vai se reencontrar. Em uma rua qualquer, na festa do conhecido de um conhecido, naquela balada que a gente frequentava - nunca juntos. Vai acontecer, é só questão de tempo. E eu não sei o que vou sentir, muito menos o que vou causar em alguém que costumava conhecer cada detalhe meu, até os que eu me esforçava para esconder. Será que um dia essa curiosidade meio mórbida, meio autodestrutiva, acaba? Será que um dia os nossos "e se" se juntam ao universo dos "nunca"? E, me fala a verdade, você ainda pensa na gente? Em mim?
Pois eu me lembro constantemente, ainda mais quando passo nas ruas que eram nossas, ou escuto as primeiras notas daquela música. Mas aí eu mudo de quadra, de playlist, de pensamento. Lembro que talvez fosse isso mesmo, não era para ser. Ou era e estragamos. Quem é que sabe?
Reciprocated
“O mundo não parece um lugar tão ruim quando estou com você.”
— D.S.