O jeito que respondeu entregou mais do que ela provavelmente pretendia. O suficiente para ele querer saber mais. Conduziu-a ao som de Merry Go Round of Life suavemente antes de responder, a voz baixa o suficiente para não viajar além dos dois. "Sim." disse simplesmente. "Parece familiar." Deixou o silêncio durar o tempo certo. "A diferença," continuou, os olhos voltando para os dela, "é que você tem um destino. Eu ainda estou em busca do caminho." Mais um passo, mais um compasso. Comprimiu levemente os lábios por um instante. Então girou-a uma vez com calma, antes de continuar "Se o pai não existisse nessa equação..." disse, os olhos fixos nos dela, observando como ela reagiria "o trono ainda seria o que quer?"
O "parece familiar" a agradou e desagradou ao mesmo tempo. era bom ter por perto alguém que passava por questões similares, lhe trazia a sensação de que não era a unica navegando nesse barco de pressões familiares, mas, todavia, também queria dizer que ele estava cotado para algum casamento. e isso por algum motivo a incomodou. "você já tem um caminho." murmurou. tentando desviar dos olhos dele que pareciam querer puxa-la para um precipício. "o nosso caminho. lutaremos até chegar no trono e quando for a hora..." o ar pesado saiu. "cada um decide o que fazer." achava ainda que ele estava em um patamar de vida parecido com o dela, e portanto entenderia o que ela queria dizer. pensou também, "ter um destino traçado para você desde o nascimento não é algo tão bom assim." a garganta se fechou ao ouvir as palavras dele sobre o pai. a duvida que surgiu passara a perturbar a certeza que sempre teve, desde o nascimento. "é claro, eu... isso é tudo que sempre queremos, desde o nascimento. eu... eu sempre quis, quem não iria querer, é... a certeza de uma vida, de um legado, uma familia." no entanto sua frase saíra um pouco confusa, como se estivesse brigando com as palavras, teimando em dize-las mesmo que o peito dissesse algo diferente. mas não havia como ser diferente, certo? era a certeza de uma vida, era tudo que fora ensinada a buscar desde o nascimento. não podia ter duvidas sobre isso. "você não sente o mesmo?" o encarou nos olhos, fixos, dessa vez. procurando alguma resposta que lhe acalentasse.
"Não." respondeu, simples. "Seria frustrante desejar apenas um destino durante uma vida inteira." deu de ombros com aquela leveza que usava quando não queria mostrar que estava sendo sério desviando levemente o olhar para os outros que ainda dançavam. "Só se vive uma vez, e essa vida pode acabar em um piscar de olhos." Girou-a no ar com uma calma. Chegar ao trono não era ruim. Mas lidar com um reino inteiro prestes a ruir era outro assunto, e ele ainda não tinha certeza se queria essa responsabilidade. Os olhos voltaram para os dela quando ela se voltou para si. "Você passou a sua vida inteira sendo ensinada a querer uma coisa só..." murmurou inclinando levemente a cabeça. "Nunca se perguntou o que queria antes de te ensinarem a querer?"













