fui aprovada em uma vaga de estágio que eu queria muito!!!
vou poder passar o dia sem comer e ninguém vai encher o meu saco
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@edmaya
fui aprovada em uma vaga de estágio que eu queria muito!!!
vou poder passar o dia sem comer e ninguém vai encher o meu saco
vamos parar de usar comida como recompensa pra tudo?
em vez de “eu mereço um lanche”, começa a pensar “eu mereço um gloss novo”, uma unha, um perfume, uma roupinha, qualquer coisa que te faça se sentir linda.
invista em você, nas suas coisas, na sua aparência.
você já é porquinha, pelo menos seja uma porquinha estilosa.
a parte que ninguém vê
“você emagreceu.”
eu escuto isso com uma frequência que antes eu provavelmente teria desejado muito. minha mãe percebe, amigos percebem, alguém comenta que uma roupa ficou larga, uma calça que antes apertava agora precisa de cinto.
e eu fico meio sem saber o que fazer com essa informação, porque eu continuo me sentindo grande.
não é nem que eu ache que as pessoas estão mentindo. eu sei que meu corpo mudou. as roupas são uma prova bem mais concreta do que qualquer espelho. só que existe uma diferença enorme entre saber que emagreceu e conseguir se enxergar diferente.
às vezes eu me arrumo e ainda escolho a roupa pensando no corpo que eu tinha. entro em um lugar e ainda sinto que estou ocupando espaço demais. vejo uma foto e a primeira coisa que reparo é justamente tudo aquilo que eu esperava que tivesse mudado.
é quase como se meu corpo tivesse atualizado e a minha percepção tivesse ficado presa na versão anterior.
e isso é especialmente frustrante porque, de fora, parece que deveria ser uma das melhores partes. as pessoas estão percebendo. as roupas estão ficando largas. o número na balança diminuiu. existe mudança acontecendo de verdade.
mas internamente não existe esse antes e depois tão definido, às vezes ainda parece que eu estou no meu maior peso.
e talvez seja por isso que emagrecer não necessariamente significa começar a gostar do próprio corpo. você pode diminuir vários números e continuar carregando a mesma imagem de si mesma.
hoje fui jantar em uma pizzaria com a família do meu pai e comi 3 FATIAS e ainda tomei um picolé, parecia um bicho sem controle.
vou compensar com o nf mais longo que eu conseguir (até eu ser obrigada a comer)
o medo de voltar a comer normalmente
eu tenho pensado bastante no que seria voltar a comer normalmente depois disso. porque, sinceramente, eu não quero voltar agora.
eu gosto de como meu corpo está. gosto de perceber que as coisas estão funcionando do jeito que eu queria e não tenho vontade de simplesmente abrir mão disso. então quando penso em aumentar minha alimentação ou parar de controlar tanto, não vem aquela sensação de “finalmente”. vem um monte de pergunta.
quanto eu conseguiria comer sem começar a achar que estou exagerando? eu conseguiria comer uma coisa sem pensar no que vou fazer depois? conseguiria parar de prestar atenção no meu corpo o tempo inteiro? e, principalmente, conseguiria confiar que comer normalmente não vai fazer tudo voltar?
talvez seja essa a parte que mais me prende: eu não tenho medo só de engordar. tenho medo de perder a sensação de controle que eu construí junto com tudo isso.
e não sei muito bem o que fazer com esse pensamento ainda.
ontem fui na feira da praça XV no centro (obs: moro no rio) e vi tanta micro roupas lindas que agora preciso emagrecer 20 quilos pra voltar la e comprar tudo
a minha maior amiga é a preguiça de comer. às vezes eu estou com fome mas a ideia de ter que preparar alguma coisa e depois ainda lavar a louça me faz desistir completamente
vou passar uma semana na casa do meu pai e essas vão ser as minhas 3 regras inegociáveis:
✦ café da manhã e almoço reforçado.
✦ beber mais de 3L de água por dia.
✦ comer o mínimo possível no jantar (geralmente saímos pra comer)
semana que vem vou pra casa do meu pai e preciso de uma estratégia pra não voltar rolando pra casa
eu nunca falei sobre isso aqui, mas eu estou passando por um processo de diagnóstico psiquiátrico.
minha psiquiatra começou um tratamento com um estabilizador de humor porque ela acha que pode ser bipolaridade, além da depressão. agora é esperar algumas semanas pra ver como eu respondo ao remédio.
e eu sinto que minha relação com a comida está piorando muito.
esto ficando com medo de comida num nível que eu sonho que esto comendo. às vezes eu falo sem perceber “não posso comer isso porque vou ficar gorda”, como se fosse automático. nem penso antes de falar.
outra coisa que eu percebi é que eu também estou começando a externalizar uns pensamentos que antes ficavam só na minha cabeça. eu acabo falando do nada que eu tô enorme, que meu corpo tá horrível, que eu sinto nojo dele, e só depois eu percebo que falei isso em voz alta.
é estranho porque parece que esses pensamentos tão ocupando tanto espaço na minha cabeça que eles simplesmente começaram a escapar.
não sei se isso tem a ver com a depressão, com a possibilidade de bipolaridade, com o transtorno alimentar ou com tudo junto. só sei que está me assustando um pouco perceber o quanto o medo de engordar tá virando uma coisa automática.
hoje é aniversário da minha avó e vamos em um rodizio de churrasco, um porem é que a minha família come MUITO e ficam insistindo pra você sempre comer mais, to entrando em colapso
miar emagrece?
acho que essa é uma das maiores mentiras que circulam na comunidade. porque parece lógico, né? se a comida não ficou no seu estômago, ela não conta.
só que o corpo não funciona assim.
a digestão começa antes mesmo de você terminar de comer. enquanto você mastiga, seu corpo já está trabalhando. quando a comida chega ao estômago, ela não fica ali parada esperando você decidir o que fazer. ela continua sendo processada e vai passando para o intestino, onde os nutrientes começam a ser absorvidos.
é por isso que miar nunca “apaga” uma refeição.
mesmo quando acontece logo depois de comer, uma parte das calorias já foi absorvida. o máximo que costuma acontecer é impedir que uma parte delas seja absorvida, não todas.
acho que muita gente acredita que miar emagrece porque, dentro do transtorno, isso quase nunca vem sozinho.
quem mia normalmente também passa o dia inteiro sem comer, vive de café e energético, restringe tudo, faz compensações, jejua. aí o peso desce e parece que foi o vômito.
mas não foi.
o vômito só destrói seu corpo enquanto vende a ilusão de que você encontrou um jeito de burlar a biologia, e eu acho isso cruel.
porque você continua com medo das calorias, continua culpada por ter comido, continua presa no ciclo e ainda ganha dentes desgastados, um esôfago machucado e um coração que pode simplesmente parar.
a pior parte é que a mentira parece funcionar justamente porque o transtorno faz todo o resto.
queria que delicadeza fosse uma sensação, não uma aparência.
ninguém fala como é dificil pra nós anas que fazemos musculação
ontem meu namorado reparou que eu to mais magra, pegou na minha cintura e tudo
overthinking também é uma compulsão.
às vezes eu acho que o ta nem cansa tanto por causa da fome. cansa porque a nossa cabeça nunca desliga.
você calcula as calorias antes de comer, depois de comer, confere de novo porque acha que fez alguma conta errada. pesquisa um alimento que você já pesquisou cem vezes. sobe na balança mais uma vez só pra “ter certeza”. abre o espelho, fecha, abre de novo. fica imaginando quanto vai pesar amanhã, depois de amanhã, semana que vem.
e o pior é que parece útil.
parece que, se você pensar mais um pouco, vai encontrar um jeito de controlar tudo.
mas o overthinking é uma armadilha. ele faz a gente acreditar que está resolvendo um problema, quando, na verdade, só está repetindo os mesmos pensamentos até ficar exausta.
acho que muita gente associa compulsão só com comida, mas compulsão também é repetição. repetir contas, repetir rituais, repetir checagens, repetir pensamentos que nunca levam a lugar nenhum.
no fim, o ta não rouba só a paz de comer, ele rouba a paz de pensar.