“Às vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração.”
Clarice Lispector.
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“Às vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração.”
Clarice Lispector.
Sonhos não são pra todo mundo realizar. Todo mundo pode sonhar, mas nem todos terão o privilégio de conseguir concretizar, por mais que tentem. Não é falta de esforço, nem nada disso, mas é triste, e é a vida acontecendo. Eu falo isso sendo uma das pessoas que sabe que não vai realizar nada. Só tô existindo nesse mundo.
“Uma hora passa, dizem. Uma hora o tempo cura, insistem. E eu espero, sinceramente, que passe. Porque se não passar eu não sei o que vou fazer.”
—
Clarissa Corrêa.
(via segredou)
Entro cada dia mais em mim, num caminho inóspito e fatal. O peito tem esfriado, os olhos têm consentido. Aos poucos torno-me triste como se nunca antes tivera deixado de ser. Sou só, na ponta dos dedos e nos cílios úmidos. Sou só em noites insones em meio a filmes antigos. Notei que trechos já não tocam, as falas bonitas não me acolhem. Canções de outrora dedilham o peito mas não se entranham. Choro em desalento e me alimento de silêncios porque o excesso de fala afugenta. Sinto muros se formarem ao redor e ouço passos se afastarem vinte quilômetros por dia. Nesses momentos cada minuto em silêncio torna-se incômodo, então me escondo ainda mais em qualquer lugar de falsa calmaria, Deus sabe o quanto a busquei nos últimos dias. Já não sei mais viver em multidões, fotografar no parque já não me soa bonito, perdi o tato comigo mesma. As palavras esvaem antes de chegarem aos lábios, desaprendi a residir entre rascunhos. G.
gook seung hyun - episode 6
Sou trinta passos para trás e duas curvas antes da próxima queda. Vezenquando a vida dói sem ponto final. Vezenquando essa dor vem num rompante entre desatinos da rotina e conclusões precipitadas. Deixo o sentir entrar como se não soubesse as consequências. Eu viro as costas para o vazio mesmo sabendo que é tudo o que vai restar. Pediria perdão se a voz não soasse melancólica. Pediria alento se parecesse correto. Lembro aquela da Elis dizendo sobre ser só, mas já sou. Sou só quando as luzes se apagam. Sou só quando penso em rascunhos às duas e meia da manhã. Um tanto de palavras me soam bonitas. os dedos desenham histórias, então eu mergulho, creio, até sorrio vez ou outra porque sentir tem desses momentos em que você se encontra ciente e amena. Gosto quando as palavras se encaixam entre meus anseios, ainda que haja peso. É bem verdade que em algum momento o mundo irromperá no meu peito, então eu viro pó. Existem horas que o ar falta nos pulmões sem motivo aparente, momentos inoportunos. Apenas direi que lateja como se não houvesse para onde ir. Vezenquando penso que fui feita para doer, mas aceitar seria demasiadamente triste. Eu sou a dor que ecoa nos espaços da costela enquanto lá fora faz nove graus. Sou erro que desce dos cílios e se perde na ponta dos dedos.
G.
“Os meus passos quietos são quedas livres, fugindo de uma liberdade de asas feridas que não se encaixa em seus horizontes estreitos. Somos paralelos que se chocam a todo momento, assim como as ondas dos olhos às vezes encontram pedras em outras pupilas. Eu queria poder dizer que o tempo vai além do teu relógio, mas existe uma parte de mim que também sente urgência na eternidade e aconchego em pressas e preces. Eu deveria dizer que as estrelas brilham mesmo quando o sol ofusca nossa visão, mas a constelação que insisto em chamar de minha só brilha quando todos dormem, quando o sonho é maior que a razão e a via láctea é um cisco insignificante nos teus cílios. Os meus pássaros são pares de olhos cansados e sem borda, que seguem os rastros do céu e pegadas na água, que apanham borboletas e sussurros no meio do caos. Às vezes eu simplesmente não sei o que estou fazendo, meu bem. E não consigo ver a liberdade poética nas gaiolas do mundo sem fugir pelas tangentes. Voar é sempre um desafio pra quem pulsa caos e destila espectros, pra quem procura céus nos abismos do teu peito. E eu, que ainda não alcancei nem mesmo minhas próprias expectativas, sou a luz que entra pelas cortinas: sorrateira e íntima, mas nunca próxima o suficiente para ser guardada no teu bolso esquerdo. Nunca próxima o suficiente para pousar sem estilhaçar o céu.”
— Unirversos.
“Ninguém entendeu nada. Mas eu acho que entendi. O vazio dá desespero, cara. Dá um desespero filho da puta. O vazio dá um desespero silencioso. É como se o tempo jogado no lixo batesse sutil, num relógio esquecido em algum canto do quarto, que você só descobre quando está muito de madrugada e ao longe você escuta aquele tic,tac,tic,tac. Um batida que quase não existe. Você não sabe se é o tempo sendo contado pra você ou o seu coração contando você pro tempo. Um desespero sem cara de desespero. Mas que é desespero puro. A pior espécie dele.”
— Tati Bernardi.
the invitation
Black and White Brazil | Rua de casa 2/5