“Be with me always - take any form - drive me mad! only do not leave me in this abyss, where I cannot find you! Oh, God! it is unutterable! I can not live without my life! I can not live without my soul!”
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“Be with me always - take any form - drive me mad! only do not leave me in this abyss, where I cannot find you! Oh, God! it is unutterable! I can not live without my life! I can not live without my soul!”
Eu não assisti o filme “O Irlandês” de Martin Scorsese e isso diz muito sobre mim
Martin Scorsese é um diretor norte americano conhecido por dirigir, escrever e produzir diversos classicos, tais como: Bons Companheiros, Cassino, gangues de Nova York, Touro Indomavel e o meu favorito, Taxi Driver. Scorsese já é uma figura muito bem estabilizada no imaginário dos entusiastas de cinema ao redor do mundo. Sua influencia é inegável para qualquer aspirante a cineastra que tenha surgido após a geração da Nova Holywood e é por isso que quando foi anunciado seu mais novo projeto, “O Irlandês”, com seus parceiros de longa data Robert DeNiro e Al Paccino a ansiedade ao redor da comunidade cinéfila era palpável.
Não me leve a mal, eu normalmente sou aversivo a qualquer coisa considerada “masculina” demais. Meu ideal de entretenimento perfeito é Meryl Streep cantando os maiores sucessos do grupo sueco ABBA em uma ilha da Grécia. Porém (e é um grande porém) Martin Scorsese é o tipo de pessoa que produz obras inegavelmente boas, do tipo que ultrapassam o meu gosto pessoal e então me vejo encurralado em um beco sem saída: eu vou ter que assistir um filme de três horas sobre homens mafiosos exercendo a função de homens mafiosos.
Não que os filmes do Scorsese se resumam a máfia, eu mesmo fui um grande advogado desse senhor de um metro e meio quando o mesmo foi cancelado pela comunidade de fãs da marvel da internet. Mas o ponto não é esse.
O Irlandês estreou na netflix em outubro do ano passado. Como de se esperar o filme foi extremamente aclamado pela crítica especializada (não que alguém se importe) e foi como o retorno do cineastra (ao mesmo tempo que soava como uma despedida) que levou impressionantes 11 indicações ao oscar (novamente, não que alguém se importe)
Qualquer pessoa que me conhece sabe que a minha característica principal é o meu entusiasmo por cinema. Eu gosto de dizer que sou como Uma Lixeira Interminável de Conhecimento Inútil Sobre Cultura Pop. E como alguém que possui pouquissimos amigos e uma vida social quase inexistênte, eu tenho muito tempo pra dedicar ao meu acervo pessoal de conhecimento inútil. E por muitos anos, filmes, séries, livros e músicas foram coisas que despertavam em mim entusiamos e eu ouso dizer até mesmo alegria.
Porém a felicidade é um recuso inesgotável apenas para pessoas ignorantes e o grande tema da geração y, da qual faço parte, é a tristeza repentina e o constante sentimento de vazio interno. E assim, com o passar do tempo, as coisas que me faziam bem, já não fazem mais e o que era uma fonte quase inesgotável de prazer se tornou quase um estimulo aversivo. Então eu já não conseguia mais fazer a coisa que era minha caracteristica principal. Comprei vários livros que eu nunca li, baixei séries que nunca assisti e filmes que não conseguia passar dos 40 minutos. Eu, que sempre tive um pouco da síndrome do impostor, passei a me enxergar como uma farsa total.
Eu estava tão ansioso para assistir O Irlandes meses antes do filme estrear e quando ele finalmente saiu eu não passei dos 40 minutos. Mas tudo que posso dizer é que foram ótimos 40 minutos (por mais que o CGI tenha deixado o Joe Pesci parecendo uma laranja) e eu não esperava nada menos vindo de Martin Scorsese, só é uma pena que eu esteja tão profundamente comprometido com a minha autosabotagem pra me dar o trabalho de prestigiar essa obra de quase 4 horas de duração.
Mas para terminar esse texto com uma nota positiva, eu queria dizer que recentemente assisti (por livre e espontânea vontade) O Homem Invisível. E mesmo depois de três temporadas de The Handmaid’s Tale eu ainda me encontrei impressionado com a habilidade da Elisabeth Moss de sofrer e encarar câmeras. Mas isso é assunto para outro texto.
Mircea Suciu (Romanian, b. 1978), Stargazing, 2019. Oil, acrylic and monoprint on linen, 65.4 x 60.4 cm.
Giulia Bersani
If I knew it all then
Would I do it again?
“Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu, de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito. Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.”
— Martha Medeiros.
Call Me by Your Name (2017) dir. Luca Guadagnino
Detalhes.