Te amei demais
A coisa sobre dar muito de si mesmo, é que esse muito sempre vem vinculado a uma expectativa que jamais será atendida por aquela pessoa a quem aquele muito é direcionado. Então vem a frustração. Você começa a pensar que há algo errado consigo mesmo, começa a achar que os sentimentos não são mútuos, você começa a se sentir exausto, como se aquela relação fosse tudo de ruim e ao mesmo tempo tudo de bom. Você se sente sufocado, não sabe como sair daquilo, porque não sabe se irá doer como o inferno deixar para trás o que construiu com alguém. Você se dedicou tanto àquilo que não quer simplesmente abandonar, porque foi muito esforço. Mas ao mesmo tempo se sente exaurido. Não se sente feliz, tão pouco contente com o que está acontecendo. Você quer mais, você almeja mais e fica ali, esperando que aquele alguém totalmente errado te dê esse mais. Ele não dá, porque esse mais não cabe no que ele considera ser muito. Esse mais o sufocaria, o aniquilaria, e você aceita a miséria, a quinquilharia, porque acha que deve aceitar aquela pessoa da forma que ela é. Na verdade você assassina sua alma, você molda ela para que ela se conforme com as expectativas frustradas, você se perde em seu próprio interior e se extingue com o pouco que recebe. Você espera. Apenas isso: espera, numa falsa ilusão de que aquilo irá mudar. E estou esperando, esperando que me ame com as palavras que jamais me disse, com a atenção que jamais me deu. Esperando que me priorize, como se tudo em você precisasse de tudo em mim, porque tudo o que eu sou almeja o que você é. E prossigo na espera que me veja, como lhe vejo, com todos os clichês em seus olhos. Sequer temos aquela intimidade que almejamos ter, porque há tantos receios que nos afogam. Falo por você, porque lhe falta sentenças. E me diz que valoriza as atitudes, mas permaneço no mar de esquecimento ao qual me condenou. Não lhe tenho nos meus dias para compartilhar ideias e quando o faço, logo você entra com as tuas, silenciando as minhas. Então reclama que pouco falo, mas por que irei falar muito para quem não possui um milésimo para me ouvir? E você sequer me conhece. Personifiquei um personagem apenas para lhe agradar e hoje vivo com medo de me expressar, medo que deixe de me amar quando me ver por baixo dos panos. E me ama? Porque se me ama, não me sinto amado. A coisa sobre dar muito de si mesmo, é que esse muito sempre vem vinculado a uma expectativa que jamais será atendida por aquela pessoa a quem aquele muito é direcionado.










