Breakeven | Capitulo 2
Alice Marie Baker's Point Of View
Acordei me sentindo completamente relaxada. Era ótimo não ter horário para levantar e poder ficar o dia todo na cama, mas como sou uma pessoa muito agitada, não aguentei ficar nem dois minutos ali.
Levantei-me enrolada no lençol branco tentando ao máximo esconder meu corpo no caminho até o banheiro. Escovei os dentes e joguei um pouco de água no rosto para acordar. Desisti e decidi que um banho era a melhor coisa. Passei uns bons vinte minutos embaixo do chuveiro sentindo aquela água morna caindo sobre meus músculos e relaxando-os.
Depois de vestida, caminhei até a cama beijei a bochecha que Brian, que dormia calmamente. Ele se remexeu um pouco, mas virou para o outro lado e continuou dormindo. Sorri. Ele ficava fofo daquela forma.
Peguei meu celular na mesa de cabeceira para ver a hora, e logo o mesmo começou a vibrar na minha mão. Era uma chamada de Carin. Sai do quarto na ponta dos pés e fechei a porta atrás de mim antes de atender.
- Alô?
- Bom dia flor do dia. – Carin respondeu.
- Como sempre com um ótimo humor matinal, não é querida Carin? – Rimos – Bom dia pra você também.
- Claro meu amor. Se não for assim a vida não vai pra frente... Aliás, a sua vida vai mudar completamente depois que você assinar os papéis que estão na minha mão agora.
- Ah, não acredito! – Falei, me jogando no sofá da sala.
- Sim, os contratos já estão aqui comigo. – Ela deu um gritinho histérico do outro lado da linha e eu tive que rir.
- Nossa. Mas assim tão rápido? – Perguntei.
- Rápido? Já faz uma semana que ele me ligou, querida. – Ela suspirou – Mas eu sei que você não vai querer vir aqui agora já que você está na companhia de seu amado noivo.
- Ai, que drama. Quem vê até pensa que eu deixo de viver por causa dele.
- E não deixa? Meu amor faz uma semana que vocês estão trancados dentro dessa casa fazendo sei lá o que. Falando nisso, cadê ele que não te tirou do telefone ainda?
- Ta dormindo ainda... Quer saber? To indo ai assinar esses contratos. – Falei, me levantando.
- Okay. Estou te esperando!
Carin não me deixou nem responder e já desligou na minha cara. Mas eu já estava acostumada com isso.
Caminhei até a porta e a destranquei, saindo de casa. O dia estava realmente muito lindo para ser desperdiçado só para ficar deitada na cama.
Sorri para Bob, o segurança, assim que ele abriu o portão para mim.
- Bom dia, senhorita.
- Bom dia, Bob.
Passei pelo portão e caminhei calmamente pelos dois quarteirões que separavam a minha casa da de Carin. Assim que cheguei os seguranças já autorizaram a minha entrada e eu segui direto para seu escritório, onde eu tinha certeza que ela me esperava.
Dei duas batidinhas na porta e entrei. Encontrei Carin sentada à sua mesa com o notebook aberto. Ela ergueu um pouco a cabeça e sorriu para mim.
- E então... – Falei, me sentando do lado oposto da mesa.
Carin me entregou alguns papeis. Eu já havia feito aquilo milhões de vezes, mas sentia que aquilo era completamente diferente. Como se minha vida dependesse daquilo.
- Eu já li tudo. Você só precisa assinar. – Ela falou me passando um pouco de segurança.
Suspirei antes de pegar a caneta de sua mão e assinar os papeis nos lugares indicados. Se eu já estava nervosa desse jeito só de assinar os papeis, imagine quando Justin Bieber estivesse em minha frente?
- Ok. – Carin pegou os papeis de volta e percebeu minhas mãos tremulas. – Ei, relaxa. É só um trabalho como todos os outros. – Sorriu – Vai dar tudo certo.
Uma coisa que eu gostava em Carin era que ela era uma pessoa extrovertida e brincalhona, mas sabia ser séria nas horas certas.
- Tudo bem.
Ela assentiu, sorrindo compreensiva.
- Agora, eu preciso te dar uma noticia.
- O que? – Perguntei apreensiva, já esperando uma bomba.
- O comercial vai ser gravado em Londres. – Ela falou devagar e eu demorei um momento para digerir tais palavras.
- Mas eu acabei de voltar de lá. – Choraminguei – E eu não posso viajar agora. O Brian vai me matar.
- Eu sinto muito, meu amor. Mas são só alguns dias.
- Porque você não me avisou antes?
- Por que eu sabia que você ia desistir. E você não pode deixar passar uma oportunidade dessas. – Sorriu, inocente.
Tive vontade de quebrar a cara dela em mil pedaços.
- Carin, você sabe que eu te amo, mas você me coloca em cada uma.
- Tá, eu sei disso. Também amo você. Agora vai, antes que seu querido noivo acorde e surte porque você não está em casa.
Ela se levantou e abriu a porta do escritório para mim. Antes de sair, me virei para ela e perguntei:
- Porque você não gosta do Brian?
Ela deu de ombros.
- Só não vou com a cara dele. Você merecia coisa melhor. Mas quem sou eu para falar alguma coisa? – Revirei os olhos. – Vai antes que ele apareça aqui para me encher.
- Ok. Vocês deviam fazer um esforcinho sabe? Pra se darem bem. Eu vou me casar com ele e ai vocês dois vão ser minha família...
Ela suspirou enquanto eu aguardava ansiosa por sua resposta. Mas relaxei assim que ela sorriu.
- Ok. Prometo me esforçar.
- Ai, obrigada! – Exclamei, pulando em seu pescoço. Ela riu enquanto retribuía meu abraço. Depois que me soltou, sua expressão me dizia para cair fora dali antes que meu noivo viesse atrás de mim.
***
Entrei em casa e o encontrei parado na porta da cozinha me encarando. Fechei a porta atrás de mim e caminhei até ele. Entrelacei meus braços em sua cintura selando nossos lábios.
- Bom dia amor. – Falei, sorrindo.
- Bom dia. – Respondeu, se soltando do meu abraço e entrando na cozinha.
- Brian, o que aconteceu? – Perguntei, seguindo ele.
As empregadas que estavam por ali perceberam o clima e com apenas um olhar as fiz entenderem que era para nos deixar a sós.
- O que aconteceu? Eu fui dormir com a minha noiva e quando acordei, ela não estava mais na cama.
- Pelo amor de Deus! Eu só fui à casa da Carin, nem sai de dentro do condomínio.
- Poderia pelo menos ter pedido para uma as empregadas me avisarem.
Levei minhas mãos ao rosto reprimindo a vontade de gritar com ele.
- Não era necessário. Eu não demorei nem 20 minutos para ir e voltar.
- E você pode me dizer o que foi fazer lá?
- Fui apenas assinar o contrato do meu próximo trabalho. – Respondi tentando manter a calma. O que era praticamente impossível levando em conta o olhar de desdém que ele tinha sobre mim.
- Mas você não tinha dito que iria tirar férias?
- Eu sei, mas... Esse trabalho vai ser importante para a minha carreira. E eu esperava que você entendesse já que trabalha da mesma coisa que eu.
- O problema Alice, é que todas as vezes que você tem um trabalho importante como esses, você viaja e fica fora por semanas.
- Você diz isso como se nunca viajasse a trabalho.
- As minhas viagens duram no máximo três dias e você sabe que sempre pode ir comigo.
- Eu não tenho culpa se você e minha empresária não se dão bem. Às vezes eu acho melhor mesmo ela ficar duas semanas longe de você assim vocês me deixam em paz um pouco.
Brian respirou fundo.
- Olha, pra mim já deu. Eu vou embora pro meu apartamento.
Ele subiu as escadas em passos firmes enquanto eu fiquei parada no ultimo degrau. Alguns minutos depois ele desceu já com outra roupa e sua pequena mala na mão direita.
Antes de passar pela porta, virou-se para mim mais uma vez.
- Quando você viaja? – Perguntou sem olhar nos meus olhos.
- Terça-feira.
Assentiu.
- A gente te se fala quando você voltar.
Então ele saiu e bateu a porta atrás de si.
Sentei-me no ultimo degrau da escada e coloquei a cabeça entre as mãos, respirando fundo.
O que foi aquilo? Brigamos novamente pelo mesmo motivo. Brian sempre implicou com o fato de eu viajar demais a trabalho, mas eu nunca desistiria da minha carreira que eu tanto lutei para construir. Nem por ele, nem por homem nenhum no mundo.
A porta se abriu novamente e, por um momento, pensei que fosse ele que havia voltado para me pedir desculpas. Mas no fundo eu sabia que ele era tão orgulhoso quanto eu e que nunca faria isso.
Ergui um pouco a cabeça e a encontrei me encarando. Um pouco assustada, um pouco risonha. Era Claire, minha melhor amiga desde a época do colégio. Fazia algumas semanas que eu não a via, talvez até um mês. Sentia saudades do tempo em que éramos inseparáveis.
- Nossa ta tudo bem por aqui? – Ela perguntou caminhando até mim. – Ela saiu dirigindo que nem um louco.
Ri e me levantei para abraçá-la.
- Não ta nada bem. – Respondi, assim que ela me soltou.
- Quer conversar?
Apenas assenti.
- Senti sua falta. – Sussurrei.
- Eu sei. – Respondeu sorrindo.
- Convencida como sempre. – Rimos.


















