Alan Mathison Turing (23 de Junho de 1912 – 7 de Junho de 1954).
Demonstrou um enorme interesse pela ciência desde muito jovem. Foi um matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação britânico. Foi influente no desenvolvimento da ciência da computação e proporcionou uma formalização do conceito de algoritmo e computação com a máquina de Turing, desempenhando um papel importante na criação do moderno computador.
Depois de ganhar vários prêmios e ser homenageado na escola, ganhou uma bolsa de estudos que o levou ao King’s College, em Cambridge, na Inglaterra. E foi aí, primeiramente como aluno e depois como membro do Conselho do King’s College, que ele começou a interessar-se por problemas de lógica matemática.
Em 1931, o matemático tcheco Kurt Gödel surpreendeu o mundo científico com a descoberta de que havia numerosos teoremas matemáticos que, embora verdadeiros, nunca poderiam ser provados. Alan Turing dedicou-se a analisar esse tais teoremas.
Ele imaginou uma máquina, cuja construção não foi concretizada, que poderia efetuar de forma automática os processos geralmente desenvolvidos por um matemático. Para cada processo, haveria uma máquina: uma para somar, outra para dividir, uma terceira para calcular integral, e assim por diante. Mais tarde, foram denominadas “Máquinas de Turing”.
Raciocinando sobre o funcionamento dessas máquinas imaginárias, Turing chegou a uma brilhante conclusão. Em vez de utilizar uma máquina específica para cada processo matemático, era possível desenhar um aparelho “universal” que tivesse condições de realizar tudo o que as máquinas especializadas podiam fazer, desde que fossem programadas para tal. Turing tinha elaborado por acaso a teoria dos computadores programáveis.
Aos 24 anos de idade, consagrou-se com a projeção de uma máquina que, de acordo com um sistema formal, pudesse fazer operações computacionais. Mostrou como um simples sistema automático poderia manipular símbolos de um sistema de regras próprias. A máquina teórica de Turing pode indicar que sistemas poderosos poderiam ser construídos. Tornou possível o processamento de símbolos, ligando a abstração de sistemas cognitivos e a realidade concreta dos números. Isto é buscado até hoje por pesquisadores de sistemas com a Inteligência Artificial (IA). Para comprovar a inteligência artificial ou não de um computador, Turing desenvolveu um teste que consistia em um operador não poder diferenciar se as respostas às perguntas elaboradas pelo operador eram vindas ou não de um computador. Caso afirmativo, o computador poderia ser considerado como dotado de inteligência artificial. Sua máquina pode ser programada de tal modo que pode imitar qualquer sistema formal. A ideia de computabilidade começou a ser delineada.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing foi imediatamente recrutado do mundo acadêmico para a Escola de Códigos e Criptogramas do Governo em Bletchley Park, Buckinghamshire, um centro especializado em quebra de códigos. Por um tempo ele foi chefe de Hut 8, a seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã. Planejou uma série de técnicas para decifrar urgentemente os códigos militares alemães.
Em 1943, sob sua liderança, foi projetado o Colossus, computador inglês que utilizava símbolos perfurados em fitas de papel que processava a uma velocidade de 25 mil caracteres por segundo. O Colossus tinha a missão de quebrar códigos alemães ultra-secretos produzidos por um tipo de máquina de codificação chamada Enigma. Os códigos mudavam frequentemente, obrigando a que o projeto do Colossus devesse tornar a decifração bastante rápida. Turing foi depois até os EUA para um projeto de transmissão de dados transatlânticos de forma segura.
No final da guerra, Turing foi solicitado a projetar um computador totalmente inglês, para o Laboratório Nacional de Física, e que seria chamado ACE (Automatic Computing Engine). Devido a todos esses feitos, Alan Turing é tido como o Pai da ciência da computação.
Como homossexual declarado, no início dos anos 1950 foi humilhado em público, impedido de acompanhar estudos sobre computadores, julgado por “vícios impróprios” e condenado a terapias à base de estrogênio, um hormônio feminino o que, de fato, equivalia a castração química e que teve o humilhante efeito secundário de lhe fazer crescer seios.
Em 8 de junho de 1954, um criado de Turing encontrou-o morto, o que tinha ocorrido no dia anterior, em sua residência em Wilmslow, Cheshire. Um exame pós-morte estabeleceu que a causa da morte foi envenenamento por cianeto. Quando seu corpo foi descoberto, uma maçã estava meio comida ao lado de sua cama, e embora a maçã não fora testada quanto ao cianeto, especula-se que este foi o meio pelo qual uma dose fatal foi ingerida. Um inquérito determinou que ele tinha cometido suicídio, tendo sido então cremado no crematório de Woking em 12 de junho de 1954.
Em 11 de setembro de 2009, 55 anos após sua morte, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu desculpas formais em nome do governo britânico, pelo tratamento preconceituoso e desumano dado a Turing, que o levou ao suicídio.