legado da elsa, astoria grace snaer tem vinte e dois anos e está no módulo ii. para a maioria, ela não possui nenhuma habilidade mágica e sua quietude talvez venha da timidez, ou de família, uma vez que elsa é conhecida por ser a professora fechadona por aí. mas a verdade é mais profunda que isso e astoria não é bem o que parece ser. possui uma habilidade, só é, ironicamente, forçada a “conceal, don’t feel, don’t let them know”. devido à influência de sua mãe e a partir de uma decisão conjunta da ordem, astoria trabalha como aprendiz nos defensores.
♡ 𓂃 𝒄𝒖𝒓𝒊𝒐𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔.
abaixo do read more.
PLAYLIST ♡ PINTEREST ♡ HABILIDADE
gosta de ser chamada de grace ou gracie, mas não costuma dar muita intimidade/abertura para as pessoas, então quase nunca é chamada assim.
depois de muito insistir, elsa permitiu que o boneco de neve olaf acompanhasse astoria na academia, como um pet. então se você ver um boneco de neve falante perdido por aí, envie uma mensagem para a astoria, para a professora snaer, ou para uma de suas primas.
tem uma bicicleta que ela gosta de levar para tudo que é lugar, mesmo com o uso dos portais.
escreve poemas — e se não tivesse a habilidade que tem, com certeza revelaria sua habilidade para o público, recitando seus poemas em palcos ou publicando-os. gosta muito de escrever, mas não pode falar ou permitir que outras pessoas leiam as suas palavras sem correr o risco de amaldiçoar alguém.
seus poemas falam sobre as pessoas que ela afastou e tudo o que ela observa em seus dias; mas, principalmente, falam sobre a sua vontade de ser livre e muitos abordam a angústia de seu isolamento, como odeia se sentir sozinha e sente falta de ser ela.
tem uma boa relação com os tios, anna e kristoff, e se sente em casa com eles, mesmo que tenha se afastado dos snoball nos últimos anos devido ao isolamento. quanto à elsa, a própria mãe... bom, vamos lá.
aos dezoito, astoria recebeu sim uma habilidade da excalibur — conhecida como indução de maldições, quando ela está à mercê de suas emoções mais intensas, sejam estas positivas ou negativas, suas palavras (escritas ou faladas) viram rimas e ela induz alguma maldição de porte pequeno no alvo que as ouve ou as lê no papel. poderia ter evoluído para maldições maiores se ela não tivesse sido proibida de exercitar a sua habilidade.
ao descobrir, depois da cerimônia de recebimento, sobre a natureza da habilidade de astoria, merlin a chamou na torre da ordem e ela encontrou a sua mãe por lá. ela diria que esse foi um dos, senão o pior dia de sua vida. assistiu à sua mãe ordenar que nunca fizesse uso de sua habilidade e entregou uma versão do anel da academia que congela as habilidades fora de seus territórios, para congelá-las em qualquer lugar, mesmo dentro do instituto. tudo em nome da ordem, não é, elsa? até repetir os erros dos seus pais.
desde que passou para o módulo ii, esse anel começou a trazer prejuízo para a astoria. ela não fala com elsa sobre isso, é claro, fala pouco com a mãe desde que tudo aconteceu... mas usar o anel por muito tempo a deixa com dores de cabeça fortíssimas e queima o anelar dela; além de causarem uma sensação ruim em seu âmago; de sufoco e de angústia, porque de fato ele está sufocando parte dela. então ela o tira... e ao tirá-lo, fica mais quieta do que o normal para evitar que acabe fazendo rimas e amaldiçoando alguém.
nutre uma mágoa muito grande da mãe, a relação delas decaiu muito desde os dezoito da astoria, mas ainda assim, ela só quer fazer o que é certo... certo para elsa, que além de membro da ordem é professora da academia. então ela obedece.
mas a habilidade dela não é de toda inútil para a ordem, ah, pelo contrário. tem um único lugar onde a astoria pode usá-la: no isolamento. com permissão da ordem, a snaer mais nova estagia para os defensores e induz maldições como castigo para os criminosos do isolamento. embora sejam maldições pequenas, ainda são maldições que podem fazer mal, como passar uma semana inteira vomitando tudo o que come. não é algo que ela se orgulhe, ela se odeia por isso e não pode desabafar sobre com ninguém, mas se está certo para ordem, então o que ela pode fazer?
é uma das estagiárias mais novas dos defensores em decorrência disso — tudo por nepotismo de elsa e da ordem. a mãe pensa que é esse caminho que a filha vai seguir para proteger e defender storydom; astoria, todavia, apenas não tem escolha uma vez que sua maior paixão, as palavras, são também a sua sina. se ela pudesse escolher, seria apenas uma poeta ou se tornaria professora de literatura non-maj.
tanto pela culpa que carrega devido ao seu "trabalhinho" no isolamento, quanto pela advertência da mãe para que astoria se mantivesse longe dos castigados para evitar que os vilões residentes de lá descubram sobre a sua habilidade e tirem proveito de suas maldições. naturalmente, então, astoria vira a cara para castigados, evitando ao máximo o contato com os advindos da cidade de baixo e os julgando perigosos. seu preconceito é mais fundado no medo, e na própria culpa (medo também de que descubram o que ela faz com eles), do que qualquer outra coisa. parece mais fácil evitar castigados do que vê-los, gostar deles, e acabar se sentindo mais e mais culpada.
sua personalidade verdadeira, quando vem à tona em raros momentos, é bastante diferente do que ela fez parecer ao se distanciar de todos. é possível que muitos tenham memórias de uma garota divertida e doce, sempre com um comentário na ponta da língua, por vezes até muito parecida com a sua tia, anna, mas essa astoria já está enterrada... e talvez não tenha volta, mesmo que ela deseje.
A pior parte de cruzar com Meliora naquela noite era ainda estar usando a insígnia dos Defensores quando o fez. Não era algo que pertencia à ela, não oficialmente, pelo menos, mas sempre que ia até o Isolamento com eles, precisava usá-la para se passar como um deles. Era uma regra que Grace já se acostumara àquele ponto, de modo que se esqueceu de tirar quando chegou ao território da Academia. Não podia culpar-se, também, uma vez que os seus pensamentos estavam no filho de Jafar que continuava preso lá enquanto a Ordem tentava arrancar dele informações que o garoto simplesmente não parecia ter. Astoria era proibida de ouvir as conversas, é claro, e seu trabalho era dedicado apenas aos detentos problemáticos, de modo que não chegava a ter contato com o mais novo, mas quando ninguém estava olhando ela conseguiu atravessar para a área do Isolamento onde ele estava sendo mantido. Só conseguiu vê-lo de longe, abraçado no próprio corpo e chorando, antes de ter que voltar porque ouviu a voz de Humbert Hunter chamar por ela. Mas isso foi o suficiente para que se sentisse infeliz. Não apenas com a Ordem ou com a Távola Redonda, que acreditavam que aquele trabalho era certo, mas consigo mesma por coadunar com aquilo. Não podia ajudá-lo, e não podia mudar como as coisas eram, mas podia pelo menos tentar descobrir porquê a Ordem escolhera uma punição tão pesada para um jovem. Porquê sua própria mãe fora tão impiedosa de chamar os Defensores naquela noite. “Preciso falar com você.” Brincava com o anel no dedo em gesto de puro nervosismo, mantendo o tom de voz baixo logo depois de abordar Meliora na área dos dormitórios Tea Party. “Na verdade, preciso que você vá comigo até o Castigo. Quero investigar uma coisa e nós duas sabemos que você passou tempo o suficiente lá para saber exatamente onde me levar.”
Numa vida tão solitária, o álcool acabava sendo uma companhia para as noites em que todos ao redor dela pareciam estar vivendo — ninguém ficava na Academia aos Sábados à noite, aparentemente — enquanto Astoria continuava trancada em seu quarto, lendo, estudando, escrevendo... evitando não só a mãe, como todos que um dia estiveram em sua vida. Além disso, era o melhor tipo de anestesia. Ela se levantou da cama, um pouco cambaleante, e abriu a porta do quarto para ir até a cozinha pegar um copo de água depois de beber mais do que dava conta pela baixa resistência. Grace só não esperava dar de cara com... "Sebastian.” Falou, de repente se sentindo nauseada. Não por conta da imagem do Darling, é claro... ele estava longe de ser repugnante! O problema era que Astoria não usava o anel e encontrar Sebastian num estado de tamanha vulnerabilidade era, possivelmente, um dos seus maiores medo. O estômago embrulhou enquanto ela fazia esforço para não ficar mais nervosa do que já estava. Não fale muito, Astoria, vai dar tudo certo se você não falar muito; ouviu-se dizer mentalmente. “É... Você. Boa noite. Eu... não sabia que você estava por aí.” Não deveria ser uma surpresa tão grande, ele morava ali. Ela também. A Snaer se apoiou na parede, tentando não mostrar-se tão... bem, bêbada. “Faz tempo que a gente não se fala, né? Que engraçado. Então, acho que vai ficar assim mesmo... porque eu tenho que... ir?”
A piscina estava bem arejada naquele dia, a tranquilidade de ir ali em um dia letivo onde finalmente teve folga dos treinos de Magibol mas que, aparentemente, todos os outros colegas estavam em seus respectivos afazeres acadêmicos, era magnífica! A voz da Snaer foi uma surpresa para lhe tirar daquela distração, estava curtindo o sol à beira da piscina mas logo levantou os óculos escuros para encarar a mais nova. ’ ——— Jogo mágico?’ interessou-se rapidamente, mexendo-se na espreguiçadeira para se endireitar e poder olhar o tal tabuleiro. De fato, nunca tinha visto nada parecido, mas tão curioso como era, agora queria saber como jogar. ’ ——— ‘Tá, pode ser. Mas tem instruções nisso? Eu nunca vi um desses. Se a gente inventar as regras também fica legal, faço muito isso com meus irmãos.’
Antes de ter a ideia de convidar Ezekiel para jogar, Astoria estava aproveitando a tarde ensolarada na piscina. Por que tinha levado um tabuleiro para aquela área? Bom, mistérios de Astoria Grace (porque não queria que Elsa o encontrasse e acabasse confiscando). Ela se sentou na cadeira de descanso onde estavam os seus pertences, coincidentemente a que ficava ao lado do Hopps, e posicionou a caixa sobre as coxas. “Deve ter algo com as instruções aqui dentro, é pesado.” Constatou, puxando os óculos escuros com as duas lentes em formato de coração para o topo da cabeça. Ela abriu a caixa, revelando um tabuleiro temático de uma selva, dois dados e duas peças pequenas, imitando um hipopótamo e um tigre. As instruções se encontravam na lateral do tabuleiro, em uma letra gasta e bem desenhada como a caligrafia de uma carta escrita à pena e que dava uma aparência anciã para o jogo. “Jumagic. O jogo da selva. Um jogo para aqueles que querem demais um caminho para deixar o seu mundo para trás. Jogue o dado para se mover. Dados iguais, jogue mais uma vez. O primeiro a chegar ao final ganha. Ninguém sai até que um dos jogadores complete a trilha e chame pelo seu nome.” Leu em voz alta para o Hopps, e Astoria franziu o cenho, curiosa com o final. Ninguém sai? Chamar o nome de quem? Ela estendeu a mão para pegar a peça de tigre e se inclinou para colocar o tabuleiro no chão, entre as cadeiras deles, para que pudessem jogar com mais facilidade. Quando enfim endireitou a postura e levantou os olhos para fitar Ezekiel mais uma vez, percebeu que não estavam mais na área da piscina da Academia; tampouco a cadeira onde se sentava continuava sendo uma cadeira. Era um tronco de árvore caído. Astoria piscou, o coração batendo acelerado no peito enquanto esquadrinhava os seus arredores: a piscina havia virado um lago; árvores estavam espalhadas por todas as partes; havia cipós, flores estranhas, e o chão era puramente lama e folhas secas, mas estranhamente, formava um tabuleiro que se estendia por metros e mais metros à frente deles. As peças tinham desaparecido, a caixa também, mas os dados permaneciam na mão dela. “Hopps. Me diz que eu não tô alucinando.” Levantou-se às pressas, logo detestando a escolha de roupas que fizera para aquela tarde. Estava no meio da selva usando shorts, chinelo e a parte de cima do biquíni. “E me diz que você tá ouvindo isso!” Exclamou assim que o barulho de um tambor começou, retumbando pela selva.
Ao ver o riso baixo da jovem algumas carteiras à frente, mesmo apenas de relance, ele considerou que sua missão estava cumprida e estava pronto para voltar a prestar atenção na aula quando algo milagroso aconteceu. Quatro anos depois de tocar a Excalibur ele ainda se sentia como se estivesse presenciando um milagre toda vez que descobria uma nova faceta de suas habilidades; e ali estava, sua caligrafia pequenininha e quadrada deslizando pela superfície até formar a dela, diferente em formato e conteúdo. O tom das letras era um tanto mais translúcido que o que havia escrito, mas ainda assim claramente legível. Por um momento Nikos viu-se maravilhado. Era um tanto solitário poder mandar mensagens e não receber nada de volta, mas saber que poderia focar naquilo fez seu coração disparar em uma excitação que apenas a magia causava. Encarou as letras até elas desaparecerem, só então olhando em volta para se certificar que ninguém havia notado seu pequeno momento de frenesi, levando a mão ao nariz para checar se não havia sangrado (coisa que acontecia quando ele forçava demais o poder ou tentava algo que estava além de suas capacidades), mas nada tinha acontecido. O rapaz apertou a borda da mesa, tão animado que queria que a aula acabasse naquele instante para que pudesse conversar com o professor sobre a descoberta ou testar mais coisas em seu quarto. No entanto foi acordado de seu surto com o celular vibrando uma única vez no bolso da calça. Por mais indisciplinado que fosse na vida, não costumava usar o iWish durante as aulas, mas sua atenção já havia ido às favas depois daquele incidente, então não custava nada checar rapidinho. Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso e um tanto chocado. Uma coisa era Astoria rir de uma piada sua ou outra (com sua energia de class clown, quase todos os colegas riam em algum momento) e outra era ela falar com ele.
📲 axel nikos tremaine: !!!!!! FUNCIONOU !!!!!!
foi mal a animação excessiva, nunca tinha acontecido e tô meio 🤯
Respondeu, sua mente levando alguns segundos para processar o resto da mensagem. Certo. Solana. Devia ser a Rose, já que só ouvia falar dela pelo segundo nome, mas sabia que existia um primeiro. Como contar para alguém com quem você quer fazer amizade que a prima da te odeia porque você é um canalha? Ele pensou, tentando achar as palavras certas. Podia mentir, mas se tinha uma coisa que o Tremaine não sabia ser, era mentiroso. Sua sinceridade chegava a ser irritante.
📲 axel nikos tremaine: porque saí com a Daisy e não deu certo.
E acho que ela não curte muito um dos meus melhores amigos, o anders. E bom, eu e ele só vivemos grudados mesmo, então faz sentido. Ele detesta ela também, disse que ela roubou sei lá o que de cabelo dele.
Contou, mesmo que fosse muito mais informação do que a jovem havia pedido. Tinha puxado de Drizella o hábito de falar demais às vezes e já que estava ali, decidiu arriscar mais um pouco.
📲 axel nikos tremaine: pq decidiu falar comigo agora? não tô reclamando, só curiosidade
Colocou o celular sobre a perna, à vista, porém de forma que pudesse voltar a atenção ao Feiticeiro e à lição. Contudo, escreveu em seu caderno, logo acima de onde tinha colocado a data: “obrigado. :)”
Seus lábios deixaram escapar um risinho sonoro, mesmo que baixo, quase como um ruído ao ler a resposta empolgada. Por sorte, a voz do Feiticeiro era sempre potente demais, como se falasse com um microfone, para que outras pessoas escutassem-na.
📲 [ astoria grace 🤍❄️ ]: sua habilidade é divertida
eu gosto dela
Gostava dos recados, era a sua maneira discreta de dizer isso. Esperou a explicação sobre a inimizade com Solana, sobrancelhas erguidas ao receber a confirmação de sua suspeita anterior. Ele havia galinhado com uma de suas primas. Não conseguiu pensar em algo para dizer. Primeiro porque ela não conversava direito com as primas há um tempo por sua culpa e, muitas vezes, doía ficar sabendo das coisas apenas através da tia (que fazia questão de sempre enviar mensagens para Astoria pelo bottlezap contando as novidades do lado de lá da família mesmo que não ganhasse respostas) ou, pior ainda, através de um colega, quando poderiam ser o tipo de melhores amigas que fofocavam sobre casinhos juntas como costumavam ser no passado. Segundo porque Astoria sentiu uma leve pontada de inveja. Suas primas viviam, tinham histórias para contar sobre casos que davam errado, enquanto ela ficava presa num quarto e seu único e último relacionamento havia sido na adolescência. Céus, há quanto tempo ela não saía com alguém? Para não deixar a conversa finalizada daquela forma estranha, resolveu enviar:
📲 [ astoria grace 🤍❄️ ]: então eu deveria detestar você também?
Embora a vozinha em sua cabeça dissesse que sim, ela deveria detestá-lo não por Vivi, mas porque ele era um castigado e Astoria não se misturava com eles por N motivos, a mensagem era uma brincadeira. Talvez Axel pudesse perceber pelo seu sorrisinho de escárnio se estivesse olhando para ela e prestando atenção — sinceramente, Grace não via muitos motivos para que ele o fizesse. As interações dos dois não duravam muito, de modo que se surpreendeu ao receber outra mensagem. E se surpreendeu mais com o conteúdo dela. Grace torceu os lábios, pensativa, e cogitou deixá-lo visualizado porque aquele era um território que ela não poderia adentrar. Criar laços com um castigado. Mas ao ver o “obrigado :)” surgir em seu caderno, o coração amoleceu um pouco.
📲 [ astoria grace 🤍❄️ ]: acho que eu tinha medo de acabar gostando de conversar contigo
Quando se deu por conta, havia dito muito mais do que deveria com aquela frase. Incapaz de deletar a mensagem ou editá-la naquele aplicativo, Astoria Grace engoliu em seco e bloqueou a tela do celular, fingindo prestar atenção na aula enquanto se contorcia de vergonha por dentro. Não podia simplesmente explicar a ele que não se dava ao luxo de gostar de conversar com as pessoas porque sempre as afastaria uma hora ou outra; porque nunca poderia falar com elas normalmente. Isso e, novamente, o fato de que Axel era da cidade de baixo — o que fomentava tanto o seu medo para com castigados, quanto o sentimento de culpa. Ela realmente não deveria gostar de conversar com alguém como ele. E ele eventualmente descobriria que não deveria gostar de conversar com alguém como ela.
♡ › Caminhava pelos corredores com a imponência de sempre antes da sua atenção ser chamada. Parou, dando dois orquestrados passos para trás, as írises esverdeadas em um olhar ambicioso direcionado à descendente de Elsa. Não faria mal trocar algumas palavras com a garota, pensara. “É verdade, nós não nos falamos.” Constatou o óbvio dito por Astoria. “Ninguém te avisou que é perigoso brincar com o que não se têm conhecimento?” Era uma regra básica de sobrevivência, afinal. Repuxou os lábios em um sorriso, apesar do alerta nada reconfortante, estalando a língua no céu da boca. “Muitas coisas podem acontecer, Snaer. Se quiser jogar, precisa saber disso.” Acrescentou, com uma sobrancelha ligeiramente arqueada, tentada pela proposta. Criar qualquer espécie de vínculo com Astoria seria proveitoso à longo prazo. “Vamos?” Ofereceu o braço para a outra acompanhado de uma piscadela, indicando que a guiasse para seja lá qual for o lugar que jogariam.
“Não é sobre isso a nossa experiência na Academia? Brincar com o que não se têm conhecimento?” Finalizou a fala com um sorrisinho de lado. Em outros dias, talvez Grace fosse mais cautelosa como sempre era: andando na linha com medo de decepcionar ainda mais a mãe ou de perder o controle. Naquela tarde, porém, ela estava inclinada para ideias perigosas. Não era como se ela vivesse muita coisa, no fim das contas. “I’ll take my chances.” Astoria acabou por dar de ombros de leve, anuindo com a cabeça para o questionamento da loira. Ela não esperava o gesto convidativo, e se sentiu estúpida de ficar encarando como se Amaranth tivesse um tentáculo no lugar do braço até que enfim aceitou, entrelaçando-as para que caminhassem juntas até uma sala vazia. “Acho que aqui tá bom.” Indicou a porta entreaberta que mostrava um cômodo vazio e escuro do outro lado. Não sabia dizer para que servia — existiam tantas salas na Academia que Astoria desistira de desvendá-las, apenas seguia até uma ou outra quando Elsa lhe pedia. Embrenhou-se no recinto e tateou a parede atrás do interruptor, iluminando-o para que ela e Amaranth pudessem se acomodar numa das mesas redondas oferecidas pelo local. “Vamos ver do que se trata o nosso jogo.” Solevou as sobrancelhas, removendo a tampa da caixa e pegando o manual de instruções do jogo que, estranhamente, era apenas uma folha com um pequeno texto. Oposto ao que a Snaer havia acredito, não tinha um tabuleiro dentro da caixa, mas uma ampulheta e cartas com o símbolo da Ordem que ela vira tanto no convite para o evento no Jardim quanto em alguns pertences de sua mãe. “Esse é o jogo do Merlin Mandou. Os jogadores deverão embaralhar as cartas e completar os desafios propostos por Merlin em cada uma delas antes do tempo acabar. Quem completar mais desafios, ganha o jogo. Quem desistir de um desafio, sofrerá as consequências. Não há saída até que todos os desafios sejam completados. Se o tempo acabar, vocês deverão recomeçar o jogo e refazerem os desafios. Boa sorte.” Astoria leu em alto tom o escrito no manual, e um vinco se formou na testa dela quando, magicamente, a ampulheta ficou de pé sobre a mesa. “Ok, lowkey creepy.”
O susto foi inevitável quando em meio ao silêncio uma voz surgiu, , isso fez com que olhasse rapidamente para a direção que julgava estar vindo. — Um jogo? — Indagou. Os braços cruzando na altura do tronco enquanto pensava um pouco, gostava muito de jogos, mas vindo de algo mágico... Talvez não fosse dar certo. Mexer com magia era um pouco assustador, em sua visão, mas não custava tentar. — Aceito jogar! Vamos nos prender que a pior coisa que pode acontecer é levarmos uma bronca... Me explica como é.
Astoria não conseguiu conter o sorriso bobo que cresceu nos lábios ao ouvi-lo aceitar o convite. Ela tinha se desacostumado a ter amigos, e como alguém que gostava muito de música, conhecia os Kings, de modo que se sentiu ligeiramente starstrucked de estar prestes a jogar com um deles. “Ser filha de professora acaba te deixando acostumada a levar várias broncas.” Soprou um risinho baixo. “Ok, vamos nos sentar ali então.” Ela caminhou até uma das mesas do jardim, puxando uma cadeira para si e esperando que o rapaz fizesse o mesmo. Então colocou a caixa do jogo sobre a superfície, removendo a tampa. “Eu sou a Astoria, aliás.” Disse rapidamente, repuxando os cantos da boca. Não sabia se o King saberia quem ela era, uma vez que há anos, tudo o que Astoria fazia era se esconder por aí. Desviou o olhar para o tabuleiro, pegando primeiro o folheto com as instruções de como jogar. “Bem vindos ao Heróis da Música. Nesse jogo de batidas, os jogadores precisarão enfrentar os desafios musicais e salvar a Dimensão da Música juntos. O jogo só termina quando todos os desafios forem vencidos. P.S.: se alguém se ferir ou quiser desistir, basta gritar a palavra mágica para voltar. Rock N Roll, baby.” Astoria ergueu as sobrancelhas ao concluir a leitura, e pensou em perguntar ao outro como eles resolveriam desafios musicais num tabuleiro guardado numa caixa que aparentava ser mais velha do que paredes da Academia, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, um clarão fez com que fechasse os olhos. Quando Grace os abriu novamente, ela e Deece estavam... num tabuleiro gigante em formato de guitarra. A primeira coisa que Astoria percebeu foi que as roupas do King estavam diferentes, e as suas também. Usava uma saia de tule e uma blusa rasgada digna de uma astro do rock dos anos 2000. Ao levar a mão até o cabelo, percebeu que ele havia sido repartido em duas maria-chiqunhas. Ao redor deles, havia apenas escuridão. A única coisa que podiam enxergar era o tabuleiro que se estendia à frente deles, e à direita, uma prateleira de guitarras de diferentes tamanhos e estilos com uma placa iluminada apontando para elas. “Escolha a sua arma”, dizia a insígnia. “Caralho.” Astoria deixou escapar, imediatamente levando a mão até a boca. “Desculpa.” Pediu, olhando de soslaio para Deece. “Mas... quê?! Eu definitivamente não esperava isso de um tabuleiro velho. A Elsa vai me matar.”
A primeira frase era a ganhadora de um suspiro forte, a charming sempre sabia que aquelas palavras se enrolavam até um pedido dos mais variados. Sua atenção se alternou entre olhar a garota de cima a baixo, calculando as lembranças de reconhecimento, antes de se focar nos olhos escuros. "— De fato, não o fazemos, talvez fosse bom começarmos, não acha?" Misteriosa como a outra era, Ethel sempre se mantinha atenta. Afinal, ela mesmo escondia tanto de todos, até mesmo a própria habilidade, o que impedía outros de o fazer? "— Um misterioso jogo de tabuleiro na sala de sua mãe, cujo poucas instruções são escritas e se diz mágico..." Pausou, o contato visual não quebrando, o olhar entre graça e julgamento. "— Achei que fosse mais prudente, Astoria. De qualquer forma, posso lhe ajudar a saber mais sobre tal jogo, não quero que se machuque." E nem que saia de meu controle, pensou, ofertando a ajuda.
Ela se limitou a oferecer um sorriso tímido para Ethel como resposta. Não podia concordar, simplesmente porque não podia se deixar levar pela fantasia de se aproximar de alguém novamente. Havia se afastado dos Charmings que costumavam compor seu grupo de amizades sem explicações, algo que certamente magoara Nellie, e mesmo agora, depois de quatro anos, não poderia dar uma. Do jeito que a mais velha falava, fazia parecer que era uma péssima ideia — o que de fato era, afinal, a magia tinha os seus perigos — o problema era que, naquela tarde específica, Grace estava inspirada para uma péssima ideia. “Não preciso de uma babá, Ethel.” Revirou os olhos, sem a intenção de soar grosseira. “Deve ser algo bobo, tipo um tabuleiro cujas peças se mexem sozinhas... Sei lá, não me parece tão ruim.” Escorreu o olhar até a caixa em mãos antes de se sentar no chão frio do corredor e colocá-la à sua frente. Não era uma parte da Academia muito frequentada aquela, de maneira que as duas poderiam jogar por ali sem serem interrompidas. “Ok, vamos tentar.” Meneou a cabeça, indicando que Ethel se sentasse também. O coração dela se agitou no peito, e Astoria removeu a tampa da caixa com um misto de expectativa e nervosismo embrulhando a boca do estômago dela. Havia um folheto de instruções e o tabuleiro logo em baixo. A Snaer apanhou o primeiro para ler em voz alta. “Bem vindos ao jogo da verdade! Os jogadores serão levados até a Terra dos Doces, onde devem rolar os dados para se movimentarem pelo tabuleiro e responderem às perguntas da Fada da Verdade com honestidade, ou sofrerão as consequências. Quem chegar ao final primeiro, vence.” Voltou-se para a Charming, os lábios retorcidos. “Só diz isso.” Parte dela se viu ansiosa com a ideia de falar a verdade durante um jogo inteiro; e levando em conta que as instruções não explicavam quais seriam as consequências pela falta de honestidade... Mas antes que pudesse acovardar-se e voltar atrás, as paredes do corredor da Academia derreteram. Num piscar, as duas estavam num cenário tão vibrante, tão mágico, que Astoria podia jurar que sua cabeça doía. Havia doces gigantes para todos os lados (pirulitos que imitavam árvores, balas e bengalinhas crescendo do chão) e uma trilha feita de biscoitos quadrados se estendia diante delas. O tabuleiro. A morena ficou boquiaberta quando uma fada de porte médio, com asas e vestido cor-de-rosa, materializou-se ao seu lado, entregando um dado de gelatina para si e estendendo outro para Ethel. Astoria engoliu em seco, esquadrinhando os arredores com os olhos, sem encontrar uma saída. “Retiro o que eu disse sobre não parecer tão ruim."
onde: academia dos legados (você escolhe o lugar).
"Eu sei que a gente não se fala muito..." Ou nunca, corrigiu mentalmente, porque Astoria Grace Snaer trocava no máximo cinco palavras por dia com outro ser humano pelo medo de acabar saindo de controle com as rimas. Mas ali estava ela num daqueles seus dias bons, usando a jóia de contenção de sua habilidade para que pudesse agir como a jovem que seria se não fossem por todas as repreensões de Elsa em nome da Ordem. "Só que eu achei esse jogo misterioso de tabuleiro na sala da minha mãe. Diz aqui que é mágico, mas o mínimo de jogadores é dois, então... Quer jogar comigo?" Propôs. "Qual é o pior que pode acontecer, né?" Riu baixinho e sem jeito. Ah... se tratando de jogos misteriosos e mágicos na Academia dos Legados, provavelmente tudo poderia acontecer.
‘ open starter with @everyone (?)
‘ where: you can choose.
“como assim você não acredita em mim?” arqueou uma de suas sobrancelhas, incrédulo. o lefou não gostava quando duvidavam de sua capacidade, na verdade, odiava a possibilidade de não verem o quão talentoso ele era. ah, mas isso quer dizer que ele se importa com a opinião alheia? não exatamente. ele não gosta de ser colocado contra parede ao ponto de precisar provar seu valor, afinal, ele se esforçava para ganhar aqueles elogios que ele mesmo se dava na maior parte do tempo, já que ninguém lhe elogiava como queria. “eu disse que eu consigo, e eu consigo fazer isso. quer dizer, o que foi que você disse que duvidava mesmo?” franziu o cenho esperando que a pessoa lhe desafiasse novamente. “se eu conseguir, você me deve um desejo. agora, se eu falhar… eu ficarei te devendo um desejo. fechado?”
Astoria deu de ombros e cruzou os braços contra o peito, fingindo indiferença. Nos dias em que o anel não incomodava tanto, Astoria Grace se sentia um pouco livre para conversar com os outros e agir como uma versão dela que poderia existir se não tivesse sido reprimida aos dezoito; e isso incluía socializar até mesmo com um castigado como Bastien. Por incrível que pudesse parecer, estava se divertindo ao desafiar um dos filhos do Gaston a encontrar uma fonte da juventude que estava supostamente escondida num labirinto dentro da Academia — uma das passagens secretas e lendárias que ela tinha lido sobre num dos livros da Ordem que a mãe esquecera em casa noutro dias. Um dos piores erros de Elsa Snaer, porque agora Grace estava determinada a encontrar uma por uma para passar o tempo. “Eu não disse que duvidava,” disse sim, e propositalmente para brincar com o ego de um Lefou. “só disse que é impossível. “só disse que se nem Jim Hawkins ou Milo Thatch conseguiram encontrar a passagem secreta que leva até a fonte da juventude, por que Bastien Lefou conseguiria?” Ergueu as sobrancelhas com um sorriso de lado que durou dois meros segundos nos lábios. A Snaer teve que pensar na proposta do rapaz, considerando que haveria a possibilidade de um segundo encontro entre eles em jogo, onde pagariam os desejos... e não era sempre que ela podia usar o anel e falar tão abertamente com alguém, especialmente um castigado, sem temer que as rimas viessem à tona. “Ok. Fechado. O que você quer? Porque eu já sei o meu desejo, considerando que vou ganhar.” Entregou o mapa que deveria levar até a porta do labirinto que protegia a fonte da juventude para ele, também algo que Astoria roubara do livro de sua mãe. “Lead the way.”
onde: no lugar de sua escolha, mas dentro da academia
“PEGUEI VOCÊ!” Exclamou ao adentrar o cômodo de forma inusitada: havia passado pela parede. Na verdade, naquele momento ainda tinha metade do corpo dentro da parede e o restante para fora. Não pretendia pegar ninguém no flagra e sim, apenas fugir um pouco de seu dormitório, mas não podia negar que se divertira diante daquela situação. “Mas não se preocupa, eu prometo que não vou contar para ninguém.” Dizendo aquilo, Odessa terminou sua passagem e colocou os dois pés no chão do local. “Confiar em mim, vai depender de você.”
Sebastian tinha saído pela noite, o que significava que Astoria não precisava ficar trancada no quarto dela, fingindo que nenhum dos dois existia, como se tivesse sido projetada para seguir o mesmo destino da mãe ao afastar todos os seus amigos. Ela podia ir até a sala, ligar a TV no aplicativo de karaokê e colocar Wannabe das Spice Girls para tocar em volume alto enquanto se divertia cantando junto com elas. O susto de ter alguém simplesmente atravessando a parede bem na hora do “if you wanna be my lover” foi tão grande que Grace deixou o microfone cair no chão com um chiado alto e irritante de interferência; e o coração dela, dentro do peito, disparou conforme a respiração ficava pesada. E Astoria Grace Snaer já sabia: o problema, ali, não era que a intrusa havia a visto cantando Spice Girls com as suas pantufas do Olaf. O problema era que o susto mexera com as suas emoções quando não usava o anel. A mão agarrou a jóia no bolso, embora já fosse tarde. Os olhos assumiram a coloração esverdeada, presos no rosto feminino à sua frente, e as primeiras rimas fluíram com tanta naturalidade que deixá-las enfim escaparem de sua garganta foi como tirar um peso das costas. Era um alívio poder liberar a sua magia depois de tanto tempo a repreendendo. “A moça bonita a me ver cantar; vai logo receber o seu azar; com minhas palavras a amaldiçoar—“ Astoria passou o anel pelo dedo, cortando a rima pela metade. Seu rosto queimava e ela não fazia ideia se havia sido rápida o suficiente no ato para impedir que uma de suas maldições atingissem a garota, mesmo que em menor intensidade. Por Merlin!, pensou, estava ferrada. Elsa a mataria. E agora a garota realmente tinha um segredo seu para cumprir a promessa de não contar para ninguém. “Me desculpa! Me desculpa.” Foi tudo o que conseguiu dizer. “Você... tá bem?”
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onde: sala de aula
“qual o nome do seu boneco de neve mesmo?” Axel escreveu na própria carteira, sabendo que o mesmo texto em caligrafia miúda apareceria na mesa de Astoria e sumiria em segundos. Vinha se comunicando com ela daquela maneira desde que eram calouros, já que a jovem se recusava a falar com ele e o Tremaine era um maldito insistente. Se ela ria de suas piadas e parecia achá-lo simpático, por que não conversava com ele? Primeiro achou que ela simplesmente não falasse, o que tudo bem, ele poderia aprimorar seus estudos em linguagem de sinais facilmente, mas aí a ouviu conversando com outras pessoas e a pulga nasceu atrás de sua orelha. Hoje ele já tinha aceitado: a Snaer provavelmente era indiferente à ele, mas pelo menos podiam ter aquela amizade estranha, já que esse tipo de comunicação ela aceitava, mesmo que fosse basicamente ele escrevendo bobagens e ela lhe devolvendo risinhos ou olhares de vez em quando. “um passarinho tentou comer o nariz dele ontem, mas espantei, ele ia me falar onde você estava pra eu levar ele acompanhar até lá, mas aí desistiu ):” continuou o falatório escrito “encontrou sua prima, eu acho. a mais velha que me detesta” riu baixinho, lembrando-se que na verdade as duas Snoball não tinham muita simpatia por ele (e estavam erradas?) “estou testando uma coisa nova!! escreve algo por cima do meu texto, vou tentar fazer aparecer aqui na minha mesa :D”
Se fosse honesta, Astoria sentia falta dos recados quando Axel não os escrevia. Ela não deveria, porque ele era um castigado e um dos piores na concepção da Grace — ele tinha uma reputação que certamente o precedia, Astoria julgava rapazes meio carecas, meio galinhas nada confiáveis — mas depois de quatro anos os recebendo, rindo de algumas piadas que ele enviava claramente para arrancar uma reação dela, que escolha ela tinha? Fez uma careta ao ler sobre o passarinho e imaginou que Olaf deveria ter feito um escândalo para que Axel tivesse que resgatá-lo. O pensamento a fez rir baixinho. Num dia normal, talvez a interação tivesse acabado por ali, mas a última frase escrita despertou a curiosidade da Snaer. Escolheu usar o lápis para escrever uma resposta, visto que não sabia se conseguiria apagar.
olaf, é o nome dele.
Já tinha visto o Tremaine exercitar as habilidades — depois de quatro anos sendo uma mera espectadora nas aulas de Habilidades Mágicas do primeiro módulo, considerava o esforço mínimo que tivesse aprendido um pouco sobre os seus colegas — só que nunca daquele jeito. Levantou os olhos para conferir se o professor da noite, o Feiticeiro, estava prestando atenção naquela parte da sala e puxou o celular do bolso da saia jeans. Não era tão anormal para ela seguir castigados no spellgram, contanto que fossem seus colegas... então não demorou para achar o perfil do rapaz e enviar uma DM para ele. A primeira em todos aqueles anos.
[ astoria grace 🤍❄️ ]: oi :)
funcionou?
por que a solana te detesta?
Por que ele era um castigado?, completou mentalmente, ou por que ele teria galinhado com as suas primas? Astoria definitivamente sentia falta de ter alguém para fofocar as últimas da Academia para ela.
— C-com licença. — Chamou, sem jeito, tocando delicadamente em muse. Baby só iniciava conversas quando extremamente necessário, como era o caso, entretanto, ainda era muito tímida e desajeitada para isso, o que era perceptível pela maneira como mexia nos óculos nervosamente com a mão livre. — Isso por acaso é seu? — Estendeu o objeto. — Encontrei caido por aqui e você é a pessoa mais próxima, então supus que fosse. — Esclareceu.
Não teria se esquivado do toque se não tivesse reconhecido a garota como uma castigada, mas sabia que se tratava de uma Hook e, por isso, deu um passo para trás. As Snaers não os detestavam como outras famílias por aí; Elsa, por exemplo, era uma boa professora para todos igualmente (menos para a própria filha!) mas as palavras da mãe sobre os castigados poderem usufruir de sua habilidade no Castigo e isso ser perigoso para a Ordem permaneceram tatuadas em sua memória. Isso sem falar que o seu trabalho com os defensores a mantinha longe dos habitantes da cidade de baixo, porque Astoria se sentia culpada. Era mais fácil, então, fingir que eles não existiam e tratar o sentimento de culpa como medo ou receio. “É, sim. Obrigada.” O agradecimento veio numa espécie de murmúrio. Estendeu a mão para pegar a tiara com orelhas de gatinho que Olaf havia ganhado de presente de alguém e não parava de usar por aí. Teria simplesmente virado as costas e continuado o seu caminho até o dormitório, mas algo na linguagem corporal da loira, bastante retraída, pareceu extremamente familiar para si e isso fez com que Astoria não a categorizasse como uma ameaça (não ainda, pelo menos) e acabasse optando por puxar um papo... isso na sua própria definição de “puxar papo”, que sempre envolvia o mínimo de palavras possíveis, especialmente com os do Castigo. “Na verdade, não é meu... É do meu boneco de neve. Você não o viu correr pelos corredores, né?”