Bacalhau (1976)
O confronto com uma enorme e selvagem criatura marinha já foi utilizado diversas vezes de maneira metafórica, como em O Velho e o Mar (Hemingway), Moby Dick (Melville), e Jaws (Peter Benchley), livro que ninguém leu deu origem ao filme homônimo dirigido por Steven Spielberg. Muito antes de ser estabelecido internacionalmente o subgênero sharksploitation, a pornochanchada trazia o tubarão para as praias brasileiras. Meses depois do lançamento do inegável sucesso norte-americano, o diretor e roteirista Adriano Stuart lançava seu Bacalhau, paródia escancarada pela capa e pelo subtítulo (Bacs/Jaws). A trama segue o original com precisão: um peixe selvagem aterroriza as praias de uma cidade balneária de São Paulo, mas o prefeito insiste em manter as praias abertas em razão da atividade econômica mantida pelo turismo; porém, quando o número de vítimas aumenta, a cidade precisará da ajuda de um pescador experiente e um oceanógrafo português (interpretado pelo próprio Adriano Stuart), que identificará a fera como o terrível “bacalhau da Guiné”. Há alusões explícitas à sua condição de paródia, como personagens dizendo “essa é aquela parte do filme em que...”, o que provoca um efeito cômico adicional. Na versão nacional, o apetite do bacalhau da Guiné, embora voraz, traz uma preferência pelas “carnes de primeira”. Com cenas hilárias num híbrido de nonsense e pavê, Bacalhau consegue dosar com habilidade o humor e a tensão gerada pela ameaça e pela caçada da fera marítima, especialmente na famosa sequência do barco em alto-mar. Após a esperada captura do bacalhau, o final ainda reserva uma surpresa ao espectador.











