O coração acelerando, as mãos suando mais do que o normal, paro na frente do espelho e me vejo sorrindo, sem nem perceber. Ajeito o cabelo, a maquiagem e ando de um lado para o outro no pequeno quarto de hotel, a cada minuto que o relógio no meu pulso marca, sinto meu coração acelerar mais e mais. A batida na porta demora mais do que o esperado, decido abrir e então sou sou transportada para outro universo, para outro sentimento, meu coração se acalma no momento em que a cena mais cômica se faz na minha frente, você ia bater na porta errada. Meu coração se aquieta no minuto em que te sinto nos meu braços, me sinto em casa, me sinto em paz. Olho nos seus olhos, sorrio até meu rosto doer, finalmente estamos aqui. Me lembrar desse momento é o que me faz superar qualquer dificuldade, me lembrar da sensação de paz e de estar no lugar certo, com a pessoa certa. Naquele dia deixei mais do que apenas uma promessa de volta, deixei também o peso da bagagem que levei a mais, da culpa e dos erros que cometi enquanto tentava decidir o que era certo ou errado, deixei minha culpa e trouxe o amor, que transborda, dia após dia, me lembrando que somos o que restou depois do furacão, da tempestade e do incêndio. Não espero pela dor, não espero pelo caos, nem pela desconfiança, eu sobrevivo ao que fiz e a quem magoei, porque cada escolha, cada passo, nos trouxe até aqui. Mesmo dentro da escuridão, me salvo ao lembrar, ao recordar o nosso toque, o nosso lar.
— Aline em Relicário dos poetas.















