ghosting ⊃ gaslighting
hoje me espantei com a constatação de não ter me deparado, até o momento, com nenhuma aproximação entre as práticas de ghosting e gaslighting – ambas mais comumente adotadas por homens, a propósito.
se ghosting significa ignorar repentinamente e deixar de corresponder as tentativas de contato feitas por uma pessoa com quem se vinha tendo um relacionamento (ainda que informal), então ele pode ser considerado uma forma de gaslighting sim.
a wikipedia define gaslighting como “uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade”.
a quem sofre ghosting, e simplesmente desconhece as razões que levaram a outra pessoa a terminar o relacionamento pela via da omissão, só resta conjecturar. passar em revista tudo o que disse e fez em busca do eventual foco do desagrado. e como nunca chega (e nem pode chegar, pois isso depende, no mínimo, da confirmação do outro) a uma resposta definitiva, começa a duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade – efeitos pretendidos pelo gaslighting.
é válido argumentar que quem some de repente não tem, necessariamente, a intenção de deixar a pessoa com quem vinha se relacionando louca, quer apenas evitar ter que declarar o fim do relacionamento. está claro que a maior motivação de alguém que recorre a essa postura evasiva é o medo de um eventual confronto. mas o fato é que romper a comunicação sem qualquer explicação ou anúncio dá as condições para que a outra pessoa crie hipóteses que, possivelmente, passam longe das razões reais do término. as consequências visadas pelos gaslighting são, no mínimo, efeitos colaterais do ghosting. no fim das contas, se fazer de fantasma é resultado de um cálculo mental em que empatia, coragem e, principalmente, maturidade tendem a zero.











